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Doente Coronário

Preparámos uns conselhos que o vão ajudar a cuidar melhor do seu coração. Para isso, reunimos o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Prof. Manuel Carrageta, e o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Prof. Cassiano Abreu-Lima, e fomos descobrir o doente coronário e os cuidados que este deve ter.

O doente coronário pode ser alguém que já teve, ou não, um enfarte do miocárdio ou que pode apresentar queixas de angina de peito – dores no peito associadas ao esforço. Porém, e o mais preocupante, é que a maioria das pessoas não tem uma patologia diagnosticada, mas apresenta um risco cardiovascular muito elevado.

«São pessoas que têm no seu historial factores de risco. Podem ser hipertensas, ter o colesterol elevado, serem fumadoras ou diabéticas. Nestas pessoas, se o risco global for muito alto, deve partir-se do princípio que têm doença coronária», refere Manuel Carrageta.

Muitos indivíduos tendem a negar a doença – ouvem, mas não acreditam. Não levam a sério e negam psicologicamente a patologia.

«É uma negação da realidade. Quando a realidade é desagradável, o doente, sobretudo do sexo masculino, defende-se desta forma, isto é, negando-a. Porém, outras pessoas reagem de outra forma. Aceitam o problema, mas ficam com medo e com desânimo, o que também é negativo.»

O Dia do Doente Coronário é uma medida para encorajar estes doentes a enfrentarem o seu problema, para além de alertar toda a população, no sentido da prevenção, identificando sintomas e factores de risco da doença coronária.

Estilo de vida saudável é a melhor prevenção

A primeira noção que se deve ter é a de que quem tem problemas de coração apresenta um risco de morte imprevisível. De acordo com o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, «é imprevisível porque a pessoa pode ser assintomática», isto é, não apresentar qualquer tipo de sintomas físicos e, de repente, «sofre um ataque cardíaco».

Este ataque cardíaco, em mais de 30% dos indivíduos, é fatal. «Por norma têm uma paragem cardíaca que é prolongada, mais de seis minutos, lesando irreversivelmente o cérebro.»

É com estes dados factuais que Manuel Carrageta alerta para a prevenção como a melhor solução.

«Faz todo o sentido prevenirmos este tipo de acidentes que podem ser comparados com um terramoto interno que origina uma devastação que pode levar à morte do indivíduo e a grande incapacidade».
A grande prevenção das doenças cardiovasculares faz-se através da adopção de um estilo de vida saudável.

De acordo com o Prof. Manuel Carrageta «pode-se tirar prazer de uma alimentação saudável» e neste sentido, o doente deve ter uma alimentação com pouca gordura animal, rica em vegetais e fruta, ingerir lacticínios magros, peixe e carnes magras, como as aves. A gordura escolhida deve ser o azeite e em termos de bebidas deve optar pela água e pelo vinho tinto em poucas quantidades.

Para além desta dieta saudável, recomenda-se uma actividade física regular. «É importante que estes doentes andem a pé, de preferência em passo rápido, 30 minutos por dia. Aqui excluem-se as actividades que sejam mais violentas. O grande erro, por exemplo, são aquelas pessoas que estão paradas durante a semana e ao fim-de-semana fazem grandes esforços. O exercício físico praticado de forma regular protege, mas quando praticado de tempos a tempos, sobretudo se muito intenso, é prejudicial», salienta o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Hoje em dia, com os progressos da Cardiologia moderna, a maioria dos doentes coronários sobrevive ao episódio de doença aguda, mas fica a sofrer de uma doença crónica que, ao longo dos anos, vai tendo recidivas. «Pode acontecer que ocorra um novo enfarte do miocárdio ou uma dor anginosa, mas é possível mantê-los vivos e com uma vida normal», sublinha Manuel Carrageta.

Ainda assim, na população portuguesa, as doenças cardiovasculares, no seu conjunto, representam a grande fatia das causas de morte. O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cassiano Abreu-Lima, é também da opinião que para se reverter este cenário é fundamental a adopção de um estilo de vida de saudável e a correcção de algumas coisas que a sociedade impôs sob formas diversas. Cassiano Abreu-Lima dá-nos um exemplo:

«Numa determinada fase do desenvolvimento urbano, os trabalhadores encontravam-se relativamente próximos dos locais de trabalho, podendo deslocar-se a pé ou de bicicleta. Porém, e à medida que a cidade cresce, as fábricas são empurradas para a periferia e o operário passa a necessitar de um meio de transporte público para se deslocar para o local de trabalho, diminuindo, assim, a sua actividade física diária», e acrescenta:

«São consequências da chamada civilização. Na verdade, há todo um conjunto de factores de natureza cultural, económica e social que favorecem a adopção de hábitos e comportamentos pouco saudáveis e dificultam muito a respectiva correcção.»

É difícil, mas é preciso mudar e, por isso, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia afirma que «grande parte do tempo nas consultas é preenchido a repetir, aos meus doentes, as mesmas coisas que eles ouviram na primeira consulta. Pergunto-lhes se já estão a fazer exercício físico, faço uma festa cada vez que eles perdem algum peso e reforço sempre o sermão de uma vida saudável».

Factores de risco

A insistência dos médicos com os seus doentes prende-se, sobretudo, pelos perigos que estes últimos correm principalmente quando reúnem um ou mais factores de risco.

A doença coronária é uma doença multifactorial, dependendo de vários factores, nomeadamente, da natureza do próprio indivíduo – natureza genética – que «favorece o desenvolvimento da patologia face à interacção de factores de outro tipo, como estilos de vida e hábitos. A história familiar é um factor que pesa principalmente quando a doença é precoce», sublinha Cassiano Abreu-Lima.

