Distúrbios do sono: Relógio avariado
No mínimo cada um de nós devia dormir cinco horas, nunca menos, mas cada organismo tem as suas necessidades próprias de sono. Porém, é qualidade do sono, e não as horas dormidas, que determina o bem-estar dos indivíduos, o que torna preocupante o crescimento das insónias e demais perturbações do sono. Tanto mais que noites mal dormidas podem induzir descontrolos diurnos.
A insónia é de facto a campeã nesta longa lista, que partilha com a hipersónia, com a narcolepsia, coma apneia do sono, os pesadelos e os terrores nocturnos, já sem falar na famigerada roncopatia (ressonar).
Entre a hipersónia e a narcolepsia as diferenças são ténues já que ambas correspondem a quadros de sonolência diurna excessiva; no primeiro caso, a pessoa dorme durante a noite, mas o cansaço permanece, enquanto no segundo caso o que acontece é que a pessoa parece dormir de pé, adormece em qualquer local, em qualquer circunstância, numa reunião, à mesa de um almoço de trabalho, sobre o teclado do computador… o corpo relaxa respondendo a uma vontade irreprimível de dormir, podendo mesmo a pessoa cair, como se as pernas não tivessem forças para a segurar.
Bastante comum e preocupante é a apneia do sono, considerada uma causa significativa dos acidentes de viação. Às pessoas que dela sofremacontece adormecerem ao volante depois de sucessivas noites mal dormidas, noites a conta-gotas, fruto de uma respiração que pára frequentemente, diminuindo a oxigenação cerebral.
O resultado é uma sonolência excessiva no dia seguinte, sem consciência das porventura centenas de breves paragens respiratórias. Pesadelos e terrores nocturnos são muito comuns na infância. Parecem o mesmo, mas é possível distingui-los.
Geralmente associados a seres assustadores (os monstros com que os próprios adultos ameaçam os filhos), os pesadelos são de tal forma perturbadores que a criança pode nem conseguir voltar a adormecer. Geram ansiedade e reclamam a intervenção dos pais no sentido de acalmar e desmistificar os medos.
Quanto aos terrores nocturnos, estão entre os pesadelos e o sonambulismo. São episódios de medo, a criança grita e agita-se, senta-se abruptamente na cama, abre os olhos e chora, com a particularidade de poder resistir aos gestos tranquilizadores dos pais. Acontece normalmente entre dois estágios de sono, dura entre meia hora a uma hora finda a qual a criança volta a dormir.
De manhã, tal como os sonâmbulos, não tem memória do sucedido durante a noite.
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