'Ano Mundial Contra a Dor' exige um maior conhecimento sobre esta condição - Médicos de Portugal

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‘Ano Mundial Contra a Dor’ exige um maior conhecimento sobre esta condição

13 Setembro, 2007 0

Istambul, 13 de Setembro de 2006 – A dor representa um grave problema de saúde na Europa. Embora todos os tipos de dor sejam importantes, a dor crónica é uma condição médica que ainda permanece subreconhecida e subtratada [i]. Apesar da dor aguda ser muitas vezes considerada como um sintoma de uma doença ou lesão, a dor crónica e recorrente é uma situação clínica relevante, uma doença por direito próprio [ii].

Durante uma conferência de imprensa a Federação Europeia dos capítulos da IASP [European Federation of the IASP Chapters (EFIC)] com a Associação Internacional para o Estudo da Dor [(International Association for the Study of Pain (IASP)] lançaram uma nova campanha da dor.

De Setembro de 2006 a Outubro de 2007 e através de diversas iniciativas em vários países Europeus, a IASP e a EFIC querem aumentar a consciência e o conhecimento da dor em adultos de idade mais avançada. A dor crónica devido ao herpes zoster é uma das condições dolorosas mais frequentes, na qual o “Ano Mundial da Luta contra a Dor” se irá focar.

A prevenção da Zona e da nevralgia pós-herpética através da vacinação pode contribuir para a redução generalizada da dor em adultos de idade avançada, na Europa.

A dor é um problema frequente em adultos de idade avançada. Este grupo etário é mais propenso a sofrer de dor crónica do que os adultos mais jovens. A Zona (herpes zoster) é frequentemente acompanhada de dor aguda e pode evoluir para dor crónica e persistente, designada por Nevralgia Pós-Herpética (NPH). O tratamento da Zona, incluindo o controlo da dor é, na maioria das vezes, difícil e insatisfatório devido também à falta de conhecimento da doença e das suas complicações, por médicos e doentes. A maioria dos doentes não responde ao tratamento prescrito para a NPH, muitas vezes devido a um insuficiente alívio da dor ou devido a reacções adversas [iii]. A Zona e as suas intensas e debilitantes complicações podem ter um grave impacto, nem sempre valorizado, na qualidade de vida dos doentes [iii]. Este aspecto pode reflectir-se em casos de depressão (incluindo risco de suicídio) [iii], diminuição do funcionamento físico, angústia emocional e limitação no desempenho das actividades diárias [4]. Os sintomas referidos pelos doentes nem sempre são reconhecidos pelos clínicos gerais o que dificulta o diagnóstico precoce [i].

O risco de ter Zona e a gravidade da doença aumentam com a idade, devido ao declínio natural da imunidade específica ao herpes zoster, que ocorre com o envelhecimento. Espera-se que a incidência da doença aumente, igualmente, com o envelhecimento da população. Na União Europeia, estima-se que aproximadamente 1.8 milhões de pessoas [iv, v, vi, vii] venha a ter Zona cada ano, dos quais cerca de 12.000 casos necessitam, anualmente, de hospitalização, i.e 33 casos por dia. Embora a maioria das pessoas não se sinta em risco de ter Zona, estima-se que uma em cada quatro pessoas venha a sofrer desta doença em alguma altura da sua vida [5, iv, v, vi].

A Zona e a NPH podem provocar dor grave

A Zona resulta da reactivação do vírus da varicela (vírus varicela zoster, VVZ) que fica adormecido nos nervos após a infecção inicial, quase sempre durante a infância. Caracteriza-se por dor pruriginosa, vibrante ou em queimadura em resposta às lesões provocadas pelo vírus à medida que vai percorrendo o nervo. A erupção cutânea surge quando o vírus atinge a pele.

Inicialmente aparece um ponteado eritematoso confinado, na sua maioria, apenas a um dos lados do tronco ou face. À erupção cutânea segue-se a formação de pequenas vesículas com líquido no seu interior que cicatrizam ao fim de 2 a 4 semanas e que podem deixar cicatrizes ou alterações permanentes da coloração da pele [iv].

A nevralgia pós-herpética é a complicação mais frequente e dolorosa da Zona [v]. É uma dor crónica e persistente que surge após a cicatrização da erupção cutânea (entre 1 e 3 meses), e que pode durar meses ou mesmo anos [vi].

Aproximadamente um em cada cinco doentes com Zona, com mais de 50 anos de idade, desenvolve NPH [7, ii, iii, iv, 2]. Os indivíduos que já tiveram NPH, descreveram a dor como “tipo queimadura, punhalada, lancinante, perfurante e/ou penetrante” [15]. A pior forma da NPH é a alodínia, definida como dor extrema provocada por estímulos tácteis não dolorosos (como por exemplo uma peça de roupa sobre a pele ou uma brisa de vento na face)[x].

A Zona pode surgir em qualquer parte do corpo, mas cerca de metade dos casos [ii] afectam o hemi-corpo superior. A segunda área mais afectada é a craniana [ii], onde a Zona surge de um dos lados da cabeça ou do olho (zoster oftálmico), em cerca de 12% dos casos [8]. A Zona na região craniana pode impossibilitar uma pessoa de se pentear ou de usar chapéu [22]. A Zona oftálmica pode originar complicações visuais [ii]. Estas complicações podem variar entre a inflamação ocular e a perda de visão [ii].

Num ensaio de fase III de grande dimensão, que incluiu 38.546 homens e mulheres com 60 ou mais anos de idade, que receberam uma dose da vacina ou placebo, a vacina reduziu em 61%[2] a dor e desconforto, reduziu a incidência [2] de NPH em 67%[2] e reduziu a incidência de herpes zoster em 51% [2], comparativamente com o grupo placebo. Adicionalmente, a vacina contra o Herpes Zoster reduziu a incidência de Zona associada a dor [2] grave e persistente em 73% [2, ii].

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