Arquivo de Sénior - Página 2 de 9 - Médicos de Portugal

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A população idosa cresce de ano para ano em Portugal. Segundo as últimas estimativas 400 mil idosos vivem sozinhos e 800 mil acompanhados de outros idosos. Os seniores têm geralmente várias doenças com as quais se preocupam no seu dia-a-dia e o próprio processo de envelhecimento causa alterações na constituição do corpo, no funcionamento dos órgãos, na absorção de nutrientes e na capacidade de se alimentar, podendo dificultar o processo de confecção e ingestão dos alimentos.


Muitos deles vivem em casa sozinhos e não têm um acompanhamento persistente dos familiares, por isso desenvolvem carências nos cuidados diários e de saúde, podendo inclusivamente apresentar falta de vontade para realizar as tarefas normais e essenciais do dia-a-dia.


A verdade é que, por circunstâncias várias – viuvez ou isolamento do local de residência, entre outros -, há seniores que vivem afastados da sociedade, tendo pouco contacto com o exterior, o que leva ao desânimo e até mesmo ao desenvolvimento de estados depressivos, que dificultam a manutenção de uma alimentação equilibrada e diversificada nas suas refeições diárias.


Muitos dos idosos que vivem sozinhos não confeccionam refeições completas, limitando-se à ingestão de sopa e de peças de fruta, conduzindo a um défice nutricional diário. Há outras situações que afectam uma alimentação adequada, nomeadamente a falta de dentes. Os dentes vão-se perdendo e nem sempre são substituídos por próteses. Mesmo quando isso acontece podem existir dificuldades na mastigação e consequente ingestão dos alimentos.


Os idosos que estão em casa sozinhos ou sem uma presença, regular ou contínua, de algum familiar e/ ou cuidador, e que sofram de mobilidade reduzida, terão dificuldade em deslocar-se para adquirir os alimentos ou preparar as suas próprias refeições. Este factor pode potenciar um estado de malnutrição, que pode ser definida como o consumo insuficiente, excessivo ou desequilibrado de nutrientes.


No caso concreto dos idosos, o que se verifica com mais frequência é uma clara desigualdade entre as necessidades nutricionais e a ingestão alimentar que fazem. Pelo impacto que tem na saúde, esta é uma situação a que os familiares e outros cuidadores de pessoas idosas devem dar a máxima atenção, procurando acompanhar a alimentação que praticam e, se necessário, intervindo no sentido de promover hábitos mais saudáveis. O estado de malnutrição em que muitos idosos se encontram potencia o desenvolvimento de doenças e pode até agravá-las, pois faz com que o organismo diminua a sua capacidade de resposta, com implicações na própria independência do idoso e que muitas vezes o podem colocar em risco de vida.


A alimentação deve fornecer os diversos nutrientes, mas quando isso não acontece é possível reforçar o seu aporte com a toma de suplementos nutricionais específicos.


Porém, é fundamental aconselhar-se, nomeadamente com o seu farmacêutico, para prevenir eventuais interacções com medicamentos e outros produtos de saúde e bem-estar que tenham influência na qualidade de vida do utente.





Esta «dificuldade em engolir» referida pelo idoso é habitualmente subestimada pelos clínicos e pela população em geral e pode ser responsável por numerosos casos de malnutrição, desidratação e pneumonia de aspiração - os quais, em último caso, podem conduzir à morte.


O facto de esta patologia ser de diagnóstico difícil e multi-factorial e de poder estar mascarada por situações concomitantes de depressão, alterações cognitivas e comportamentais, pode explicar em parte o seu relativo desconhecimento.


 


Como se diagnostica?


O seu diagnóstico é relativamente raro em ambulatório. No entanto, em doentes hospitalizados - particularmente nos serviços de Neurologia e de Neurocirurgia - a percentagem de diagnósticos cifra-se entre os 12% e os 30%.


Estima-se que metade dos residentes em lares de terceira idade necessita de assistência durante a refeição, o que ilustra duma forma prática e conclusiva a importância e a dimensão deste fenómeno.


O diagnóstico é feito através do exame neurológico, da vídeo-laringoscopia (rígida e flexível), da vídeo-flúoroscopia e dos exames imagiológicos, tais como a TAC e a Ressonância Magnética Nuclear (RMN).


 


A que doenças é que a presbifagia pode estar associada?


