Especialistas internacionais apresentam novas orientações terapêuticas para a hepatite B
As novas orientações terapêuticas para o tratamento da hepatite B, recentemente publicadas pela European Association Studies of the Liver (EASL), foram apresentadas no Simpósio Gilead, “Getting treatment rigth from the start”, no dia 3 de Abril, às 15h, em Cascais, no âmbito da 12.ª Reunião Anual da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF).
Na reunião, moderada por Rui Tato Marinho, presidente da APEF, e Guilherme Macedo, secretário-geral da APEF, participam três dos mais destacados especialistas mundiais nesta área, Mário Rizzetto, Thomas Berg e Fabien Zoulim.
O simpósio serviu para apresentar aos médicos portugueses as orientações terapêuticas definidas pela European Association for the Study of the Liver (EASL), para o tratamento da hepatite B.
As novas recomendações europeias focam a importância do rastreio entre a população, para a detecção precoce das pessoas infectadas, de modo a permitir o encaminhamento mais rápido para centros de referência, já que o início precoce do tratamento é um factor decisivo para a sua eficácia
As recomendações referem igualmente a existência de novos fármacos, já disponíveis em Portugal para uso hospitalar, que vieram revolucionar o tratamento da hepatite B, mudando o conceito de intervenção médica, nomeadamente o problema da resistência aos medicamentos, situação que compromete a evolução da doença e futuros tratamentos.
A terapêutica inovadora para a hepatite B é baseada no uso de um novo fármaco, aprovado pelo Infarmed a 27 de Fevereiro, com AIM atribuída pela Comissão Europeia desde Abril de 2008. O medicamento antiviral está indicado como tratamento de primeira linha e como tratamento preferencial de doentes que apresentem falência a outros tratamentos prévios por resistência, uma das situações mais frequentes nesta patologia.
A avaliação do INFARMED comprovou o valor terapêutico acrescentado deste medicamento e uma relação custo-beneficio favorável, face às restantes alternativas terapêuticas, estimando uma poupança anual de 1 500 euros ano por doente em tratamento nos hospitais.
O novo medicamento para o tratamento da hepatite B crónica foi aprovado pelo Infarmed ao abrigo do DL n.º 195/2006, de 3 de Outubro, para efeitos de financiamento pelo SNS. O mesmo fármaco é utilizado em Portugal desde 2002, com indicação para o tratamento do VIH/SIDA, em todos os hospitais e serviços onde são tratadas pessoas com esta infecção.
O investigador Mario Rizetto é reconhecido como o responsável pela descoberta do vírus da hepatite Delta, em 1977, tendo sido distinguido com vários prémios internacionais pelo trabalho científico na área das doenças do fígado. Professor de Gastrenterologia na Universidade de Turim, Itália, é membro da EASL e da American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD), tendo integrado os conselhos da Organização das Nações Unidas para a área da Saúde.
Thomas Berg é professor de Hepatologia e Gastrenterologia do Hospital Universitário Charité, em Berlim, Alemanha. Enquanto investigador participou em ensaios clínicos nacionais e internacionais, que levaram à publicação de mais de 100 artigos em revistas científicas, para além de contribuições em livros de texto, sobre hepatites e hepatologia, em geral.
Fabien Zoulim é o responsável pelo Departamento de Hepatologia do Hospital Hôtel Dieu, em Lyon, França e director da Unidade 271 do INSERM (Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica) deste país, onde dirige a equipa de investigação sobre terapêutica antivírica nas hepatites víricas. É reconhecido como especialista nas áreas da terapêutica anti-VHB e desenvolvimento de resistência e editor associado do Journal of Hepatology. Recentemente recebeu o prémio William Prusoff da Sociedade Internacional de Investigação Antivírica, como reconhecimento pelo trabalho na área da biologia molecular do VHB e da terapêutica anti-VHB.

