A diabetes tipo 2 está em larga expansão em todo mundo e naturalmente não somos uma excepção. Dos cerca de 670.000 diabéticos existentes em Portugal no ano 2007 iremos provavelmente ter no ano 2025 perto de 1.000.000. Este aumento, realizado à custa da diabetes tipo 2, é um problema de saúde pública alarmante em termos humanos, sociais e económicos.
Nenhum país ou população está imune a esta epidemia, intimamente relacionada coma mudança rápida dos nossos hábitos alimentares, que passaram em menos de 50 anos de uma alimentação tradicional e uma vida fisicamente activa para um sedentarismo crescente e uma alimentação rica em gorduras e açúcares de absorção rápida.
Na base deste grave problema estão conhecidos factores de risco cada vez mais comuns na nossa sociedade – alimentação rica em gorduras e açucarados, excesso de peso (cerca de 80% dos diabéticos tipo 2 têm excesso de peso ou são obesos) e sedentarismo.
A obesidade deve ser encarada como uma doença tanto pelos doentes como pelos técnicos de saúde. Os riscos elevados de cancro, doenças cardiovasculares, osteoarticulares e diabetes estão aumentados de 2 a 10 vezes comparados com os não obesos.
Também para aquele crescimento contribui, o aumento de número de diabéticos com a idade e, como facilmente constatamos, a nossa população está a envelhecer, resultado de uma diminuição da natalidade nas últimas décadas e de um aumento da esperança de vida das pessoas. Assim, verificamos que, no grupo etário acima dos sessenta anos, cerca de 18% das pessoas são diabéticas.
As duas formas de actuar capazes de alterar este cenário, uma alimentação correcta e um exercício físico regular, não têm provavelmente chegado aos seus destinatários ou pelo menos da forma mais conveniente, pois não tem sido visível qualquer alteração do cenário, antes pelo contrário.
A diabetes, e estamos referindo a diabetes tipo 2, tem progredido à mesma velocidade com que as populações têm adoptado uma alimentação feita à base de gorduras animais e produtos açucaradas mais ou menos coloridos. É bom exemplo o que se passa na China com a expansão em paralelo da diabetes e das casas de fast-food. Um ponto de reunião das famílias tradicionais do campo que visitam Pekin passou a ser os restaurantes de fast food de nome internacional.
Outro aspecto que está a mudar na diabetes do tipo 2 é o da idade do seu aparecimento. Até há pouco anos atrás não era frequente o seu aparecimento antes dos 35 anos. Hoje já encontramos em idades jovens, inclusive adolescentes associada, naturalmente, ao excesso de peso crescente nestas populações.
Estão bem definidas as pessoas de maior risco – todos os que têm familiares com diabetes, os obesos, os que tiveram filhos ao nascer com mais de 4 quilos, os hipertensos, os que têm infecções de repetição, entre outros.
As recomendações são simples e fáceis de aplicar.
Faça exercício físico todos os dias pelo menos 45 minutos seguidos e idealmente 45 minutos duas vezes por dia. Faça ginástica de manutenção, ande a pé, bicicleta, faça natação etc. e arraste consigo toda a família.
Coma bem, fazendo uma alimentação fraccionada, ingerindo diariamente muitos legumes e hortaliças, reduzindo o sal e as gorduras, evitando as frituras, enchidos, salgados, bolos. Regresse às leguminosas secas tão do agrado dos nossos avós (as ervilhas, o feijão, o grão e as favas).
Faça rastreio em especial se tem mais de 45 anos ou se encontra dentro da população de risco.
Lembre-se que cerca de metade dos diabéticos não estão diagnosticados e a doença está a evoluir sem controlo e ainda que a diabetes do tipo 2 não dá frequentemente ou dá poucos sintomas antes de serem detectadas já complicações.
Devemos ter em mente que é possível mudar a história natural da diabetes prevenindo o seu aparecimento através da prática de estilos de vida saudáveis ou diagnosticando precocemente permitindo intervir compensando-a e interrompendo ou atrasando a sua evolução para as chamadas complicações tardias.