Os casos de presbifagia secundária podem estar associados a quadros de AVC, traumatismo crânio encefálico, esclerose múltipla e lateral amiotrófica, doença de Parkinson, neuropatia alcoólica e diabética, diversas situações metabólicas (como deficiência de ferro - Plummer-Vinson -, vit.B12, ácido fólico), doenças inflamatórias, RGE, assim como a diversos tumores da região da cabeça e pescoço.


Podem também ocorrer casos de presbifagia secundária após cirurgia cervical - nomeadamente faringo-laríngea e traqueostomia - e tratamentos de radioterapia.


 


Como se trata?


O tratamento desta doença passa por um ajustamento dietético, por modificações do volume e da consistência da comida, pela adopção duma posição apropriada durante a refeição e por uma ajuda alimentar por terceiros, pelo treino da deglutição (levado a cabo por terapeutas com formação específica) e, em último caso por uma miotomia cricofaríngea.


Em casos de patologia associada deve proceder-se ao seu tratamento respectivo.


Como último recurso pode proceder-se a técnicas paliativas como a intubação naso-gástrica, a gastrostomia ou a PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea).


Nunca devemos esquecer, no entanto, a importância do suporte afectivo, familiar e psicológico (que passa por favorecer a autoconfiança e a autoestima) e pelo optimizar das condições temporo-espaciais das refeições.


 


Paulo Martins
Assistente Hospitalar Graduado de Orl no HSM
Assistente Convidado da FML/HSM
Médico Otorrinolaringologista da Clínica São João de Deus





A incontinência urinária resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina. É um problema comum mas muito constrangedor. A gravidade do problema varia bastante, desde perdas de urina ocasionais ao tossir e espirrar até uma vontade de urinar tão súbita que não permite aguentar até chegar à casa de banho mais próxima.


A incontinência urinária condiciona a vida social do indivíduo, inibindo o convívio com familiares e amigos pelo medo de que ocorra uma perda involuntária de urina e a vergonha de que os outros sintam o cheiro. A preocupação em esconder o problema evita, muitas vezes, a abordagem ao acompanhamento médico e faz com que o doente recorra à utilização de fraldas, mudas de roupa suplementares ou a um reconhecimento prévio das instalações sanitárias a que poderá recorrer quando sai do seu ambiente.


Na maioria dos casos porém, mudanças simples no estilo de vida ou tratamento médico adequado podem aliviar o desconforto ou, até mesmo, solucionar o problema.


 


Tipos de incontinência


Fala-se em incontinência como um problema único, mas a verdade é que existem diversos tipos, a saber:


• Incontinência de esforço: tipo mais prevalente em mulheres acima dos 45 anos, que decorre da fragilidade dos músculos pélvicos que suportam a bexiga e a uretra. Em circunstâncias de maior esforço como tossir, saltar, correr, espirrar ou levantar pesos, a pressão abdominal aumenta a pressão dentro da bexiga e força a urina a sair pela uretra que, por sua vez, não tem capacidade para reter a urina, deixando-a sair. Nos homens este problema pode derivar da prostatectomia radical (utilizado para tratamento do cancro da próstata), uma cirurgia que pode danificar o esfíncter, provocando uma situação de incontinência de esforço.


• Incontinência por urgência ou imperiosidade: resulta da vontade súbita e incontrolável de urinar. Este tipo de incontinência pode estar relacionado com o envelhecimento e o avanço da idade, mas também surge em idades mais jovens, associado a doenças neurológicas ou muitas vezes sem causas identificáveis. Este tipo de incontinência urinária condiciona o dia-a-dia das pessoas.


• Incontinência mista: combinação de incontinência de esforço e de urgência.


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Todos nós conhecemos ou ouvimos histórias de pessoas que chegaram à terceira idade “sãs como um pêro”.


São pessoas por quem os anos parecem não passar, muito embora apresentem na pele as rugas que denunciam a idade e nos cabelos a cor branca que não deixa dúvidas. São, no entanto, pessoas que se mantêm activas e que contrariam, de certa forma, a ideia de que com o envelhecimento os problemas de saúde se multiplicam.


Envelhecer não é, de facto, sinónimo de doença, apesar da idade aumentar a probabilidade de se ter alguma patologia. O que também aumenta é a probabilidade de os “cinco sentidos” se tornarem mais frágeis: problemas de visão e de audição, por exemplo, tornam-se mais frequentes.


