Na década de 60 o Dr. Ancel Keys, professor e director da Universidade de Saúde Pública de Minesota (EUA), fez um estudo sobre a incidência das doenças cardiovasculares em 16 grupos da população dos seguintes países: Japão, Itália, Holanda, Finlândia, EUA, Grécia e ex-Jugoslávia. Os resultados foram apresentados no trabalho «Estudo das Sete Nações» e mostravam que os indivíduos que viviam na área mediterrânica eram menos afectados por doenças coronárias.
Na mesma década, constatou-se, ainda, que era a população de Creta (Grécia) que apresentava uma maior esperança de vida relativamente a outros povos. Isto porque a respectiva alimentação, típica, era baseada na chamada dieta mediterrânica.
Este tipo de alimentação foi, aliás, adoptado pelos portugueses durante muito tempo, mas tais hábitos alimentares têm vindo a perder-se desde os anos 60. Actualmente, começou-se a falar de uma forma mais regular da chamada dieta mediterrânica.
Esta dieta é, essencialmente, baseada no conjunto de variantes da alimentação tradicional espanhola, portuguesa, grega, marroquina, tunisina, turca, síria, do sul de França e do sul de Itália.
«Trata-se de uma dieta equilibrada, em que estão inseridos todos os grupos alimentares – proteínas, hidratos de carbono, gorduras, legumes e frutas –, sendo o azeite a gordura mais usada», refere a Prof.ª Virgínia Costa Matos, nutricionista e autora do livro A Dieta de Bem-estar.
Na altura em que a dieta mediterrânica foi descoberta enquanto tal, o açúcar e a carne eram pouco consumidos, em comparação com os legumes, a fruta e os hidratos de carbono.
Mas, segundo afirma Virgínia Costa Matos, «as populações nessa altura não tinham uma vida sedentária e, actualmente, a dieta tem de ser adaptada ao sedentarismo, pois, se for seguida como outrora, as pessoas podem engordar. Por exemplo, os hidratos de carbono dão energia, mas quando consumidos em excesso engordam».
Deste modo, foi concebida uma nova versão da dieta mediterrânica, mais adequada ao estilo de vida actual e citadino, onde impera a falta de exercício físico.
«É notória a redução dos hidratos de carbono no programa da dieta mediterrânica adaptada aos dias de hoje, sendo mais rica em legumes e frutas. Contudo, no que respeita ao pão, este deve ser integral», indica a nutricionista.
Equilíbrio alimentar
Na perspectiva de Virgínia Costa Matos, a dieta mediterrânica é importante na medida em que proporciona um equilíbrio alimentar com fraca incidência nos alimentos que contêm gorduras saturadas, como a manteiga e a carne de vaca, e proporciona ao organismo todos os nutrientes de que necessita para poder funcionar e uma sensação de bem-estar.
Uma das únicas desvantagens apontadas pela especialista prende-se com o facto de ser uma dieta rica em hidratos de carbono, tendo em conta o estilo de vida sedentário. Por isso é fundamental escolher os alimentos e, sobretudo, a combinação destes, que deve ser feita consoante cada pessoa.
Assim, se o objectivo é perder peso, Virgínia Costa Matos aconselha:
«Ao pequeno-almoço, deve-se consumir pão de mistura ou tostas, queijo e leite magros. A refeição do almoço deve ser composta por carne magra (frango ou peru) e legumes e/ou arroz ou batatas a acompanhar. Já o jantar deve ser mais ligeiro, sendo preferível comer peixe. Entre as refeições principais devem ser feitos lanches com frutas ou pão integral. Quanto ao tempero, sem dúvida, o azeite e de preferência extravirgem, com o máximo de 0,5 graus de acidez.»
No entanto, a nutricionista adverte que, «além de ser essencial seleccionar os alimentos, é imprescindível que as pessoas que desejam emagrecer recorram a um especialista para se certificarem de que aquilo que fazem é correcto e para terem maiores possibilidades de sucesso».
Como é sabido, muitas vezes, o excesso de peso e a obesidade estão associadas à diabetes. Quem sofre desta patologia deve ter uma vida saudável, fazer exercício físico e, entre outras coisas, evitar os excessos alimentares.
«Por ser pobre em açúcares de combustão rápida (açúcar normal com sacarose) e rica em açúcares de combustão lenta (arroz integral, pão de mistura, etc.), a dieta mediterrânica ajuda a manter a glicemia mais estável», explica Virgínia Costa Matos, acrescentando que «se esta dieta for bem utilizada é uma forma de não só se combater a diabetes como também o colesterol».
Alimentos e refeições
Eis alguns alimentos usados nos pratos da dieta mediterrânica:
Proteínas: peixe, carne, leite, iogurte, queijos magros.
Hidratos de carbono: pão, de preferência de farinha de mistura (integral) ou tostas.
Legumes: feijão verde, grelos, couve-flor, beterraba, nabo, tomate, alface, cenoura, entre outros.
Gordura: azeite.
Pratos portugueses de dieta mediterrânica:
– Sardinhas com batata e salada.
– Feijoada com pouca carne.
– Caldeirada de peixe com bastantes legumes.
– Jardineira de frango, mas com feijão verde a substituir as ervilhas.
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