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“Olho inflamado” na Primavera

10 Maio, 2009 0

O “olho vermelho” é uma apresentação clínica muito frequente e justifica mais de 60% das prescrições tópicas oftalmológicas. Pode observar-se na alergia ocular, nas conjuntivites infecciosas (bacterianas ou víricas), com secreções sero-mucosas e crostas matinais, no olho seco (ardência com sensação de “areia” e pouca lágrima), nas querato-uveítes (visão turva e dor) ou no glaucoma agudo. O tratamento é diferente em cada um dos casos pelo que o diagnóstico diferencial é fundamental.

A conjuntivite alérgica é a forma mais comum de alergia ocular, afectando cerca de 20% da população e, muitas vezes, acompanha-se de sintomas nasais de rinite. Manifesta-se por “olho vermelho” e consiste numa doença inflamatória da superfície ocular externa, frequentemente recorrente, com sinais e sintomas agudos, bilaterais, de prurido (comichão), por vezes sensação de ardência (queimor), lacrimejo, fotofobia (sensibilidade à luz), hiperemia (olho vermelho) e quemose (edema da conjuntiva de aspecto gelatinoso).

 

Sintomas, sinais e tratamento do olho vermelho

Há várias formas de alergia ocular:

1) conjuntivite alérgica: é a mais comum e manifesta-se em 70% dos doentes com rinite alérgica. Pode ser sazonal (Primavera), provocada por pólenes (gramíneas, oliveira,…), ou perene, por ácaros do pó da casa e epitélios de animais domésticos (por ex. gato), com agravamento à noite e ao levantar;

2) queratoconjuntivite vernal, rara e grave que afecta crianças e adolescentes, com prurido intenso, extrema fotofobia e visão enevoada por inflamação da córnea (queratite);

3) queratoconjuntivite atópica, manifesta-se mais no adulto por pálpebras inflamadas e crostas (blefarite), de tratamento difícil, associada a catarata e queratocone (córnea em forma de cone). É a alergia com maior risco de cegueira;

4) conjuntivite gigantopapilar devido à aderência de alergénios e limpeza deficiente da superfície das lentes de contacto moles (hidrófilas) ou por reacção alérgica aos conservantes das soluções de limpeza das lentes;

5) blefaroconjuntivite de contacto/tóxica associada à toxicidade ou sensibilização induzidas por cosméticos e constituintes farmacológicos presentes em colírios e pomadas oftálmicos, se usados repetidamente.

 

Causas e tratamento

Com a exposição ao ar condicionado, a principal queixa surge nos doentes com inflamação conjuntival prévia ou com o síndrome do olho seco. O olho seco está associado à idade, factores ambientais, doenças locais ou sistémicas e utilização de alguns fármacos.

Estudos epidemiológicos internacionais apontam para uma prevalência de 15%. O ar condicionado, tal como os ambientes secos e ventosos, apenas agravam uma condição clínica previamente existente, que pode melhorar com lubrificantes oculares (emulsões e geles) e lágrimas artificiais sem conservantes (mono-doses).

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A alergia ocular previne-se com medidas de evicção dos alergénios. Na época polínica deve-se usar óculos escuros (100% filtração ultravioleta) e evitar andar ao ar livre nas primeiras horas da manhã, altura em que há maior polinização, em dias ventosos, quentes e secos e em espaços relvados. Nas casas, é fundamental evitar a acumulação de pó e de ácaros domésticos, cujo crescimento é facilitado pelo calor e pela humidade.

O tratamento anti-alérgico com anti-histamínicos tópicos de acção rápida e dupla, com estabilização prolongada dos mastócitos conjuntivais, como azelastina, cetotifeno, epinastina e, mais recentemente, olopatadina, é eficaz no alívio imediato dos sintomas e previne a libertação de mediadores inflamatórios.

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