 


“Os meus olhos já não são o que eram….”


Este é um comentário que se ouve com frequência entre as pessoas mais idosas, quando ler as legendas do programa preferido de televisão se torna cada vez mais difícil ou quando focar as letras de uma revista ou de um jornal obriga a aproximar as páginas aos olhos.


O que acontece é que há alterações físicas associadas ao envelhecimento que podem provocar uma perda gradual da visão. É por isso que, em geral, as pessoas mais idosas precisam de luz mais forte para ler, cozinhar, costurar ou jogar às cartas. É por isso também que têm tendência a ver televisão mais perto.


Para esta diminuição da visão podem contribuir algumas doenças, nomeadamente a diabetes e a hipertensão.


Há ainda algumas doenças dos olhos que se tornam mais comuns com a idade, como as cataratas e o glaucoma.


São, no entanto, alterações que podem ser prevenidas e algumas até curadas, pelo que é importante fazer exames oftalmológicos com regularidade:


se possível, depois dos 65 anos, fazer uma vigilância oftalmológica de dois em dois anos, para detectar e tratar a tempo alguns desses problemas.


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“A partir dos 50 anos é aconselhável a realização anual de um raio X ao tórax, uma ecografia pélvica, abdominal, renal e suprarenal, um audiograma, um eletrocardiograma e um exame de rastreio visual, além de uma bateria de análises clínicas”, explica José Ramos Osório, médico de medicina geral e familiar da clínicacuf cascais.


E acrescenta: “Uma atitude preventiva e adequada, sempre orientada pelo seu médico assistente poderá garantir lhe não só mais anos de vida mas anos de vida com qualidade. Os exames periódicos são por isso um importante auxiliar para a deteção atempada de doenças graves como os aneurismas da aorta abdominal, o cancro da próstata ou mama, a diminuição acentuada de visão ou audição e a hipertensão arterial”.


A polimedicação, o abuso de álcool, o tabagismo, os hábitos alimentares,  a vida sedentária, os acidentes de viação e as quedas, são os principais fatores de risco a partir dos 50 anos.


O programa de check-up está disponível na clínicacuf alvalade, clínicacuf cascais, clínicacuf belém, clínicacuf torres vedras e institutocuf (Porto).





A incontinência não escolhe género: acontece a mulheres e acontece a homens. E também não escolhe idade: tanto ocorre na infância como na idade adulta, como ainda na velhice.


Mas homens e mulheres correm diferentes riscos, em diferentes idades: na infância, as perdas de urina são mais comuns entre os rapazes, sobretudo a chamada enurese nocturna, pois o controlo da bexiga dá-se mais cedo nas raparigas; já na idade adulta, é mais frequente que a incontinência seja um problema feminino, devido às características do corpo da mulher na região pélvica e às alterações causadas pela gravidez e pelo parto. Isto não significa, porém, que os homens estejam a salvo…


Neles a incontinência acontece com mais frequência nos mais velhos, mas não se pode considerar que seja consequência natural do processo de envelhecimento.


Existem três tipos de incontinência, comuns a homens e mulheres. A de esforço é quando as perdas de urina resultam de gestos que, de alguma forma, exerçam pressão sobre a bexiga – pode ser levantar um objecto, espirrar, tossir ou até rir. Depois há a incontinência de urgência: sem que se saiba porquê, os músculos da bexiga apertam-na tanto que causam uma vontade urgente de urinar e quando essa vontade não é satisfeita de imediato a urina “escapa-se”.


Finalmente, considera-se a incontinência de extravasamento: resulta do facto de a bexiga estar muito cheia, nunca se esvaziando por completo e acabando por se ir libertando urina devido à pressão que o excesso de urina na bexiga provoca – normalmente ocorre quando a bexiga está dilatada e insensível devido a uma retenção crónica de urina. Entre as causas encontram-se a fraqueza dos músculos ou um bloqueio da uretra, o canal que conduz a urina da bexiga até ao exterior.


Qualquer que seja o tipo, em comum têm o facto de as perdas de urina acontecerem sempre de uma forma incontrolável – isto é, não depende da vontade do homem.


Para que o sistema urinário cumpra a sua função, músculos e sistema nervoso devem trabalhar em conjunto para reter a urina na bexiga até que seja expulsa na altura certa.


