Terapêutica hormonal de substituição » A mulher é livre de escolher entre o convencional e o alternativo - Médicos de Portugal

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Terapêutica hormonal de substituição » A mulher é livre de escolher entre o convencional e o alternativo

29 Outubro, 2007 0

Na menopausa, os ovários deixam de funcionar por esgotamento do seu capital folicular. E, para colmatar esta falha natural desta fase da vida, a terapêutica hormonal de substituição (THS) assume um papel fundamental.

Afinal, é composta pela administração de fármacos que introduzem no organismo da mulher as hormonas que os seus ovários deixaram de produzir, total ou parcialmente: estrogénios, progesterona e androgénios.

«Os fármacos usados na terapêutica hormonal de substituição são especialmente eficazes na terapêutica ou no alívio dos sintomas que a menopausa produz, como os afrontamentos ou a instabilidade emocional, e dão à mulher uma qualidade de vida que, de outra forma, não teria», comenta o Prof. Jorge Branco, director da Maternidade Dr. Alfredo da Costa e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

Contudo, na opinião do especialista, apesar de serem administrados medicamentos, a menopausa não é uma doença e não pode ser vista como tal: «É uma situação, um período, uma fase da vida em que surge uma sintomatologia típica, como consequência da situação de hipostrogenismo, que afecta o bem-estar da mulher, que causa o sofrimento e que, por isso, deve ser tratada.»

Existem várias THS, diferentes modos de administração e várias formulações, pelo que todas as terapêuticas devem ser individualizadas, após análise de cada caso clínico, sobretudo, devido à polémica causada por recentes publicações científicas.

Tratamento convencional
vs. tratamento alternativo

«A actual polémica, que surgiu na história recente da terapêutica hormonal de substituição, adveio da publicação de ensaios clínicos que alertaram para alguns factos. Uns já conhecidos, outros relativamente novos, que nos começaram a preocupar e que fizeram que víssemos a THS com outros olhos ou, pelo menos, com um maior cuidado», explica Jorge Branco.

«Se ainda há cinco anos os ginecologistas faziam as terapêuticas com um certo à-vontade (excluídas as contra-indicações), sobretudo os especialistas habituados a manejar este tipo de fármacos, hoje em dia, penso que não há nenhum ginecologista que não olhe para esta terapêutica com outras preocupações, discutindo consigo próprio e com as mulheres as suas vantagens e desvantagens», diz o especialista, salientando que as mulheres são esclarecidas para que tenham um conhecimento exacto dos benefícios da terapêutica e dos riscos que eventualmente possam ocorrer decorrentes dos efeitos secundários dessas mesmas terapêuticas.

A THS é uma terapêutica como as outras, ou seja, com os respectivos efeitos benéficos e, eventualmente, efeitos secundários (uns mais importantes e outros menos). Tal como o director da Maternidade Dr. Alfredo da Costa salientou, as mulheres são sempre esclarecidas pelos especialistas acerca dos pontos em que recai a actual problemática, originada com base em ensaios clínicos conduzidos sob o uso de fármacos com a associação estroprogestativa.

«Estes ensaios vieram demonstrar que as mulheres na pós-menopausa que faziam terapêuticas estroprostagénicas (combinadas) mais de cinco anos tinham um aumento do risco relativo para o cancro da mama, mas já tínhamos conhecimento acerca deste facto», diz Jorge Branco.

Porém, segundo o especialista, os referidos estudos alertaram os ginecologistas para outro tipo de riscos, nomeadamente o aumento de acidentes cardiovasculares no primeiro ano de toma.

«Enquanto o risco de cancro da mama depende do tempo, ou seja, quanto maior for o tempo de exposição maior é o risco relativo de cancro da mama para as mulheres que tomam esta terapêutica, já em relação ao aumento de risco cardiovascular, ocorre no primeiro ano de toma e diminui a partir do segundo ano, sendo um risco precoce e não tempodependente», esclarece o nosso entrevistado, acrescentando:

«Todas estas noções vieram provocar algumas preocupações, bem como uma forma mais cuidadosa de ver a THS convencional e, sobretudo provocou a queda da indicação desta para a prevenção do risco cardiovascular.»

As inúmeras vantagens da tibolona

Considerando que a terapêutica estroprogestagénica é a convencional, quais são as alternativas? Existem várias e também administradas consoante cada mulher.

Em muitos casos já está a ser administrado um medicamento à base de tibolona, uma substância activa que não é constituída pela associação de estrogénios com
progestagénios.

«A tibolona é uma única molécula que, quando administrada, é metabolizada em três metabolitos: dois com efeitos estrogénicos e um com efeito progestagénico e levemente androgénico. Isto significa que os resultados têm uma acção mista, mesmo não sendo uma associação estroprogestagénica», explica o Prof. Jorge Branco.

Esta acção mista tem duas grandes vantagens: provocar uma muito menor incidência de mastalgia e de não provocar o aumento da densidade mamográfica, consequência das terapêuticas mistas que, para além do mais, pode pôr em causa o rigor de diagnóstico das mamografias de rastreio. Além disso, segundo o Million Women Study, publicado em 2003, tudo leva a crer que existe uma certa protecção da tibolona em relação ao cancro da mama quando em comparação com o maior aumento de risco relativo com os estroprogestagénicos.

De acordo com Jorge Branco, «no último ensaio publicado, o risco relativo para cancro da mama nas mulheres que fazem uma terapêutica estroprogestagénica é de 2, enquanto o risco das que tomam tibolona é 1,45, portanto, é notório um significativo menor risco de cancro da mama. As mulheres que têm útero, considerando que o risco relativo nas mulheres medicadas com estroprogestagénicos é de 2, não sendo possível fazer uma terapêutica com estrogénios isolados porque aumenta o risco de cancro de endométrio, devem tomar tibolona».

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