O número de doentes que procura o seu médico de família para resolver problemas urológicos tem crescido exponencialmente nos últimos anos.
Actualmente, cerca de 10% das consultas de Medicina Geral e Familiar têm origem nas doenças urológicas.
Para esta corrida ao médico de família tem contribuído «a maior divulgação das doenças urológicas e de terapêuticas fáceis e eficazes, o que faz com que haja um número crescente de doentes a procurar o seu médico de família, no sentido de orientação e tratamento», explica o Dr. Tomé Lopes, urologista e director do Serviço de Urologia do Hospital Pulido Valente, em Lisboa.
Por outro lado, «o clínico geral começa hoje a tratar doenças antes apenas tratadas pelo urologista», sendo o grande exemplo a incontinência urinária feminina. Algumas formas desta patologia, nem todas, podem ser resolvidas pelo médico de família.
«O clínico geral pode fazer tratamento de alguns quadros clínicos, sendo que na maioria das situações pode ter um papel determinante ao nível da detecção precoce de várias doenças, fazendo o encaminhamento dos casos que assim o justifiquem para a consulta hospitalar de urologia», continua o especialista.
Com o envelhecimento da população e uma maior informação, calcula-se que nos próximos anos haja um acréscimo enorme de consultas no médico de família por problemas urológicos, «especialmente no campo da hipertrofia benigna da próstata, cancro da próstata, incontinência urinária feminina e disfunção sexual masculina», frisa Tomé Lopes.
Por que ambas as especialidades já perceberam que esta aliança deve não só ser mantida, mas igualmente bem alimentada, tiveram lugar, no início do mês de Novembro, as 1.as Jornadas do Serviço de Urologia do Hospital Pulido Valente, intituladas «Urologia na Medicina Familiar».
«Organizámos estas jornadas convictos de que, ao partilharmos conhecimentos, melhoramos a interacção entre o médico de família e o urologista e facilitamos a acção daqueles que, mesmo não sendo especialistas, tratam doentes com patologia do foro urológico», adianta Tomé Lopes, também presidente deste evento, que terá lugar no Anfiteatro do Hospital Pulido Valente, com o patrocínio científico da Associação Portuguesa de Urologia (APU) e da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG) e patrocinado pela Sanofi-Synthelabo.
Especialistas internacionais
reunidos em Lisboa
Decorreu recentemente, na cidade de Lisboa, o Encontro Internacional UroXchange, sob o tema «Urogenital Health: A New Paradigm for Male Integrated Care». Neste evento, promo-vido pela Sanofi-Synthelabo, participou um vasto painel de especialistas a nível mundial da área da Urologia, debatendo a problemática da hipertrofia benigna da próstata (HBP), nomeadamente através do tratamento dos seus sintomas e da progressão da doença.
A publicação de vários ensaios clínicos, dos quais se destaca o Medical Therapy of Prostatic Symptoms (MTOPS), relançou o debate mundial sobre as novas perspectivas de tratamento da HBP, mas impôs dificuldades na escolha da correcta terapêutica para um dado doente.
A doença vista pelo próprio doente também se tornou num factor decisivo no tratamento da HBP, na medida em que os benefícios de cada opção terapêutica têm que ser contra-balançados com os seus riscos e com as expectativas pessoais de cada doente.
A sexualidade entre os que sofrem de HBP pode ser afectada e mesmo entre idosos é um importante factor relacionado com a qualidade de vida. Estudos recentes indicam que existe uma relação entre os sintomas do tracto urinário inferior e a HBP com a disfunção sexual. Relacionado com esta temática foram apresentados novos dados sobre o medicamento alfuzosina,- bloqueante urosselectivo que apresenta uma menor incidência de efeitos adversos.
Nas suas apresentações o Prof. François Desgrandchamps e o Dr. Mark Emberton focaram a importância do estudo MTOPS (Medical Therapy of Prostatic Symptoms) no novo delineamento da estratégia te-rapêutica para a HBP.
«Os resultados deste estudo vêm contradizer o que até então se aceitava. Com um seguimento de seis anos foi utilizada a doxazosina, um bloqueador 1, e o finasteride, pertencente à classe dos inibidores da 5-reductase, em combinação e em monoterapia.
Por seu turno, o Prof. Raymond Rosen, director da Sexual Medicina Program of UMDNJ-Robert Wood Johnson Medical School, nos EUA, colocou a tónica na importância de considerar os problemas sexuais que podem surgir, decorrentes da HBP.
«Com a identificação da associação existente entre os sintomas do tracto urinário inferior e disfunção sexual, e dado o aumento de incidência de ambos com a idade, é perceptível que a terapêutica da HBP deve ter em conta o incómodo e o stress que estes factores podem desencadear no homem, mesmo que seja idoso. A sexualidade é um importante componente da qualidade de vida e esta pode ser afectada de diferentes formas, de doente para doente, mesmo para igual severidade de HBP», frisou o especialista norte-americano.
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