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Alergias à mesa

A alergia alimentar pode ser definida como uma hipersensibilidade alimentar, em que ocorre uma resposta imunológica anormal a um alimento. Globalmente, a prevalência da alergia alimentar referida ou percepcionada pode variar entre 3 e 35%, enquanto a prevalência da alergia alimentar diagnosticada parece ser francamente inferior (1 a 4%).

Estudos realizados permitem afirmar que as alergias alimentares são mais frequentes na infância e tendem a diminuir com o avançar da idade, embora algumas persistam toda a vida. Na infância, as principais alergias são ao leite, ovo, cereais e peixe; na adolescência e nos adultos, ao marisco, legumes, frutos frescos e oleaginosas.

Os alergénios alimentares podem ser de origem animal (leite de vaca, ovo, peixe, marisco, carne – este último o mais raro) ou vegetal (cereais, oleaginosas, sementes, legumes, frutos frescos). Há um grupo representativo das alergias mais comuns: o leite de vaca (de longe a alergia mais vulgar, sobretudo entre as crianças), o ovo e o trigo.

O tratamento actual consiste, principalmente, na exclusão dos alergénios alimentares diagnosticados e na educação do doente e da família, o que requer uma abordagem profissional multidisciplinar. Como tal, aposta-se numa intervenção que vise a adequação nutricional da alimentação diária, com a selecção de alternativas alimentares equivalentes, assegurando-se as necessidades nutricionais individuais e o apropriado crescimento e desenvolvimento da criança até à idade adulta.

A educação do doente passa pela prevenção de uma ingestão acidental: reconhecimento dos alimentos envolvidos e dos alimentos da mesma família com possibilidade de reactividade cruzada; identificação dos alergénios escondidos sob a forma de ingredientes em alimentos processados e preparações culinárias; interpretação da rotulagem dos produtos alimentares; alerta para a contaminação cruzada durante o processamento alimentar; e medidas preventivas para as refeições feitas fora do lar, nomeadamente na escola, local de trabalho e restaurantes.

 

Estratégias para evitar reacções alérgicas

As pessoas com uma alergia alimentar, ou os familiares no caso das crianças, devem ter a preocupação de ler com muita atenção os rótulos dos alimentos. Se, por exemplo, na rotulagem constarem frases do tipo “pode conter vestígios de amendoim” ou “pode conter vestígios de leite e de frutos secos de casca rija” é quanto basta para não se consumir os produtos em causa.

As compras alimentares devem ser seguras do ponto de vista de uma possível reacção alérgica. As bebidas alcoólicas estão incluídas. Por exemplo, a ingestão de licores, contendo leite, pode ser fatal para um alérgico àquele alimento. O mesmo se passa como o chocolate e outros doces, que não devem conter leite ou manteiga na sua composição.

As receitas devem ser confeccionadas com ingredientes frescos (fruta, legumes, verduras e outros) em detrimento dos industrialmente processados, mais sujeitos à presença de ingredientes ocultos. Na confecção das refeições devem utilizar-se tachos, panelas, frigideiras e restantes utensílios bem lavados. Exemplos: um recipiente onde antes se preparou uma massa de trigo não deve ser usado para amassar uma de milho, sem lavagem prévia. Os restos de trigo podem causar reacção a um doente com alergia a este cereal.

Uma faca, que antes se utilizou para cortar queijo, não pode ser usada na preparação de uma refeição para alguém com alergia ao leite. O azeite o os óleos de frituras merecem o mesmo tipo de atenção: onde antes se fritou um alimento com trigo não se deve fazer uma fritura para um doente com alergia a este ingrediente.

Jornal do Centro de Saúde

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