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Renovação acelerada

10 Junho, 2009 0

É em ritmo acelerado que se renovam as células da pele quando se sofre de psoríase, uma doença crónica com impacto na auto-estima: é que o aspecto das lesões cutâneas faz recear o contágio. Mas sem razão.

O que está em causa é o ciclo de vida das células cutâneas. Numa pessoa saudável, é preciso cerca de um mês para que estas células ascendam da camada mais profunda da pele, onde são produzidas, para a camada mais superficial, onde acabam por morrer e descamar. Numa pessoa com psoríase, esta viagem dura apenas alguns dias, em resultado do que as células acabam por se acumular à superfície, gerando as lesões típicas da doença.

Esta aceleração deve-se à acção de um tipo específico de células brancas do sangue – os linfócitos T. Desenhados para detectar e combater substâncias estranhas, como vírus e bactérias, nas pessoas com psoríase atacam as células cutâneas, confundindo-as com agressores. O que faz desta uma doença auto-imune, ou seja, associada ao sistema imunitário, a rede de defesas do organismo.

Não se sabe o que torna os linfócitos T hiperactivos, com as investigações a tenderem para uma combinação de factores ambientais e genéticos. Aliás, uma em cada três pessoas com psoríase possui um familiar com a mesma doença, sendo que outro terço é portador dos genes sem nunca desenvolver sintomas.

O que se conhece são alguns factores que desencadeiam ou agravam uma crise de psoríase. É o caso de infecções (como uma simples constipação), lesões na pele (cortes, arranhões, picadas de insecto ou queimaduras solares), stress, temperaturas baixas e alguns medicamentos (como o lítio, usado no tratamento da doença bipolar, fármacos contra a malária ou para tratar a pressão arterial).

O consumo excessivo de álcool e o tabaco também têm influência.

 

Lesões visíveis mas não contagiantes

As células que se acumulam à superfície da pele em consequência dos estímulos dos linfócitos T acabam por dar origem às lesões típicas da psoríase: manchas vermelhas, quase sempre com relevo, cobertas de uma espécie de escamas prateadas. A pele fica de tal modo seca que se abrem gretas e podem ocorrer hemorragias.

Comichão e ardor são outrosdos sintomas. As unhas também podem ser afectadas, apresentandose estriadas e mais espessas ou, nas situações mais graves, praticamente destruídas.

As articulações também não estão a salvo da doença: cerca de dez por cento dos doentes desenvolve a chamada artrite psoriática, que se traduz por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante. E tanto podem ser afectadas as pequenas articulações (nas mãos e nos pés) como as grandes (nos membros e na coluna).

É, aliás, em zonas do corpo com articulações que a psoríase se instala preferencialmente: os cotovelos e os joelhos, ainda que também a região lombar e o couro cabeludo possam exibir lesões.

É em ciclos que a psoríase se manifesta, alternando períodos de exacerbação com períodos de remissão. Significa isto que as lesões tanto se podem agravar como quase desaparecer, com cada ciclo a durar entre semanas a meses.

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