À medida que a bexiga se enche, os músculos são instruídos no sentido de a manterem fechada. Quando chega o momento de urinar, o sistema nervoso envia aos músculos uma mensagem para que comprimam a bexiga e a urina é expelida.


Dado o papel do sistema nervoso neste processo, se o homem sofrer de uma doença que cause danos a este nível é possível que venha a sofrer também de incontinência. É o caso de doenças como a diabetes, que, com o passar dos anos, pode afectar o controlo da bexiga. É também o caso da doença de Parkinson, da esclerose múltipla e do acidente vascular cerebral, entre outras doenças que causam lesões no cérebro.


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O exercício é, normalmente, associado à saúde e bem-estar do corpo, reforçando defesas, conquistando resistência e flexibilidade, independentemente da idade.


Mas o exercício beneficia igualmente a saúde mental, sobretudo porque a marcha dos anos vai penalizando a concentração e a memória.


É certo que as consequências do envelhecimento são mais visíveis a nível físico. Basta pensarmos na pele marcada pelas rugas, no tom grisalho que toma conta dos cabelos ou nos movimentos mais emperrados, além de uma maior predisposição para ficar doente, dada a diminuição das defesas naturais do organismo.


Tal como o corpo, a mente também é abalada pelos sinais do tempo e, mesmo sem qualquer afecção de saúde, podem surgir maiores dificuldades em reter informação, relacionar acontecimentos, recordar pessoas ou episódios. Afinal, tantas são as vezes que nos confrontamos com o desabafo “a minha cabeça já não é a mesma...”.


Provavelmente não será, mas é perfeitamente possível retardar o envelhecimento e manter a mente activa.


A verdade é que as tarefas podem requerer mais tempo para ser executadas, o que não é sinónimo de incapacidade. Os estímulos contínuos são um elixir para o cérebro, que mantém a sua actividade. Afinal, que tipo de estímulos são preciosos para uma mente sã e activa? Antes de mais, combater um eventual isolamento. Viver ou permanecer em casa sozinho é meio caminho andado para um estado depressivo, até porque os seniores são particularmente vulneráveis à depressão.


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O ideal - está mais que provado - era que fosse possível todos poderem partilharem a mesma casa. Porque é da experiência de uns e da juventude de outros que se enriquece uma família, numa conjugação de afectos vivida a todo o tempo. Mas, os novos tempos convocam, inevitavelmente, as sociedades contemporâneas a tomar outras opções, que passam pelo início de uma nova vida para os seniores tendo como cenário os lares convencionais, os condomínios ou as residências assistidas.


Antes de optar, é importante que o idoso e a sua família visitem as instalações e que se assegurem de que as mesmas cumprem a legislação. É fundamental comprovar a existência de boas condições.


A segurança é um dos aspectos essenciais: verifique, entre outros aspectos, se os acessos são apropriados para quem, provavelmente, já tem dificuldade em movimentar-se e pode precisar de cadeira de rodas; certifique-se de que os corredores e as escadas entre pisos não são propícios a quedas (as fracturas são uma das principais causas de morte nos idosos) e verifique se as janelas têm protecções.


Por outro lado, é importante que o idoso tenha espaço, que não se sinta confinado ao quarto ou à sala de estar.


Um jardim é meio caminho andado para levantar o ânimo e exercitar o corpo: permite-lhe andar, desentorpecendo músculos e tendões, enquanto conversa com os seus novos companheiros.


O lar deve proporcionar qualidade de vida, nela se incluindo naturalmente os cuidados de saúde. Tomando por certo que o idoso necessite de tomar medicamentos, importa garantir, desde logo, que na "nova casa" há quem se responsabilize pela sua toma adequada e atempada.


E de que haverá transporte e acompanhamento se for necessário conduzi-lo a um serviço de saúde para as suas consultas regulares ou, eventualmente, numa urgência.


