Alergias na infância » 28% das crianças de 6 a 7 anos apresentam sintomas semelhantes aos da asma - Médicos de Portugal

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Alergias na infância » 28% das crianças de 6 a 7 anos apresentam sintomas semelhantes aos da asma

1 Outubro, 2004 0

Alergia: sensibilidade anormal do organismo perante certas substâncias. É assim que o dicionário descreve esta doença. Mas para os pais de crianças alérgicas é igual a muitas dores de cabeça. Quando o seu filho surge com vermelhidão na pele, o corpo quente e com uma vontade incontrolável de coçar, podem ser sinais de que é alérgico a alguma substância do meio exterior.

Muitas pessoas acreditam que a sociedade actual – com indústrias pesadas, número elevado de veículos e pouca vegetação – é a culpada pelo crescente número de crianças alérgicas. Mas, se a poluição pode aumentar as probabilidades das alergias, ela não é a causadora do mal.

O Dr. Libério Ribeiro, pediatra imunoalergologista, confirma que o problema das alergias não é recente:

«As alergias sempre existiram. Tem é havido um aumento da sua prevalência nas últimas duas ou três décadas. De tal forma que há países onde, no espaço de cerca de 15-20 anos, houve um triplicar das taxas de prevalência.»

A tirania da Genética
São vários os factores que, quando conjugados, desencadeiam uma alergia. No entanto, se a criança é filha de pais alérgicos, é muito provável que também o venha a ser.

«As doenças alérgicas têm uma grande parte genética. São transmitidas por algumas leis da hereditariedade. Um indivíduo pode nascer com uma predisposição para ser alérgico, o que lhe é transmitido geneticamente. Mas é necessário haver uma “agressão” do meio exterior que lhe vá fazer manifestar essa sua predisposição relativamente à doença alérgica», esclarece o especialista.

Se no caso das alergias alimentares não se pode proteger a criança, porque é o corpo que rejeita uma substância, quando falamos em alergias inalantes cabe aos pais proteger os filhos de situações de risco.

«Um factor muito importante nas doenças alérgicas, que está determinado e assente, é o fumo do tabaco. Quando a mãe fuma durante a gravidez ou quando a criança, nos primeiros anos de vida, vive num ambiente de fumo, a probabilidade de vir a desenvolver doenças alérgicas é muito maior», salienta Libério Ribeiro.

De facto, o fumo passivo é um factor de alto risco para o desenvolvimento de asma na criança, particularmente se ela já tem uma predisposição genética para isso.

Várias doenças alérgicas
Rinite, asma, dermatite atópica, alergias alimentares, medicamentosas ou a picadas de insectos. Algumas destas alergias podem ser alarmantes. Todavia, em termos de doença crónica com mais impacto e que coloca limitações na vida diária, a asma é a mais preocupante. É a alergia mais vulgar e que assusta mais os pais. Estudos recentes mostram que, no nosso País, cerca de 28% das crianças de 6 a 7 anos apresentam sintomas semelhantes aos da asma.

Mas se o seu filho tem esta doença não o coloque numa redoma de vidro!

«Por ser uma doença crónica, não quer dizer que não se consiga controlar. E podemos dizer que uma asma bem controlada pode equivaler a uma asma curada, em que se deixa de ter sintomas para a vida.

É necessário é ter sempre o controlo da situação, fazendo o seu acompanhamento», explica o especialista.

É necessário que os pais e a criança estejam atentos para detectar sintomas que anunciam uma crise de asma.

«Devem ser indicadas pelo médico as atitudes a tomar em todas as situações.

A que medicamentos se deve recorrer para tentar reverter, o mais rapidamente possível, a crise. Pois uma crise, que pode ser ligeira de início, se não controlada pode evoluir para uma crise grave e esta já pode necessitar de assistência hospitalar», alerta o pediatra.

Não é necessário uma hiperprotecção, mas apenas que sejam assegurados os cuidados com a criança. Deve perceber o que tem, conhecer as suas limitações, estar medicada e, assim, terá uma vida normal.

Ácaros são responsáveis por 85% dos problemas respiratórios
As alergias têm um «percurso» na vida dos alérgicos, já que com o crescimento da criança surgem, também, novas possibilidades de doenças.

Habitualmente, nos primeiros anos de vida, as alergias mais frequentes são as alimentares. As mais vulgares são as reacções alérgicas dos bebés às proteínas do leite de vaca, situação descoberta aquando da toma do primeiro biberão com leites adaptados. Mas também o ovo e o peixe provocam, regra geral, alergias alimentares.

A criança alérgica às proteínas do leite da vaca, que apresente sintomas como vómitos, diarreia e dores abdominais, pode ter, em simultâneo, uma manifestação cutânea denominada dermatite atópica.

Entretanto, com o crescimento da criança ganham maior relevância os alergénios inalantes. No nosso País, os principais causadores destas alergias são os ácaros, responsáveis por 85% dos problemas respiratórios na idade infantil.

«Nós sabemos que uma criança que teve uma alergia alimentar tem uma maior probabilidade de vir a desenvolver, mais tarde, outras alergias», diz o alergologista. Por isso, a marcha alérgica é útil para os especialistas actuarem a priori e retardarem as manifestações das alergias.

No entanto, Libério Ribeiro avisa que uma criança alérgica não tem, necessariamente, de passar por toda esta marcha:

«Uma criança pode ser saudável e, aos 5-6 anos, a primeira manifestação ser uma asma ou uma rinite. Não é obrigatório seguir esta marcha. Mas sabemos que, em muitos casos, se manifesta e tem efeitos preditivos.»

Previna as alergias!

Durante a gravidez

A futura mãe não pode fumar durante a gravidez; A grávida deve ter uma alimentação saudável, com uma dieta variada.

Após o nascimento

O bebé deve ser amamentado com leite materno (protege das alergias alimentares, previne a dermatite atópica e pode retardar o surgimento da asma);

Os pais não podem fumar na habitação;

Diminuir o número de ácaros na habitação (arejar a casa e as roupas da cama, aspirar frequentemente o colchão da cama e o local onde a criança passa a maior parte do seu tempo);

Não adquirir animais após o nascimento da criança com risco alérgico.

Animais em casa: sim ou não?

O choro das crianças porque querem um animal em casa já é familiar para muitos pais. Num doente alérgico este pedido é de imediato ignorado. Mas será impossível uma criança alérgica ter um animal em casa?

Até há uns anos esta pergunta só teria uma resposta: sim. A criança alérgica não podia ter animais em casa. Mas algo mudou.

«Ultimamente têm aparecido uns trabalhos que demonstram o contrário, ou seja, dizem que a existência de animas domésticos em casa acaba por ser um factor protector de desenvolvimento de doença alérgica», afirma o Dr. Libério Ribeiro, prosseguindo:

«Se uma criança, quando nasce, tiver em casa cães e gatos e, de preferência, mais do que um, é muito provável que isso seja um factor de protecção ao desenvolvimento de doenças alérgicas.»

As endotoxinas libertadas pelos animais provocam uma reacção no sistema imunitário do bebé que o protege das infecções. Pelo contrário, se o organismo da criança não teve contacto com animais no primeiro ano de vida, o surgimento de um pode vir a provocar uma reacção alérgica.

A decisão dos pais não é fácil, como admite o alergologista: «Ter animais de companhia depende da altura em que são adquiridos, do número dos que se tem ou da capacidade de desenvolver alergias de cada um. É uma coisa ainda muito controversa.»

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