Foi lançada recentemente a compilação do primeiro e mais representativo estudo de hipertensão (HTA) – a prevalência, o tratamento e o controlo – em Portugal. Da autoria do Prof. Mário Espiga de Macedo, especialista em Medicina Interna e Cardiologia e actualmente membro do Departamento de Controlo da Qualidade de Saúde da Direcção-Geral de Saúde, o estudo veio demonstrar que os homens sofrem mais desta patologia do que as mulheres e que apenas 11,2% dos hipertensos no Continente têm a sua HTA controlada.
Segundo o especialista, “este trabalho é necessário e extremamente útil para o planeamento eficaz de estratégias de intervenção e no desenvolvimento de iniciativas mais eficazes para o combate ao principal factor de risco das doenças cardiovasculares e cerebrovasculares em Portugal.”
O estudo agora compilado em livro releva uma prevalência de HTA elevada, de 42,1%, semelhante à maioria dos países europeus.
Aumentar o conhecimento entre os portugueses para o principal factor de risco das doenças cardiovasculares e reunir num documento escrito as conclusões do estudo são os grandes objectivos deste livro que poderá ser consultado por todos.
Segundo Mário Espiga de Macedo, as percentagens elevadas de hipertensos mal controlados em Portugal devem-se, acima de tudo, “à má passagem da mensagem sobre os cuidados a ter com a HTA elevada. Por outro lado, como a doença tem poucos sintomas os doentes abandonam a terapêutica com mais facilidade.”
Controlar a HTA
Para o cardiologista, é fundamental “usar todos os meios ao nosso alcance, pelos médicos, paramédicos e sociedade em geral, no sentido de os doentes cumprirem as medidas não farmacológicas e a terapêutica instituída”. Curiosamente, nos Açores, as estatísticas de controlo da doença são melhores do que no restante país. Como se explica tal situação? “Estamos a falar de zonas populacionais de muito baixo número de habitantes – 5 mil a 15 mil – logo, o contacto de proximidade de médicos e enfermeiros deverá ser mais próximo e assim contribuir para a aderência ao tratamento”, diz-nos o especialista.
Actualmente, denota-se também um aumento muito significativo da obesidade nos jovens, o que origina valores elevados de HTA nestas idades, o que não deixa de ser preocupante.
“A HTA é um problema de todos, médicos e sociedade em geral, e por isso mesmo todos devem colaborar no sentido de conseguir a aderência ao tratamento médico ou não. Por outro lado, é necessária a persistência na vigilância”, refere Mário Espiga de Macedo.
A hipertensão em Portugal em números
> Cerca de 3 milhões de portugueses adultos sofrem de HTA;
> Existe uma prevalência maior da HTA no sexo masculino em comparação com o sexo feminino. Esta diferença atenua-se na população mais idosa;
> Em termos de conhecimento da existência da doença, o resultado foi de cerca de 42% das populações, mas nos Açores foi de 61%;
> Em relação ao tratamento, no Continente estavam a ser tratados 39.1% dos doentes, 34,3% na Madeira e 57,9% nos Açores;
> Dos portugueses hipertensos no Continente apenas 11,2% têm a sua hipertensão arterial controlada, já na Madeira o valor aumenta para 12,5% e nos Açores, o melhor resultado, o valor é de 35%.
Jornal do Centro de Saúde
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