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Embora a importância do consumo de vitaminas esteja normalmente associada a idades jovens, a verdade é que as vitaminas são igualmente indispensáveis quando se atinge os 50 anos. Esta necessidade decorre das alterações que surgem no organismo, nomeadamente pelo abrandamento do metabolismo basal, um processo normal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Em termos práticos, a OMS estima que, a partir dos 40 anos, o metabolismo basal diminui cerca de cinco por cento a cada década que passa. Isto leva a que a energia consumida pelo organismo em repouso para manter as funções vitais passe a ser menor, logo a necessidade de ingestão de calorias também diminui. Ao mesmo tempo, a idade enfraquece o sistema imunitário contribuindo para uma maior propensão a infecções e doenças crónicas. O que torna fundamental a prática de uma alimentação equilibrada que forneça os nutrientes essenciais à manutenção da saúde do organismo. Conforme a idade avança, é importante comer cada vez menos, mas cada vez melhor.


Se o conselho é diminuir as calorias e aumentar a qualidade nutricional da alimentação, a chave do êxito passa por uma maior ingestão de vitaminas e sais minerais. O cálcio, por exemplo, é essencial no combate à perda da massa óssea, que afecta indivíduos de idade mais avançada, em especial as mulheres, depois da menopausa. A vitamina D é também fundamental, porque promove a absorção do cálcio. Do mesmo modo, as vitaminas C e E são componentes que não podem faltar na alimentação, e a sua importância cresce com o avançar da idade, já que estes nutrientes têm propriedades antioxidantes e reforçam o sistema imunitário.


Como tal, para evitar carências nutricionais que podem ter consequências graves na saúde, também os "jovens" acima dos 50 anos devem apostar numa alimentação saudável, em que o complemento de um suplemento de vitaminas e minerais pode fazer a diferença.


Portugueses entre os mais cansados e os menos enérgicos Um inquérito, realizado recentemente em 14 países europeus, mostrou que 47 por cento dos portugueses sente cansaço e falta de energia.


Entre os motivos apontados estão o emprego, a falta de exercício físico e uma alimentação pouco saudável. O desgaste motivado pelo cansaço e a falta de energia contribuem para que sete em cada dez portugueses afirmem não terem tempo para fazer aquilo que mais gostariam.


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Acontece que a necessidade de dormir varia de pessoa para pessoa. Na idade sénior, o processo do envelhecimento é acompanhado de modificações na quantidade e qualidade do sono. São de diferente índole os factores que contribuem para os problemas do sono, na idade sénior: dores decorrentes de doença crónica ou alterações que são acompanhadas de desconforto físico; factores ambientais; desconfortos emocionais; alterações no padrão do sono, neste caso com queixas de estar na cama sem dormir, com dificuldade para reiniciar o sono, um despertar matinal cada vez mais cedo, entre outras.


Além dessas queixas há a referir a sonolência e fadiga diurna, intercaladas com pequenos cochilos.


O sénior vai perdendo capacidade adaptativa às perturbações emocionais que também concorrem para o acréscimo de problemas de sono. Daí as queixas frequentes dos idosos com as instabilidades de sono, responsabilizando este modo de dormir pelo cansaço, perda de atenção e memória, pelo gosto de viver e pelo aumento da ansiedade.


Não é fácil falar sobre o sono, pois quando dormimos, há diferentes ciclos de sono, nem todos têm o mesmo poder restaurador das funções orgânicas, há fases de sono mais profundo e outras mais superficiais. A arquitectura do sono altera-se na idade sénior: diminuição da duração dos ciclos, aumento do número e duração dos despertares nocturnos.


No envelhecimento há também uma alteração no ciclo circadiano, que é o ritmo de distribuição das actividades biológicas ao longo de, aproximadamente, 24 horas.


Temos depois um conjunto de distúrbios que são mais usuais no processo de envelhecimento: a insónia (dificuldade de iniciar ou manter o sono), a apneia do sono (interrupção do fluxo do ar pela boca ou nariz durante alguns segundos), maior sensibilidade à luz ou à temperatura. É bastante elevado o número de causas que podem provocar distúrbios de sono, mas no envelhecimento poderão ter grande importância as doenças crónicas e outras: Alzheimer, artrite, cardiopatias, doença pulmonar obstrutiva crónica, diabetes, refluxo gastro-esofágico, Parkinson, úlcera, doença renal, síndrome de pernas inquietas.


Enfim, devemos dedicar a maior atenção ao dormir bem, para isso é preciso procurar identificar o nosso mau sono e o que está por detrás do estado de insónia, um dos flagelos do mau viver dos seniores.


Casos há em que devemos requerer o aconselhamento do médico, noutros teremos toda a vantagem em saber tirar partido do aconselhamento farmacêutico.


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