A artrite reumatóide é uma das inúmeras doenças do foro reumatológico desde há muito tempo conhecidas do homem. No passado, as pessoas diagnosticadas com esta doença tinham pouca informação acessível onde podiam recorrer quando necessitavam.
Nesse sentido, como Terapeuta Ocupacional achamos pertinente a abordagem deste tema, uma vez que é da nossa responsabilidade como técnicos de saúde, aconselhar as pessoas atingidas e ajudá-las a conviver com a doença de uma forma saudável, promovendo a sua qualidade de vida. Sem dúvida, que quanto maior for o conhecimento e a compreensão que todos tivermos da artrite reumatóide e das doenças reumáticas, maiores serão as perspectivas futuras para cada pessoa.
Uma vez que este tema aborda vários aspectos, decidimos dividi-los em vários artigos. Iniciaremos por uma abordagem clara e sucinta sobre a Artrite Reumatóide, seguindo-se conselhos úteis dentro das actividades da vida diária, produtivas e de lazer, segundo os princípios da protecção articular, exercícios que podem ajudar a manter uma boa flexibilidade e diminuição do mal estar e outros temas interessantes sobre esta patologia.
O QUE É A ARTRITE REUMATÓIDE?
A artrite reumatóide é uma doença que afecta principalmente as articulações, se bem que também possa atacar outros tecidos, provocando um mal estar geral. Os ligamentos das articulações inflamam, o que causa dor e eventualmente deformações no próprio osso, daí a dificuldade em fazer movimentos.
A causa da doença não é ainda conhecida, apesar de várias investigações efectuadas. Após muitos estudos médicos, esta doença é classificada de auto imune, uma vez que o próprio corpo deixa de reconhecer os seus tecidos, começando a atacá-los.
Verificou-se, contudo, em algumas pessoas que um grande choque ou a falta de um ente querido podiam desencadear a doença. Mas estes factores desencadeantes são variados, dependendo da pessoa; pois a várias pessoas essas situações são desencadeadas e a doença não surge. Por essa razão, a causa da artrite não é ainda realmente conhecida.
Questões como, é uma doença hereditária e quem é mais afectado, são muitas vezes levantadas.
Podemos dizer que afecta 3 vezes mais as mulheres do que os homens. Apesar de a idade média do início da doença se situar entre os 30 e os 60 anos, os bebés, as crianças e os idosos também podem manifesta-la.
Não se pode dizer que é uma doença hereditária. Algumas pessoas herdam a tendência para contrair artrite reumatóide, daí que possa haver mais de um caso numa só família. No entanto, não é a doença em si que é herdada mas a propensão para a contrair, e, mesmo que esta propensão exista, pode nunca ser encontrado o factor que desencadeia a doença em si.
É a razão pela qual algumas pessoas afectadas não encontram nenhum vestígio de artrite reumatóide nos seus antecedentes familiares, enquanto outras descobrem que vários parentes próximos já a contraíram.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS E O TIPO DE TRATAMENTO?
Os sintomas da artrite reumatóide variam de pessoa para pessoa.
Os sintomas mais frequentes são a dor, uma ligeira tumefacção das articulações acompanhada de inflamação. O doente sentir-se-á cansado, fraco, febril, geralmente pálido, com perda de apetite e de peso. Em muitas pessoas o surto inicial tem curta duração sem deixar sequelas, o que pode levar a pensar que se teve uma gripe.
Contudo é provável que surjam surtos tardios, designados por crises relâmpago. É importante que o tratamento comece o mais cedo possível, não só para reduzir a inflamação (no caso de haver ardor e a zona da articulação estiver inchada), mas também para começar a tratar a própria articulação. As crises relâmpago podem ter outras causas: stress emocional grave, um acidente, mas também podem ocorrer fora de qualquer contexto.
As articulações afectadas ficam sensíveis e rígidas, especialmente de manhã, e os movimentos são dolorosos e limitados. Após várias crises é provável que as articulações fiquem severamente afectadas até deformadas. Contudo, a gravidade das crises, a sua frequência e a incapacidade que provocam varia de pessoa para pessoa.
No entanto, com o avanço da medicina, é possível fazer um diagnóstico precoce, proceder a um melhor tratamento e acompanhamento da doença a fim de abrandar a sua evolução.
Existe um grande número de tratamentos para esta doença, embora nenhum cure a artrite, alguns proporcionam uma grande ajuda.
O médico pode indicar-lhe várias alternativas, a medicação mais adequada ao seu caso, a cirurgia, quando várias articulações estão gravemente afectadas, dificultando a realização de movimentos. Embora a cirurgia não seja uma cura, ajuda a recuperar a perda de movimentos e a aliviar a dor, no entanto não consegue restituir a força ao membro afectado, a menos que a fraqueza seja causada pela própria dor.
A Fisioterapia e a Terapia Ocupacional, tendo ambas como objectivo aliviar a dor, melhorando ou mantendo as capacidades da pessoa e dando conselhos de como aprender a viver diariamente com a doença. O Terapeuta Ocupacional dirige a sua intervenção para o aconselhamento segundo os princípios da conservação de energia de forma a ajudar o pessoa a programar as sua tarefas diárias, dentro das actividades da vida diária, actividades produtivas e de lazer evitando a dor e esforços desnecessários.
Bibliografia utilizada:
Unsworth, Heather (1989). Artritismo como enfrentar este mal?. Lisboa: Verbo
*Imagens retiradas: Unsworth, Heather (1986). Coping with Rheumatoid Arthritis. Chambers
No próximo artigo continuaremos com este tema, dando alguns conselhos que as pessoas devem ter em atenção nas actividades da vida diária, segundo os princípios de conservação de energia.
Clínica Ponto da Saúde
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