Higiene e uso do preservativo no combate ao cancro do pénis
A importância da higiene do pénis
De acordo com Pedro Soares, «o principal factor de risco para vir a ter cancro do pénis deriva de maus hábitos de higiene, nomeadamente, através da deposição de esmegma, ou seja, restos celulares, de esperma, de urina e de outros fluidos que tendem a acumular-se no sulco balânico, logo abaixo da glande – a extremidade do pénis».
«Este esmegma pode ser colonizado por uma bactéria, designada como Mycobacterium smegmatis, resultando na formação de agentes carcinogéneos. Os indivíduos com fimose, isto é, que não conseguem retrair o prepúcio de modo a expor totalmente a glande, correm maiores riscos porque têm mais dificuldade em realizar uma higiene completa ao seu pénis», indica o urologista.
O outro grande factor de risco é «a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), que é crucial no desenvolvimento do cancro do colo do útero na mulher e do cancro do pénis no homem. O HPV é um vírus sexualmente transmissível e, como tal, o contágio pode ser evitado através de uma conduta sexual consciente e do uso do preservativo», diz Pedro Soares.
Implicações fisiológicas e psicológicas da cirurgia
Como não podia deixar de ser, «a cirurgia tem em conta o acto fisiológico de micção. Se a intervenção cirúrgica envolver a amputação parcial do pénis, é feita uma nova abertura no coto e a micção decorre normalmente, uma vez que o indivíduo pode ainda orientar o jacto. Se houver necessidade de recorrer a uma amputação total, faz-se uma abertura escrotoperineal, na zona compreendida entre o ânus e os órgãos genitais. Nessa situação, não podendo orientar o jacto, o homem passa a ter de urinar sentado», explica o urologista.
Do ponto de vista sexual, «caso a amputação seja parcial, tudo depende do tamanho do coto. A sensibilidade mantém-se, tal como o desejo e a capacidade de manter uma erecção. No entanto, muitos homens ficam insatisfeitos com as dimensões do pénis e com a qualidade das sua relações sexuais, podendo vir a desenvolver disfunções sexuais resultantes não da incapacidade física para a prática do sexo, mas sim de perturbações psicológicas que surgem frequentemente após a cirurgia», observa Pedro Soares.
Neste campo, o urologista refere o exemplo do Brasil, onde a prevalência de cancro do pénis é bastante mais elevada do que em Portugal: «No Brasil, a assistência aos doentes com cancro do pénis é feita por uma equipa multidisciplinar, que abrange o acompanhamento psicológico do indivíduo e o seu encaminhamento para os serviços de Medicina Reconstrutiva, podendo optar por fazer uma penioplastia».

