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A fragilidade dos ossos

As mulheres pós-menopáusicas são as principais vítimas da osteoporose, uma doença silenciosa que vai enfraquecendo os ossos e aumentando o risco de fracturas. Conheça mais sobre este problema e veja as soluções que estão ao seu alcance.

De aparência rígida e resistente, o osso encontra-se em constante processo de formação e absorção, sendo diferente em cada fase da vida. Isto significa que, no início, na nossa fase de crescimento, a formação é superior à reabsorção. Deste modo, verifica-se um aumento no tamanho e na resistência do osso.

Porém, o inverso ocorre durante o envelhecimento, onde a reabsorção óssea é superior à formação. Este processo, com o decorrer dos anos, pode contribuir para o aparecimento de diversos problemas ósseos. A osteoporose é um desses problemas e o mais importante, sendo reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como uma questão de Saúde Pública.

A osteoporose é muitas vezes identificada como a doença silenciosa que ataca os ossos. Inicialmente, a perda do osso dá-se de forma gradual e sem sintomas e é só numa fase mais avançada que podem surgir alguns sinais, como a perda de altura, o aparecimento de corcunda e, por vezes, dores intensas nas vértebras.

De acordo com o reumatologista Dr. Melo Gomes, «a osteoporose é uma situação clínica em que existe uma redução da resistência óssea, a qual pode levar a fractura com traumatismos mínimos, ou mesmo apenas pelo efeito da gravidade, como pode acontecer nas fracturas vertebrais. O tecido ósseo dos doentes com osteoporose é normal em qualidade, mas em quantidade (em densidade de tecido ossificado) reduzida».

O aumento da fragilidade óssea, com alterações na sua microarquitectura e na sua resistência pode conduzir a graves complicações, como as fracturas, que podem inclusive pôr em risco a vida da pessoa.

Dados da Associação Portuguesa de Osteoporose revelam que 10 a 20% das mulheres que fazem fractura da anca morrem passado um ano. Por outro lado, 50% dos idosos que sofrem este tipo de fractura osteoporótica, nada rara, ficam incapazes de andar sem ajuda e ficam dependentes de terceiros necessitando de cuidados continuados. Relembre-se igualmente que as fracturas osteoporóticas têm uma grande representatividade nos Serviços de Ortopedia dos hospitais.

A diminuição dos estrogénios

As vítimas das fracturas são principalmente mulheres e são também elas que constituem a população mais atingida pela osteoporose.

«A osteoporose atinge cerca de 30% das mulheres pós-menopáusicas e cerca de 50% das mulheres de idade superior ou igual a 65 anos. O grupo alvo do tratamento da osteoporose é constituído pelas mulheres de idade superior a 65 anos, sendo que, ao nível da prevenção e como regra geral, devemo-nos referir às mulheres pós-menopáusicas», salienta Melo Gomes.

Porquê as mulheres? Para se compreender esta incidência da patologia no sexo feminino é necessário compreender as causas. Se é verdade que as causas da osteoporose são múltiplas também é verdade que, «no caso concreto da osteoporose pós-menopáusica, a causa é a deficiência da hormona sexual feminina – os estrogénios – que se instala após a menopausa».

De facto, esta etapa fisiológica, que se caracteriza por uma diminuição dos níveis de hormonas femininas, os estrogénios, constitui um factor de risco potencial para futuras doenças, nomeadamente a osteoporose. Antes da menopausa, com a produção de estrogénios e progesterona por parte dos ovários, é como se a mulher tivesse uma protecção óssea.

Neste sentido, as mulheres pós-menopáusicas são um importante alvo de prevenção e tratamento. É nelas que se deve avaliar correctamente os factores de risco através da história clínica e estudar a sua massa óssea, analisando também a possibilidade vir a ter uma fractura.

Os hábitos alimentares, se é fumadora ou não, se tem antecedentes familiares com osteoporose e se já teve alguma fractura espontânea são dados a ter em consideração na avaliação do risco de osteoporose da mulher. Curiosamente, um dos grupos de risco são as mulheres louras, baixas e magras, consideradas pelos especialistas como as grandes «perdedoras de osso».

Tratamento com bifosfonatos

Para as mulheres pós-menopáusicas ou em caso de osteoporose estabelecida e diagnosticada, já existem, hoje em dia, terapêuticas eficazes para que ajudam a combater o processo de redução da massa óssea.

