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Doença ocular: A Degenerescência Macular da Idade (DMI) preocupa médicos de família e oftalmologistas

A Degenerescência Macular da Idade (DMI) é uma doença ocular que afecta a retina, isto é, a camada que recobre a parede posterior do globo ocular. Na retina é particularmente importante a região macular, que é uma pequena área responsável pela visão central, onde as imagens luminosas são captadas, transformadas em estímulos eléctricos e encaminhados através do nervo óptico até ao cérebro, onde são interpretadas.

Patologia outrora quase ignorada, a DMI está hoje entre as doenças oculares que mais preocupa a população, médicos de família e oftalmologistas em particular. É em países industrializados que regista altas taxas de incidência, sendo a causa de hipovisão irreversível mais frequente acima dos 50 anos de idade. A prevalência e a incidência não são exactamente conhecidas em Portugal, estimando-se acima de 300 mil casos.

A idade é o maior factor de risco. Estima-se que existem mais de 40 mil pessoas atingidas entre os 50 e os 60anos, cerca de 100 mil entre os 60 e os 70 anos e acima de 250 mil com mais de 70 anos.

Faça o diagnóstico! Conheça os sintomas!

Tratando-se de uma doença progressiva a forma inicial é denominada Maculopatia ligada à idade, sendo o diagnóstico efectuado pela presença de drusen moles e alterações no epitélio pigmentado da retina.

A forma mais evoluída denominada já DMI surge com duas apresentações distintas, não exsudativa e exsudativa, representando cada uma delas uma fase diferente do mesmo processo patológico. A forma não exsudativa (atrófica, seca) é mais frequente e menos grave, só cerca de 10% evolui para perda da visão central. A maioria destes doentes pode levar uma vida activa quase normal.

A forma exsudativa (cerca de 10%), é mais grave já que 90% destes casos sem terapêutica evoluem para perda irreversível da visão central. A evolução é habitualmente rápida. O doente pode perder a capacidade de condução, de leitura, de distinguir por exemplo o valor de moedas, mantendo no entanto a visão periférica. O sintoma clássico á a denominada metamorfopsia ou distorção da imagem, acompanhado às vezes de escotomas centrais.

No entanto, muitos doentes com DMI só têm sintomas nas fases graves pelo que o diagnóstico desta doença passa sempre pelo exame feito por um oftalmologista e, em muitos casos, pela realização de exames complementares específicos como a Retinografia, Angiografia e a Tomografia de coerência óptica.

Terapêutica

A prevenção baseia-se na micronutrição. Os suplementos só serão úteis antes da destruição da retina, não podendo devolver a visão perdida, mas sim diminuindo a frequência de formas graves e adiando o aparecimento de complicações. Foi provado que os suplementos de anti-oxidantes, de luteína e de omega-3 podem travar a doença.

Desde 2000 que a Terapêutica Fotodinâmica se tornou o tratamento de eleição. Na maioria dos doentes tratados há estabilização da visão e em cerca de 6 % melhoria.

Recentemente novas terapêuticas estão a ser utilizadas, nomeadamente os antiangiogénicos administrados por injecção intravítrea, cujos resultados apontem para uma melhoria da visão de 30 a 40%, quando administradas atempadamente.

Maria João Veludo
Médica Oftalmologista
Responsável pela Consulta de Retina
Médica do Centro Hospitalar de Lisboa – Hospital de S. José

Jornal do Centro de Saúde

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