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Aprender a comer para ficar com as medidas certas

Se perder uns quilos a mais não lhe sai da cabeça, faça as pazes com a balança sem que lhe pese na consciência. Saber gerir o peso sente-se por dentro e isso vê-se por fora.

Com a chegada do Verão, perder a incómoda “barriga” é, para grande parte dos mortais, quase uma obsessão. Mas, porque o corpo precisa de cuidados diários, a Clínica Metabólica, em Oeiras, preocupa-se em ensinar a gerir o peso todo o ano.

Composto por uma equipa multidisciplinar, o programa de gestão equilibrada do peso ajuda a comer com consciência. Para perder peso não é preciso fazer dietas loucas. Basta que siga à risca os conselhos dos especialistas, para voltar a sentir-se bem no corpo de antigamente.

O programa, com uma duração de seis meses a um ano, “preconiza uma perda de peso lenta”. Segundo as palavras da fisiologista Teresa Branco e autora do livro “Estratégias para gerir o seu peso”, da editora Caleidoscópio, mediante a alteração do estilo de vida, as pessoas submetidas a este programa acabam por, gradualmente, ter um peso mais saudável. “A ideia”, salienta, “não é perder peso rapidamente”. Partindo de pequenas modificações no dia-a-dia, “é possível reduzir um quilos a mais”, sem perder de vista que esta gestão do peso tem repercussões na saúde e na auto-estima.

“Não existe recurso a medicamentos. Aqui, a própria pessoa é o motor da mudança, com a ajuda articulada de todos os especialistas”, acrescenta. Com um acompanhamento regular, o programa de gestão de peso “funciona como um coaching do estilo de vida”.

O papel da fisiologista, nesta equipa, “é perceber quais os indicadores de ordem biológica que ajudam ou inibem a perda de peso”. Delineada uma acção, é indicado o peso que se deve perder, conforme a composição corporal, a idade e o tipo de vida.

Porque “nem todos têm o mesmo peso, o programa é definido caso a caso, de acordo com o objectivo”. Atendendo à composição corporal e à actividade física que se coloca em marcha, “calcula-se o dispêndio calórico, de modo a atingir determinadas metas”.

 

Sem dietas iô-iô

“Este programa caracteriza-se por ser estruturante”, afirma a fisiologista, acrescentando que “a perda rápida de peso proporciona um desequilíbrio ao organismo”. É, então por isso, que Teresa Branco desaconselha a adopção de uma dieta iô-iô, baseada em critérios nutricionais não sustentáveis. “Quando se volta a comer como antes, torna-se a ganhar peso.”

Este programa de gestão de peso tenta “treinar” estilos de vida, para um comportamento mais saudável. “Não incentivamos ninguém a passar fome. Tentamos, por outro lado, reduzir o aporte calórico e indicar alimentos que saciam o apetite.”

E porquê o termo “gestão”? “É como gerir a conta bancária”, responde. Tem de haver uma rotina de hábitos que são implementados frequentemente. Mas isso, não significa, porém, que “as pessoas se tornem reféns de elas próprias”. De acordo com Teresa Branco, a filosofia de base deste programa “é ajudar a fazer escolhas saudáveis, em qualquer situação do dia-a-dia, sem aprisionar”.

No programa de gestão de peso, não há alimentos proibidos. O segredo está “em comer na dose certa”. A fisiologista indica que esta abordagem alimentar contempla todos os alimentos sem excepção. Adverte, no entanto, para o risco de alguns alimentos menos saudáveis, que devem ser ingeridos “pontualmente”.

“Não condenamos o prazer de comer, nem queremos que as pessoas que nos procuram se sintam escravas de uma determinada imagem corporal”. A Biologia e a Fisiologia ajudam a provar que é possível perder peso sem sacrifícios, nem limitações. O segredo está na disciplina e no método.

“Não se pode querer atingir o peso ideal a todo o custo. O importante é que as pessoas se sintam bem com um peso sustentável, enquadrado na sua composição corporal. Ter uns quilos a mais não é sinónimo de gordura. Se o corpo estiver tonificado, estes quilos até podem ser um sinal de beleza”, defende Teresa Branco.

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A psicologia do peso

Já dizia uma frase de um conhecido anúncio televisivo que “se não gostarmos de nós, quem gostará?”. Estas palavras são subscritas na totalidade por Teresa Branco. Para a fisiologista, “perder peso não implica gostar mais do corpo em que se vive”. É uma questão psicológica que só é ultrapassada “quando se convive pacificamente com a imagem corporal”.

Mesmo com ajuda especializada, a fisiologista indica que “a implementação deste programa de gestão de peso” pode melhorar a auto-estima. “Quem consegue mudar o estilo de vida, com recurso a si próprio, mesmo que não corresponda aos padrões vulgares de beleza, deve ficar satisfeito com os resultados”.

Mas para que o peso corporal não pese na consciência, é preciso “gastar energia”. “Há uma regra universal para perder peso: deve haver um balanço entre as quantidades de alimentos ingeridos e o consumo energético.” Este dispêndio deve ser complementado com actividade física e não com “dietas de emagrecimento acelerado”.

A perda radical de peso comporta alguns problemas: não só um consumo muito inferior ao gasto energético, como uma ingestão deficitária de vitaminas e nutrientes, essenciais para que o organismo funcione. “Esta é a explicação para que estas pessoas fiquem com um aspecto muito mais envelhecido. As dietas rápidas traduzem-se numa diminuição de água e do músculo.”

Alerta a fisiologista que a gordura corporal tem funções importante na manutenção do equilíbrio do organismo. “Quando se perde, repentinamente, uma enorme quantidade de massa gorda, o organismo vai-se ressentir com esta perda. O corpo, de um momento para o outro, deixa de ter essa percentagem de gordura o que, em certos casos, pode mesmo desregular o sistema hormonal.”

 

Gerir o peso ou o tempo?

Nos dias que correm, raro é encontrar alguém que não se queixe de falta de tempo. Pressa para comer, pressa para trabalhar. É um movimento de fast-living, que se traduz numa alimentação rápida, calórica e desequilibrada, agravada pelo sedentarismo. Na opinião de Teresa Branco, um estilo de vida desajustado está, muitas vezes, relacionado com falhas de “gestão da agenda pessoal”.

Segundo a fisiologista, a solução para contornar este problema passa pela “focalização em actividades que possam trazer um retorno: praticar exercício e fazer uma pausa para ingerir alimentos mais saudáveis para o organismo”.

De acordo com a sua experiência, Teresa Branco observa que tomar todos os dias o pequeno-almoço e fazer refeições intermédias é essencial para manter o peso desejado, sem deixar de comer.

Aliás, uma das tarefas mais complicadas é mesmo essa: manutenção do peso. A par das seis refeições diárias, é aconselhável a prática de exercício regular. Está provado de que a ingestão de alimentos de três em três horas influi na gestão do peso e, inclusive, na saúde metabólica. “É, por essa razão, que os programas são longos: não se pretende apenas ensinar a perder peso, é preciso treinar para que as pessoas mantenham hábitos de vida saudáveis no tempo.”

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