Segundo o reumatologista, «o tratamento mais eficaz passa pela utilização de vários medicamentos, nomeadamente bifosfonatos, análogos selectivos dos receptores de estrogénios, terapêutica hormonal de substituição, teriparatida e ranelato de estrôncio, não estando estes dois últimos ainda comparticipados no nosso País», refere, acrescentando:

«Dentro dos medicamentos disponíveis e comparticipados, os bifosfonatos são os mais eficazes e, atendendo a várias metanálises efectuadas, dentre estes o alendronato é, dos actualmente comercializados, aquele que tem maior eficácia na prevenção de fracturas, não só em doentes com osteoporose estabelecida que tiveram já uma primeira fractura osteoporótica, mas também em doentes pós-menopáusicas de idade superior a 60 anos, que não tiveram ainda a primeira fractura osteoporótica, e tanto ao nível das vértebras como do colo do fémur.»

O papel dos bifosfonatos é muito importante na medida em que interage com os osteoclastos – células responsáveis pela destruição do osso – e provoca uma aceleração na morte destas células. Ao haver uma morte precoce dos osteoclastos, o osso é menos destruído o que possibilita que haja mais osso formado e consequentemente um aumento da massa óssea. Relativamente ao alendronato, está comprovado que o mesmo reduz a incidência de fracturas vertebrais e do colo do fémur, sendo mais eficaz do que a Terapêutica Hormonal de Substituição (THS).

Outra vantagem deste medicamento relaciona-se com a posologia. A administração deste bifosfonato em toma única da dose semanal, para além de apresentar a mesma eficácia e segurança, permite uma melhor adesão ao tratamento.

A prevenção começa cedo

Se é importante falarmos de tratamento na osteoporose, também é significativo falar de prevenção. Melo Gomes recomenda que «as medidas preventivas devem começar na infância, continuar durante a idade adulta e manterem-se durante toda a vida dos indivíduos».

Interrogado sobre essas medidas preventivas, o especialista explica que «tais passam sobretudo pela prática regular de exercício físico aeróbico com carga, pelos hábitos alimentares e tipo de vida que sejam agravantes do risco de se sofrer de osteoporose. Entre estes saliento o tabagismo, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e de café, bem como o sedentarismo, entre outros».

Ter, portanto, uma alimentação saudável, praticar exercício físico e, no fundo, ter hábitos de vida saudáveis são os pilares para a formação de um bom património ósseo.

A este conjunto podemos também acrescentar o recurso a suplementos de vitamina D, uma vitamina lipossolúvel vital para a absorção do cálcio e para a formação de ossos fortes, saudáveis e mais resistentes a fracturas, sendo um componente essencial do tratamento da osteoporose.

Estudos evidenciam que mulheres com osteoporose pós-menopáusica que tenham níveis adequados de vitamina D absorvem mais 65% do cálcio que ingerem.

Outros estudos epidemiológicos (realizados em vários países do Mundo e em várias latitudes e zonas distintas de exposição solar) revelam que muitas mulheres do grupo etário em que é mais rentável tratar a osteoporose (idade superior a 60 anos) têm também alguma deficiência de Vitamina D.

«Esta deficiência de Vitamina D, que habitualmente não é detectável com facilidade, leva a uma redução da absorção intestinal de cálcio e a um aumento de secreção da hormona paratiroideia, factores que podem contribuir para o agravamento da osteoporose e dificultam o seu tratamento adequado», explica Melo Gomes, acrescentando:

«Quando os níveis séricos de vitamina D são mais baixos resulta uma situação clínica denominada osteomalacia (o que significa etimologicamente “ossos moles”). Nestes casos o tecido ósseo forma-se mas não é mineralizado, ficando os ossos muito mais frágeis. Se algum grau de osteomalacia se associar à osteoporose (situação em que a quantidade de osso está diminuída, mas a qualidade é normal) resultará um osso bastante mais frágil e com maior risco de fractura, pois será quantitativa e qualitativamente deficiente – esta situação denomina-se por “osteoporomalacia”.»

Contudo, na maioria dos casos, «não se chega a tanto, existindo apenas uma deficiente absorção do cálcio alimentar e discretos aumentos da hormona paratiroideia, que contribuem para o agravamento da osteoporose e podem ser prevenidos pela utilização de suplementos de vitamina D, como vem a ser feito pela maior parte dos reumatologistas portugueses há muitos anos», conclui o reumatologista, Melo Gomes.

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