Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica caracteriza-se por uma limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível ao tratamento instituído. A dificuldade respiratória é geralmente crescente e está associada a um processo inflamatório como resposta à agressão do pulmão pela inalação de partículas ou germes nocivos.
Em Portugal, a prevalência desta doença está estimada em 5,3% da população com idades compreendidas entre os 35 e os 70 anos, sendo o sexo masculino é o mais afectado. No entanto, actualmente está a assistir-se a uma mudança neste perfil, na medida em que cada vez mais a mulher portuguesa “Fuma”.
A DPOC é responsável a nível mundial por 29 milhões de anos de incapacidade e por um milhão de anos de vidas perdidas. Estima-se que 10% da população mundial com mais de 40 anos sofra desta doença.
Em Portugal o número de internamentos elevou-se em 5% nos últimos 5 anos, assim como a utilização do Oxigenoterapia de Longa Duração (OLD). A mortalidade (casos por 100000 hab), distribui-se da seguinte forma:
Norte – 35,4
Centro – 31,9
Lisboa – 29,9
Alentejo – 37
Algarve – 31,1
Açores – 55,8
Madeira – 27,5
O principal factor de risco para esta doença é o tabaco, estando presente em mais de 90% das situações clínicas.
Diagnóstico
:: Para se efectuar o diagnóstico de DPOC tem de se questionar os utentes se têm tosse persistente, expectoração, falta de ar, cansaço para médios e pequenos esforços.
:: O meio de diagnóstico mais eficaz é a realização de um exame intitulado de Espirometria tendo como finalidade o diagnóstico, prognóstico e monitorização da doença.
:: A Espirometria deve ser efectuada o mais cedo possível, pois poderá confirmar o grau da limitação obstrutiva do fluxo aéreo. Esta limitação ventilatória não é totalmente reversível após a administração de um broncodilatador, o que é compatível com a obstrução pouco reversível das vias aéreas e com a fisiopatologia desta entidade nosológica.
Tratamento
:: Além da suspensão do hábito de fumar, deverão ser utilizados inaladores (broncodilatadores e corticóides) bem deverá ser praticado exercício físico regular e acompanhado de uma alimentação adequada.
:: Quando existe Insuficiência Respiratória Total ou Parcial o doente deverá efectuar Oxigenoterapia de Longa Duração (OLD), (15 a 18 horas). A fonte de O2 poderá ser gasosa vulgarmente conhecida como bala de oxigénio; concentrador (aparelho ligado à corrente eléctrica) e oxigénio líquido o que permite a deambulação do doente. Esta terapêutica melhora a qualidade de vida e aumenta a sobrevivência.
:: A administração de oxigénio durante o período nocturno, diminui o número de descidas de oxigénio nocturno, melhorando a qualidade do sono. A prescrição de OLD obedece a baixas de O2 (hipoxemia) crónica diagnosticada por gasometria arterial em período estável (mínimo 3 meses, após fase de agudização). A baixa de O2 (hipoxemia) vai levar a alterações da ventilação/perfusão.
:: Se existir infecção, o tratamento para estes doentes comporta antibióticos e anti-inflamatórios orais. O tratamento de eleição na fase precoce da doença consiste na utilização de inaladores acopulados a câmaras expansoras, obedecendo a uma correcta utilização o que leva a um ensino adequado na altura da prescrição.
:: A reabilitação pulmonar vai abranger o treino muscular e respiratório, assim como o ensino do doente e seus familiares.
:: A terapia nutricional e ocupacional tem um papel muito importante no equilíbrio bio-psico social deste doente.
:: Não nos podemos esquecer das vacinas que têm um papel importante no decréscimo das infecções intercorrentes.
É uma doença que deve ser diagnosticada precocemente para ser correctamente tratada:
“Se tosse mais do que 1 semana deverá consultar o seu médico assistente”.
“A espirometria deve ser efectuada se for fumador em qualquer idade ou se tiver mais do que 35 anos de idade”.
“Suspensão do hábito de Fumar” tendo como ajuda a existência da consulta de Cessação Tabágica.
Tabaco
:: A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existem cerca de 1,1 biliões de fumadores no mundo, representando um terço da população global acima dos 15 anos de idade e por sua vez estima que, em 2025, existirá uma morte em cada 3 segundos.
:: O uso do tabaco sob a forma de cigarro é responsável pela epidemia de doenças ligadas directamente a este hábito (DPOC, Cancro, Doenças Cardio Vasculares). O fumo de tabaco produzido por cachimbo e charutos é mais acre e alcalino do que o produzido pelos cigarros, tornando a sua inalação pelo pulmões mais difícil. Além da nicotina existe um conjunto de substâncias tóxicas e carcinogénicas que também são inaladas, depositando-se nas vias aéreas e alvéolos.
:: Em Portugal o hábito de fumar iniciou-se nos anos 60 e vinte anos mais tarde 46% da população masculina fumava. O tabagismo no sexo feminino (adolescentes) duplicou entre 1977 e 1990. Devido ao intervalo de tempo existente entre o início do hábito de fumar e os seus efeitos na saúde, a maioria dos países vai começar a registar, nos próximos anos, os danos causados por este agressor.
Mas não podemos acabar este artigo sem deixar as boas notícias e conselhos
:: Está sempre na altura de deixar de fumar.
:: Pense que, ao deixar de fumar, irá melhorar a sua qualidade de vida e proteger os outros que o rodeiam.
:: Decida e procure ajuda na Consulta de Cessação Tabágica.
Dr.ª Maria da Conceição Gomes
Pneumologista no Bristish Hospital Campo de Ourique e na Clínica Unimed de Entrecampos
GPS – Grupo Português de Saúde
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