Cada vez mais as dependências tomam novas formas. O ser humano assume com facilidade comportamentos que repete de um modo extremado e descontrolado, preenchendo critérios de dependência psicológica. Estamos a falar de dependências sem recurso a substâncias químicas, mas que assumem papéis dominantes na vida dos indivíduos.
Em todos estes exemplos, o indivíduo sente que dedica uma importância extrema a algo de que não consegue abdicar. Outras vezes o próprio não se apercebe, mas a exigência para satisfazer essa “vontade” passa a ser o centro da sua vida, ultrapassando a noção de razoabilidade e controlo do próprio sobre o seu comportamento.
A) Seja o modo como se utiliza os telemóveis, a Internet, as redes sociais – que parecem facilitadoras da comunicação, mas que desvalorizam a proximidade interpessoal.
B) Sejam as compras supérfluas, tantas vezes na origem de descontrolos financeiros, mas cuja repetição parece impossível de travar.
C) Seja o trabalho que passa a ser a única actividade que ocupa – o pensamento e as acções, sendo prioridade sobre todos os outros interesses e ocupações, trazendo à mistura uma sensação estranha de que não se consegue parar.
D) Seja no campo das relações humanas de intimidade, nos exemplos de procura incessante e troca constante de parceiros sexuais, com vista ao prazer sexual, ou pela procura desesperada de uma relação de intimidade e proximidade.
E) Seja nas utilizações perturbadas com a comida, ou no recurso exagerado ao ginásio, entre outros.
Impulsos difíceis de controlar
O problema é que todos estes comportamentos ocupam o centro das atenções de vida para essa pessoa. A própria não consegue controlar o comportamento, sentindo que é invadida por um forte impulso para o repetir, existindo mesmo sofrimento pela ausência da repetição.
Por vezes, a pessoa não admite, perante si e perante os outros, que isso constitui um problema, mas ao longo do tempo percebe que já não apresenta o mesmo prazer inicial, ou que já não lhe basta. O maior ou menor sofrimento do indivíduo perante a situação de dependência, de entre outros factores, depende também da consciência da mesma.
Mesmo sem enumerar as explicações psicológicas, biológicas ou sociológicas que explicam esta problemática, permitam-me referir que problemas deste tipo nos remetem para a existência de dificuldades na relação do indivíduo consigo próprio, e/ou com os outros. Permitam-me ainda sublinhar que a sua gravidade está associada à precocidade dessa “relação de dependência” e que quanto menos instalada a situação, menos “danos” terá provocado na vida da pessoa, daí que a procura de ajuda técnica se deva fazer o quanto antes.
Jornal do Centro de Saúde
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