A comodidade da toma dos medicamentos, assim como a tolerabilidade dos mesmos, são factores determinantes para uma adesão eficaz à terapêutica anti-hipertensiva.
A adesão ao tratamento e, particularmente, à terapêutica anti-hipertensiva é um assunto que tem vindo a preocupar a comunidade médica a nível mundial, devido à constatação do baixo controlo da pressão arterial; com efeito, sabe-se que a adesão à terapêutica diminui com o tempo, atingindo-se valores de menos de 40% de doentes a fazer tratamento ao fim de 5 anos.
Acredita-se não ser a realidade portuguesa diferente, apesar de não existirem dados concretos, devido ao facto de se saber desde o ano passado, na sequência de um estudo realizado em Portugal, ser de somente 11% o número de doentes hipertensos portugueses conhecidos com a sua pressão arterial controlada.
Mas o que leva à falta de adesão? Há a considerar razões associadas à doença em si e outras relacionadas com o tratamento. Em relação às primeiras, é importante destacar o facto de a hipertensão ser considerada uma «assassina silenciosa», visto só em situações mais avançadas e graves dar sintomas, não «facilitando» assim uma adesão do doente a um tratamento não «sentido» como necessário.
Em relação às razões associadas ao tratamento em si, é importante ter em conta a comodidade da toma dos medicamentos, assim como a tolerabilidade dos mesmos; num tratamento a longo prazo, muitas vezes para o resto da vida, a comodidade e a tolerabilidade melhoram, aumentando a adesão ao tratamento.
É hoje consensualmente aceite que um anti-hipertensor só é eficaz se for tomado regularmente devendo, no entanto, ser bem tolerado para que tal suceda.
O reconhecimento deste facto subentende uma outra realidade incontornável: a dos efeitos adversos dos medicamentos.
Com efeito, esta realidade encontra-se espelhada não só nas taxas de abandono ao tratamento verificadas em algumas classes terapêuticas de anti-hipertensores como também, e suportado por vários estudos internacionais, pelo aumento da incidência descrita de efeitos adversos associados a alguns medicamentos (a tosse, as cefaleias, os edemas maleolares, só para mencionar alguns), com os consequentes abandonos.
Pode-se assim concluir pela importância da prescrição de um medicamento que seja bem-tolerado, com vista a aumentar-se a adesão do doente ao tratamento, com a consequente melhoria no controlo dos valores da pressão arterial.
Para vencer os obstáculos que se colocam ao uso continuado das terapêuticas nesta área, é preciso avançar em duas vertentes: a primeira, através da sensibilização e educação dos doentes no que à importância de um controlo eficaz e mantido dos valores da pressão arterial diz respeito para uma prevenção do AVC (vulgo trombose) e da doença coronária isquémica (vulgo enfarte); a segunda, pela selecção de um tratamento que, tendo uma eficácia mantida ao longo do tempo, apresente igualmente uma posologia cómoda e seja bem tolerado, não levando o doente a abandonar a medicação.
Dr. Acílio Gala
Clínico-geral
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