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Higiene e uso do preservativo no combate ao cancro do pénis

23 Abril, 2007 0

A importância da higiene do pénis

De acordo com Pedro Soares, «o principal factor de risco para vir a ter cancro do pénis deriva de maus hábitos de higiene, nomeadamente, através da deposição de esmegma, ou seja, restos celulares, de esperma, de urina e de outros fluidos que tendem a acumular-se no sulco balânico, logo abaixo da glande – a extremidade do pénis».

«Este esmegma pode ser colonizado por uma bactéria, designada como Mycobacterium smegmatis, resultando na formação de agentes carcinogéneos. Os indivíduos com fimose, isto é, que não conseguem retrair o prepúcio de modo a expor totalmente a glande, correm maiores riscos porque têm mais dificuldade em realizar uma higiene completa ao seu pénis», indica o urologista.

O outro grande factor de risco é «a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), que é crucial no desenvolvimento do cancro do colo do útero na mulher e do cancro do pénis no homem. O HPV é um vírus sexualmente transmissível e, como tal, o contágio pode ser evitado através de uma conduta sexual consciente e do uso do preservativo», diz Pedro Soares.

Implicações fisiológicas e psicológicas da cirurgia

Como não podia deixar de ser, «a cirurgia tem em conta o acto fisiológico de micção. Se a intervenção cirúrgica envolver a amputação parcial do pénis, é feita uma nova abertura no coto e a micção decorre normalmente, uma vez que o indivíduo pode ainda orientar o jacto. Se houver necessidade de recorrer a uma amputação total, faz-se uma abertura escrotoperineal, na zona compreendida entre o ânus e os órgãos genitais. Nessa situação, não podendo orientar o jacto, o homem passa a ter de urinar sentado», explica o urologista.

Do ponto de vista sexual, «caso a amputação seja parcial, tudo depende do tamanho do coto. A sensibilidade mantém-se, tal como o desejo e a capacidade de manter uma erecção. No entanto, muitos homens ficam insatisfeitos com as dimensões do pénis e com a qualidade das sua relações sexuais, podendo vir a desenvolver disfunções sexuais resultantes não da incapacidade física para a prática do sexo, mas sim de perturbações psicológicas que surgem frequentemente após a cirurgia», observa Pedro Soares.

Neste campo, o urologista refere o exemplo do Brasil, onde a prevalência de cancro do pénis é bastante mais elevada do que em Portugal: «No Brasil, a assistência aos doentes com cancro do pénis é feita por uma equipa multidisciplinar, que abrange o acompanhamento psicológico do indivíduo e o seu encaminhamento para os serviços de Medicina Reconstrutiva, podendo optar por fazer uma penioplastia».

Em Portugal não existem dados epidemiológicos sobre a incidência do cancro do pénis, mas o Dr. Pedro Soares, urologista do Hospital de Garcia de Orta e membro da Associação Europeia de Urologia, garante que entre nós, tal como nos restantes países europeus, «ocorre episodicamente».

É entre os 60 e os 80 anos de idade que se verifica a maior parte dos casos de cancro do pénis. A lesão provocada pelo tumor pode adquirir variadíssimas formas, dependendo do estádio em que o doente se encontra e da maior ou menor profundidade da invasão carcinogénea.

Apesar de ser quase sempre indolor, «a lesão é facilmente detectável à vista desarmada ou através da palpação. Pode apresentar-se sob a forma de uma lesão nodular, com um inchaço por baixo da pele, mas também pode assumir o aspecto de uma lesão plana, em que a pele denota uma mancha de tonalidade avermelhada.

Na sequência de um processo infeccioso associado, o cancro do pénis pode também provocar uma ferida persistente, que não cicatriza», explica Pedro Soares, acrescentando que «o tumor pode desenvolver-se em qualquer local do pénis, mas é mais frequente na glande e no prepúcio».

Para impedir a progressão do cancro, «o diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais hipóteses o doente tem de se curar e de evitar uma intervenção radical, que pode implicar a amputação parcial ou total do pénis», alerta o urologista.

Pedro Soares confirma que «muitos doentes obtêm tardiamente o diagnóstico de cancro do pénis porque continua a existir vergonha de ir a uma consulta de Urologia.

Em caso de dúvida, o melhor é mesmo deixar a vergonha de lado e consultar imediatamente um especialista. Enquanto a lesão se mantiver a um nível superficial poderemos optar por metodologias conservadoras do órgão, o que, para além da cura, é sempre muito importante para o doente».

O método que permite obter um diagnóstico mais rigoroso é a biopsia, que consiste na extracção de uma amostra de tecido do órgão afectado para posteriormente ser analisado em laboratório, onde se determina a presença ou ausência de células cancerígenas.

«É a biopsia que nos dá o diagnóstico. Posso suspeitar que há cancro do pénis, mas porque esta patologia tem uma apresentação muito diversa, a biopsia é essencial, pois permite não só caracterizar o tipo de lesão, como também a sua profundidade, orientando assim o tratamento», afirma Pedro Soares.

Uma das opções de que o doente dispõe para evitar a cirurgia é «a radioterapia, que pode ser aplicada à lesão primitiva e não muito volumosa, em doentes jovens que rejeitem a cirurgia e ainda aos gânglios linfáticos quando estes estão fixos, uma vez que, cirurgicamente, é muito difícil extraí-los. No entanto, a radioterapia poderá acarretar outro tipo de complicações, tais como a necrose do pénis ou apertos da uretra», assinala o especialista.

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