Dossier: Doenças da Próstata
O crescimento da próstata dá-se em dois períodos da vida do homem: durante a puberdade, em que a próstata duplica o seu tamanho, e a partir dos 30 anos quando recomeça a crescer. Este segundo crescimento resulta, geralmente, na HBP, daí que a doença raramente se manifeste antes dos 40 anos.
Desenvolvimento da HBP
A próstata é envolvida por um revestimento externo, designado de cápsula prostática, que por ser pouco extensível contraria o normal crescimento da próstata. Esta começa então a comprimir a uretra dificultando a saída da urina. Consequentemente, a parede da bexiga aumenta a sua espessura pois é necessário um esforço maior para expulsar a urina, o que provoca a sua irritabilidade e sensibilidade. À medida que força muscular da bexiga diminui, ela perde também a capacidade de esvaziar-se a si própria e a urina começa a ficar parcialmente retida, a chamada retenção urinária parcial. Em situações extremas pode mesmo chegar à retenção urinária completa, não conseguindo o homem urinar.
Sintomas
Os sintomas da HBP são provocados tanto pela obstrução da uretra como pela gradual perda da função da bexiga, que resulta no seu esvaziamento incompleto.
Estes sintomas são variáveis no entanto os mais comuns são:
• micções mais frequentes, especialmente durante a noite;
• jacto urinário fraco, hesitante ou interrompido;
• sensação de urgência miccional, por vezes com pequenas perdas involuntárias de urina.
O grau de obstrução da próstata ou dos sintomas nem sempre está relacionada com o tamanho da próstata. Há casos de obstrução mínima e poucos sintomas em homens com grandes próstatas, e de elevado grau de obstrução e mais sintomas em homens com próstatas menores. Quando uma obstrução parcial está presente, a retenção urinária aguda pode ser desencadeada pela ingestão de álcool, por uma temperatura fria, por um longo período de imobilidade, por uma infecção urinária ou pela tomada de alguns medicamentos.
Com o decorrer do tempo a HBP pode causar problemas maiores. A retenção urinária parcial com resíduo miccional progressivamente crescente pode resultar em infecções urinárias, incontinência, pedras na bexiga e lesões do rim.
Diagnóstico
Nem todos os doentes passam pelos mesmos exames pois estes variam consoante os casos. No entanto, os exames mais comuns são:
• Toque rectal
Geralmente, o primeiro exame a ser realizado e dá ao médico uma ideia sobre o tamanho e a consistência da próstata. Tem uma elevada eficácia para diferenciar um crescimento prostático benigno de um maligno.
• Ecografias
A ecografia prostática é feita com uma sonda transrectal através da qual conseguem-se imagens do interior da próstata, que é impossível de estudar através do toque rectal.
• Fluxometria urinária
Análise do fluxo miccional que regista e mede as características do jacto urinário. Um fluxo reduzido sugere HBP
• Medição do resíduo urinário pós-miccional
Resíduo urinário pós-miccional é a quantidade de urina que fica na bexiga logo após a micção. A sua avaliação, geralmente através de ecografia, é extremamente importante, pois a existência de um resíduo elevado significa que existe um enfraquecimento da força de contracção da bexiga.