E, para além da história familiar, é importante considerar outros factores como o tabaco, a obesidade abdominal e a diabetes. O tabaco, por exemplo, é um dos grandes factores de risco para o doente coronário. «Uma pessoa que fuma é uma pessoa que perde, em média, 10 anos de vida. Pior que isso, é o envelhecimento das artérias no fumador.

Do ponto de vista biológico, o fumador é oito anos mais velho que um individuo não fumador da mesma idade. Mas também é preciso explicar que do mesmo modo que é possível envelhecer prematuramente pelo hábito de fumar, também é possível rejuvenescer pela adopção de um estilo de vida saudável, como deixar de fumar», afirma Manuel Carrageta.

O peso corporal também é relevante, principalmente se existir obesidade abdominal. Vários estudos demonstram que células gordas acumuladas na região abdominal levam a um aumento do risco de doença cardiovascular e a alterações metabólicas, como a diabetes.

Deste modo, não é o peso corporal por si só, mas o perímetro da cintura que melhor caracteriza o risco vascular aterosclerótico. Recentemente, a Federação Internacional da Diabetes sugeriu para medida limite da circunferência da cintura os valores de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres.

Estes critérios devem ser considerados na determinação da síndrome metabólica se associados a dois ou mais factores como resistência à insulina, pressão arterial elevada, triglicéridos elevados e colesterol elevado e/ou fracção do colesterol bom – a que se chama colesterol das HDL – baixo.

Doentes com síndrome metabólica têm duas a três vezes mais risco de doença cardiovascular, em comparação com os que não têm. Por outro lado, a síndrome metabólica também aumenta, em cinco vezes, o risco da diabetes.

Curiosamente, a diabetes tipo 2, que aparece com mais frequência nos adultos e que está em grande medida relacionada com o estilo de vida, constitui também um importante factor de risco para a doença cardiovascular. Cassiano Abreu-Lima salienta que «a mortalidade cardiovascular na população em geral anda à volta dos 39%, mas nos diabéticos atinge os 80%».

Dados epidemiológicos

No nosso País há poucos dados epidemiológicos acerca das doenças cardiovasculares, como sejam a prevalência (proporção de elemento da população que delas sofrem) e a incidência (número de novos casos anuais).

Dispomos, todavia, de dados em relação à mortalidade. Neste aspecto, podemos dizer que, a partir dos anos 70, houve uma subida muito grande e muito rápida da mortalidade cardiovascular relacionada com a melhoria da situação económica e social do país, subida essa que atingiu o seu máximo em 1990 para diminuir, lentamente, a partir daí.

«Neste período assistiu-se à consolidação daquilo a que se chama “retrocesso das pandemias” – pelo desenvolvimento de condições económicas e sociais um pouco melhores do que em décadas anteriores, pela implementação de algumas medidas generalizadas de saúde pública e por um mais fácil acesso da população aos médicos e aos tratamentos – assistiu-se a um disparo das doenças cardiovasculares.

No quadro das alterações da morbilidade e da mortalidade que decorrem do desenvolvimento económico e social (a que se chama transição epidemiológica) entrámos então na sua fase III (a anterior – retrocesso das pandemias – é a II): a das doenças degenerativas e antropogénicas», salienta Cassiano Abreu-Lima, acrescentando:

«Depois de 1990, como já disse, a mortalidade cardiovascular começou a descer graças aos avanços na terapêutica, que permitem que mais pessoas sobrevivam aos eventos cardiovasculares agudos. Porém, e se por um lado prolonga-se a vida, por outro, proporciona-se um terreno mais fácil para outras doenças como a insuficiência cardíaca, que se torna hoje quase numa epidemia do mundo moderno.»

«Progressos no Tratamento da Hipertensão Arterial»

Vai realizar-se, no próximo dia 14 de Fevereiro, o workshop «Progressos no tratamento da hipertensão arterial», no Hotel Tivoli Tejo, fruto de uma iniciativa da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e do Instituto Becel.

De acordo com o Prof. Manuel Carrageta, presidente da FPC, «conseguimos juntar a Fundação, a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e o Instituto Becel num iniciativa que faz todo o sentido pois o controlo da hipertensão é uma preocupação que é transversal a estas organizações.

A questão da alimentação, e como esta pode ajudar a controlar a hipertensão ligeira com todos os benefícios daí decorrentes, nomeadamente através dos alimentos péptidos lácteos e a sua recente evolução, será o assunto principal a ser abordado».

Já a Dr.ª Helena Cid, do Instituto Becel, sustenta que «os números são assustadores. Quatro em cada dez portugueses são hipertensos. É importante perceber que a alimentação pode ter um papel preponderante na prevenção do controlo da hipertensão, bem como noutros factores de risco das doenças cardiovasculares.

Aproveitando o Dia do Doente Coronário, estas três entidades juntaram-se para organizar um workshop focando os vários riscos envolvidos na hipertensão, bem como o papel da prática de uma alimentação saudável».protectora e caracteriza-se pela concentração de gordura nas coxas e nádegas. A anca é mais larga e o tronco mais estreito.

Corpo de maçã ou de pêra?

Hoje em dia fala-se muito no «corpo de maçã» e no «corpo de pêra». Estas duas designações pretendem classificar dois tipos de risco na obesidade visceral (abdominal).

Corpo de maçã – obesidade andróide, comum no homem, é mais maligna. A gordura concentra-se mais na zona do abdómen, entre as suas vísceras. Está mais relacionada com as doenças cardiovasculares.

Corpo de pêra – obesidade ginóide, incidente na mulher, é mais

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