Em Portugal, cerca de 100 mil doentes têm que tomar uma terapêutica diariamente para reduzir o risco de formação de coágulos no sangue. A terapêutica anticoagulante oral (TAO) é uma necessidade quando estão presentes problemas cardiovasculares, como a fibrilhação auricular, ou após a substituição de válvulas cardíacas. O objectivo desta terapêutica é reduzir o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Em Portugal – três portugueses morrem a cada hora na sequência de um AVC.
Francisco Crespo, Presidente da Associação Portuguesa de Doentes Anticoagulados (APDA) afirma que “Cerca de 20 a 40% dos AVC têm origem em doentes com Fibrilhação Auricular. Esta arritmia provoca uma alteração na contracção das aurículas que induz a formação de trombos que podem viajar até às artérias cerebrais, provocando os AVC.
Para evitar este problema os doentes têm de tomar anticoagulantes orais, o que obriga a uma monitorização frequente com análises.
Diversos estudos internacionais comprovam que os doentes que fazem o auto-controlo da anticoagulação oral têm menos tromboses e hemorragias que os doentes monitorizados no hospital, só que em Portugal o acesso aos aparelhos e tiras é dificultado pelo facto de não existir uma comparticipação ou pelo menos a isenção do IVA.”
O objectivo primordial da APDA passa por sensibilizar os doentes e profissionais de saúde para as vantagens, numa 1 ª fase, da descentralização do controlo para os médicos de família e em simultâneo ou numa 2ª fase, para a auto-monitorização dos níveis de coagulação do sangue pelo próprio doente, visto ser uma estratégia bem sucedida noutros países da Europa.
Esta permite que o doente seja autónomo na realização das análises regulares, evitando deslocações desnecessárias ao Hospital ou Centro de Saúde e tornando simultaneamente o doente mais próximo da sua terapêutica, com possível recurso ao médico responsável, sempre que necessário.
A APDA conta com Jorge Sampaio como sócio honorário. O ex-presidente da República e Alto Representante da ONU procura desta forma sensibilizar para as dificuldades que os doentes anticoagulados têm que ultrapassar diariamente, através do testemunho da sua experiência pessoal. São também sócios honorários e seus apoiantes os Professores Seabra Gomes, Correia de Campos e Queiroz e Mello.
Sobre a APDA:
A Associação Portuguesa de Doentes Anticogulados (APDA) destina-se a doentes sob tratamento com anticogulantes orais, a profissionais de saúde e a todas as pessoas que queiram ser sensibilizados ou colaborem no apoio aos doentes anticogulados.
Entre os principais objectivos da APDA destaca-se a promoção da melhoria da qualidade de vida dos doentes anticoagulados, o ensino e seu esclarecimento, incentivando o controlo periódico dos níveis de coagulação como forma de prevenção de eventuais problemas cardio e cerebrovasculares.
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