Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma expressão um tanto vaga mas, no meu sentir, aterrorizante: é que o AVC é a primeira causa de morte em Portugal. E, se são mais de vinte mil por ano as mortes por AVC, significa que em cada 20 ou 25 minutos morre mais um português, ou portuguesa, por essa causa.
E, talvez pior: sabendo-se que um terço dos AVC são fatais, significa que, por cada um que morre, há mais dois que sobrevivem, mas, desses, regra geral, só metade tem recuperação total, enquanto a outra metade pode ficar com graves deficiências intelectuais ou motoras – disartria ou hemiplegia, quer dizer, dificuldades na fala e/ou paralisia de um dos lados do corpo, braço e/ou perna.
Muitas vezes sobrevivem acamados – espectáculo triste para o próprio, para os que o rodeiam e grande sobrecarga para a família.
O que aí vai de anos de vida perdidos por morte precoce, ou anos de vida gravemente incapacitados – afinal metade dos que não morreram!
Por tudo isto, em vez de falar hemorragia cerebral, trombose “congestão” ou outras designações para os AVC, quereria sim salientar dois pontos.
O fim da picada
O AVC é “o fim da picada”. Isto é, o terminar de um longo caminho em que a aterosclerose se foi desenvolvendo, silenciosa, ao longo de muitos anos, a começar na infância (a aterosclerose é uma doença pediátrica!).
Prevenção do AVC
A prevenção do AVC integra-se num conjunto de atitudes comuns de promoção da saúde que, só por si, também ajudam a prevenir outras doenças, todas em conjunto ditas não transmissíveis, isto é, não contagiosas, mas com factores de risco comuns. Ao querer evitá-las, temos de tentar criar hábitos saudáveis desde a pequena infância.
A hipertensão arterial é a causa principal do AVC
A causa principal do AVC – a hipertensão arterial – é potenciada pelo uso do tabaco, abuso do álcool, obesidade, sedentarismo e stress excessivo. Detectar, tratar e normalizar a tensão arterial elevada representa o principal cuidado a ter para evitar o AVC.
Calcula-se em um milhão o número de hipertensos desconhecidos em Portugal, e ainda maior é o número de hipertensos mal tratados, isto é, que ainda não estão com valores de tensão já dentro do normal. A luta nacional contra a hipertensão arterial (tensão igual ou superior a 14/9) tem de ser a primeira luta pela saúde dos portugueses.
A pré-hipertensão
Para além disso, importa salientar que a faixa dos 120 aos 140 mm Hg, deve ser considerada pré-hipertensão, o que significa que, se queremos evitar os AVC, devemos explicar a todos que a tensão verdadeiramente normal é igual ou inferior a 120/80, e que acima disso devem reforçar-se todas as outras medidas de prevenção das doenças cardiovasculares.
Parar de fumar, medir o colesterol, reduzir substancialmente o sal na alimentação, as gorduras e o álcool, e fazer exercício físico todos os dias – pelo menos vá passear a pé 15+15 minutos, em cima do almoço ou do jantar.
Jornal do Centro de Saúde
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