Dr. Luís Gardete Correia,
Endocrinologista
Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
Nenhum país ou população está imune a esta epidemia, intimamente relacionada coma mudança rápida dos nossos hábitos alimentares, que passaram em menos de 50 anos de uma alimentação tradicional e uma vida fisicamente activa para um sedentarismo crescente e uma alimentação rica em gorduras e açúcares de absorção rápida.
Na base deste grave problema estão conhecidos factores de risco cada vez mais comuns na nossa sociedade – alimentação rica em gorduras e açucarados, excesso de peso (cerca de 80% dos diabéticos tipo 2 têm excesso de peso ou são obesos) e sedentarismo.
A obesidade deve ser encarada como uma doença tanto pelos doentes como pelos técnicos de saúde. Os riscos elevados de cancro, doenças cardiovasculares, osteoarticulares e diabetes estão aumentados de 2 a 10 vezes comparados com os não obesos.
Também para aquele crescimento contribui, o aumento de número de diabéticos com a idade e, como facilmente constatamos, a nossa população está a envelhecer, resultado de uma diminuição da natalidade nas últimas décadas e de um aumento da esperança de vida das pessoas. Assim, verificamos que, no grupo etário acima dos sessenta anos, cerca de 18% das pessoas são diabéticas.
As duas formas de actuar capazes de alterar este cenário, uma alimentação correcta e um exercício físico regular, não têm provavelmente chegado aos seus destinatários ou pelo menos da forma mais conveniente, pois não tem sido visível qualquer alteração do cenário, antes pelo contrário.
A diabetes, e estamos referindo a diabetes tipo 2, tem progredido à mesma velocidade com que as populações têm adoptado uma alimentação feita à base de gorduras animais e produtos açucaradas mais ou menos coloridos. É bom exemplo o que se passa na China com a expansão em paralelo da diabetes e das casas de fast-food. Um ponto de reunião das famílias tradicionais do campo que visitam Pekin passou a ser os restaurantes de fast food de nome internacional.
Outro aspecto que está a mudar na diabetes do tipo 2 é o da idade do seu aparecimento. Até há pouco anos atrás não era frequente o seu aparecimento antes dos 35 anos. Hoje já encontramos em idades jovens, inclusive adolescentes associada, naturalmente, ao excesso de peso crescente nestas populações.
Estão bem definidas as pessoas de maior risco – todos os que têm familiares com diabetes, os obesos, os que tiveram filhos ao nascer com mais de 4 quilos, os hipertensos, os que têm infecções de repetição, entre outros.
As recomendações são simples e fáceis de aplicar.
Faça exercício físico todos os dias pelo menos 45 minutos seguidos e idealmente 45 minutos duas vezes por dia. Faça ginástica de manutenção, ande a pé, bicicleta, faça natação etc. e arraste consigo toda a família.
Coma bem, fazendo uma alimentação fraccionada, ingerindo diariamente muitos legumes e hortaliças, reduzindo o sal e as gorduras, evitando as frituras, enchidos, salgados, bolos. Regresse às leguminosas secas tão do agrado dos nossos avós (as ervilhas, o feijão, o grão e as favas).
Faça rastreio em especial se tem mais de 45 anos ou se encontra dentro da população de risco.
Lembre-se que cerca de metade dos diabéticos não estão diagnosticados e a doença está a evoluir sem controlo e ainda que a diabetes do tipo 2 não dá frequentemente ou dá poucos sintomas antes de serem detectadas já complicações.
Devemos ter em mente que é possível mudar a história natural da diabetes prevenindo o seu aparecimento através da prática de estilos de vida saudáveis ou diagnosticando precocemente permitindo intervir compensando-a e interrompendo ou atrasando a sua evolução para as chamadas complicações tardias.
Dr. Luís Gardete Correia,
Endocrinologista
Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal