Simpósio Cerveja e Peso Corporal: Mitos e Realidades
Não existem evidências científicas que provem que a cerveja é responsável pela famosa ‘barriguinha’, antes pelo contrário, esta bebida tem um efeito protector sobre o peso corporal, obesidade abdominal e síndrome metabólica. Estas são algumas das conclusões retiradas do Simpósio Cerveja e Peso Corporal: Mitos e Realidades, que teve lugar no dia 11 de Outubro, na Faculdade de Medicina de Lisboa.
Arne Astrup, especialista dinamarquês em nutrição e presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (IASO), expôs os mais recentes avanços, focando a sua intervenção na obesidade abdominal, o factor que mais contribui para a síndrome metabólica. Segundo explica o investigador, a prevalência da síndrome metabólica é ligeiramente inferior entre os que bebem cerveja e vinho, em comparação com os que não bebem.
Quanto aos consumidores regulares de álcool, o risco de desenvolverem síndrome metabólica vai reduzindo com o aumento do consumo de álcool, com um efeito semelhante nos homens e nas mulheres. Precisamente o contrário do mito instalado de que a cerveja é responsável pela obesidade abdominal.
De acordo com os diferentes estudos apresentados por Arne Astrup, é o não consumo de álcool que aumenta, efectivamente, o risco de se desenvolver a síndrome metabólica. No entanto, o especialista sublinha que o consumo em excesso é contraproducente. A chave está na moderação.
Outro estudo referenciado por Arne Astrup revela ainda que as bebidas alcoólicas têm um efeito benéfico no colesterol bom (HLD), nos triglicéridos, e nenhum efeito na pressão arterial, nem na glicose. Existe ainda um forte efeito relativamente à circunferência abdominal: aqueles que consomem mais bebidas têm uma circunferência da cintura mais reduzida do que aqueles que não bebem nada ou que consomem uma ou menos do que uma bebida por mês.
O investigador dinamarquês conclui que há provas concretas de que a cerveja não conduz a um aumento da obesidade abdominal ou à síndrome abdominal. Pelo contrário, há provas de que possui elementos protectores. Atesta-o também um estudo experimental feito pela sua equipa, onde compara o consumo de refrigerantes, vinho e cerveja: os resultados mostram que o consumo de cerveja leva à ingestão de menos calorias, uma vez que possui menos calorias do que o vinho e os refrigerantes.
Luís Matos, nutricionista português, apresentou um estudo transversal sobre o consumo de cerveja e o índice de massa corporal, comprovando que não existe associação entre o hábito de consumir cerveja e o risco de pré obesidade e de obesidade.
A associação dose-resposta entre o consumo de cerveja e os índices de obesidade foi positiva apenas num grupo em que se verificaram consumos excessivos de cerveja, consolidando a ideia de que o consumo moderado desta bebida pode assumir um efeito benéfico para a saúde.
O Simpósio foi promovido pelo Centro de Informação sobre a Cerveja e contou ainda com uma intervenção de José Machado Cruz, do Instituto de Bebidas e Saúde (iBeSa), que abordou o papel histórico e cultural da cerveja.
Arne Astrup, especialista dinamarquês em nutrição e presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (IASO), expôs os mais recentes avanços, focando a sua intervenção na obesidade abdominal, o factor que mais contribui para a síndrome metabólica. Segundo explica o investigador, a prevalência da síndrome metabólica é ligeiramente inferior entre os que bebem cerveja e vinho, em comparação com os que não bebem.
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