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Degenerescência Macular da Idade: Mais de 300 000 pessoas em Portugal têm a doença

A Degenerescência Macular da Idade (ou DMI) é uma doença em que com a idade surge deterioração progressiva da parte central da retina, a mácula, podendo levar a uma perda de visão grave e irreversível.

A DMI é a primeira causa de cegueira nos países desenvolvidos, acima dos 50 anos de idade. Em Portugal afecta mais de 300 000 pessoas.

Existem duas formas da doença:

– a DMI seca ou atrófica – evolui durante anos de forma silenciosa para uma atrofia progressiva da retina macular e só pode ser detectada pelo seu oftalmologista ao examinar a sua retina;

– a DMI exsudativa ou neovascular – desenvolvem-se vasos anómalos que levam a uma perda rápida e agressiva da visão central. Os neovasos originam hemorragias e exsudação com desorganização da retina e finalmente formação de lesões cicatriciais irreversíveis.

Quais as são causas da DMI?

O principal factor causal da DMI é a idade. Acima dos 50 anos aumenta o risco de desenvolvimento da doença. Conforme a idade aumenta, o risco aumenta de forma quase exponencial.

O segundo factor implicado na origem da doença é o factor genético. Uma história familiar positiva significa maior risco de desenvolvimento da doença.

Entre os factores ambientais, o tabaco foi estabelecido como factor causal. Doentes que fumam grande número de cigarros por dia têm maior risco que a população geral de ter DMI.

Como se manifesta a DMI?

Durante anos, a DMI pode ter uma evolução silenciosa com formação das primeiras alterações degenerativas maculares, sem que o doente detecte alterações visuais perceptíveis.

Só o oftalmologista é que detecta as alterações precoces. É possível estabelecer o risco de cada doente desenvolver as formas avançadas da doença. Salienta-se assim a importância da realização regular de consulta de oftalmologia em todas as pessoas com mais de 50 anos. Na consulta, a observação do fundo ocular permite identificar os olhos com risco, informar sobre a doença, prescrever terapias anti-oxidantes e distribuir testes simples, de fácil execução em casa, para detecção de sinais precoces da forma exsudativa.

Os primeiros sintomas da forma exsudativa são a diminuição da visão central, o aparecimento de manchas no campo visual e a distorção das imagens.

Caso estes sintomas surjam, o doente deve ser observado com urgência por um oftalmologista.

Os doentes têm que sair de Portugal para serem tratados?

Neste momento todos estes tratamentos estão disponíveis em Portugal. Devem ser efectuados por médicos diferenciados no tratamento de doenças retinianas.

As injecções intra-vítreas são realizadas em blocos ou em salas que reúnam as condições de assepsia necessárias para evitar ao máximo o risco de infecções intra-oculares graves (endoftalmites). São feitas com anestesia local, rápidas e relativamente indolores.

Realizam-se em regime de ambulatório, pelo que o doente volta para casa após o tratamento. Não implicam limitações na vida dos doentes, quer antes, quer após o tratamento. Apenas não é aconselhável praticar natação ou frequentar piscinas nos primeiros dias após o tratamento.

Onde podem ser realizados os tratamentos para a DMI?

Os tratamentos da DMI exsudativa neste momento são feitos em Portugal quer nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), quer em clínicas privadas, que dispõem de especialistas diferenciados no tratamento de patologia retiniana.

A nível do SNS, são sobretudo os hospitais centrais que, neste momento dispõem dos fármacos e reúnem as condições para efectuar tratamentos – pessoal médico e técnico e meios auxiliares de diagnóstico para acompanhamento dos doentes.

Um doente com sinais ou sintomas de DMI não deve ficar à espera de uma consulta externa. Caso haja dúvidas, deve consultar o mais brevemente possível um oftalmologista ou recorrer a uma urgência de oftalmologia, pois quanto mais precocemente for tratado, maiores são as hipóteses de manutenção de uma boa função visual.

Jornal do Centro de Saúde

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