Arquivo de Criança - Página 2 de 21 - Médicos de Portugal

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Muitas vezes, sem razão aparente, as crianças sangram pelo nariz no meio de uma qualquer diabrura. Os pais são assolados pela ansiedade e os mais pequenos assustam-se com o pigmento vermelho que escorre pelas narinas.


Este tipo de hemorragia nasal é muito comum nas crianças e, apesar de desconfortável, deve ser encarada sem grandes sustos.


Tudo se deve à anatomia do nariz, cujo interior é revestido por pequenos vasos sanguíneos que ajudam a manter quente e húmido o ar que respiramos. Esses vasos são muito frágeis e superficiais, rompendo com alguma facilidade.


Com menor frequência, o rompimento pode envolver os vasos localizados na região posterior do nariz, o que pode resultar de uma tensão arterial elevada e da aterosclerose. Daí que este tipo de hemorragias surja com o aumento da idade. Nas crianças, as causas da hemorragia nasal são mais acidentais e prendem--se, na maioria das vezes, com agressões a que o nariz é sujeito: coçar com força no interior, introduzir pequenos objectos, assoar constante, constipações e alergias e ar demasiado seco. Naturalmente, uma queda também pode fazer o nariz sangrar.


Ainda que na esmagadora maioria das vezes as hemorragias nasais nas crianças não sejam graves, convém que sejam contidas. O que fazer, então? Simples. Sentar a criança inclinada para a frente sem excessos: há que manter a cabeça sempre acima da linha do coração. De modo a estancar a perda de sangue, apertar o dorso do nariz, mesmo por baixo do osso, utilizando o polegar e o indicador, até que a hemorragia cesse, normalmente num período de cinco a dez minutos. Se não resultar, voltar a insistir e colocar uma compressa fria ou gelo no nariz, uma vez que o frio diminui o afluxo de sangue a essa área. Nunca se deve inclinar a cabeça para trás, porque o sangue escoará pela garganta, o que pode fazer com que a criança se engasgue ou vomite.


Estancada a hemorragia, evitar assoar ou inclinar muito a cabeça.





E crescer implica mudanças. Em termos biológicos, a criança cede lugar a um homem ou a uma mulher, envolvendo sentimentos contraditórios. Se muitos se sentem bem com o "novo" corpo, outros podem não se identificar com o que o espelho mostra. E tudo por causa das hormonas.


São elas que determinam um aumento de peso e de altura nas raparigas, ampliando e arredondando as ancas, aumentando os seios, fazendo surgir os pêlos púbicos, activando as glândulas sudoríparas e desencadeando a primeira menstruação - a menarca, que oficialmente marca o início da puberdade e, com ela, da capacidade reprodutiva.


Os rapazes também ganham peso e altura, os ombros e o peito alargam-se, os músculos desenvolvem-se, o pénis e os testículos crescem, começando a produzir esperma, e surgem os pêlos púbicos. As primeiras ejaculações surpreendem uma noite de sonhos!... Com o tempo, a voz ganha "graves" e as glândulas sudoríparas entram em acção.


 


Acautelar distúrbios alimentares


O aumento de peso e a mudança de forma associada aos estereótipos imbuídos na sociedade actual traduz-se num (quase) imperativo: ser magro, com o risco de obsessão de perder quilos, que conduz a comportamentos extremos, em que pontuam os distúrbios alimentares.


Normalmente, as raparigas são as mais vulneráveis às pressões sociais e culturais, tantas vezes caindo nas malhas da anorexia e da bulimia.


A anorexia resulta na rejeição dos alimentos devido ao receio de engordar, mesmo que a balança indique o contrário.


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"No momento do diagnóstico, há pais que revelam um primeiro medo: será que o meu filho não é inteligente? Mas essa é uma noção desajustada do problema, pois a criança pode ser disléxica e ter um défice na consciência fonológica, e a inteligência ser independente disso", sublinha Ana Serrão Neto, coordenadora da Pediatria do hospitalcuf descobertas.


Os disléxicos demoram mais tempo a discriminar os sons da linguagem oral, em comparação com os não disléxicos. Assim, os sons parecidos podem soar-lhes como iguais e as pausas podem não ser percebidas, o que faz com que as crianças tenham dificuldades em associar o som à letra e terem dificuldades no início da aprendizagem da leitura.


O insucesso e o absentismo escolares são uma das consequências da dislexia quando não diagnosticada e reeducada. Por isso, os professores e educadores devem estar atentos aos sinais de risco e saber comunicá-los aos pais, de modo a que estes possam procurar ajuda de profissionais que diagnostiquem e intervenham correctamente.


"Quando se fala em diagnóstico estamos a falar de um processo contínuo. Há crianças com dislexia grave que requerem medidas educativas especiais. Há outras que com apoio individualizado na sala de aula, dado pelo próprio professor, ultrapassam as dificuldades", refere a médica.


E acrescenta: "existem vários exemplos de erros ortográficos cometidos por disléxicos, sendo os mais comuns a omissão, substituição, inversão e adição de sons, por exemplo, lido-lindo; quatro-quarto; fui-vui; desde-deste; a prender-aprender; prato-parto."


Actualmente, sabe-se que o factor de maior risco de uma criança desenvolver dislexia é a hereditariedade. Um menino tem um risco de 40 a 50 por cento de vir a ser disléxico se um dos pais for disléxico. Se for uma menina, a probabilidade desce.


Não esquecendo que cada caso é um caso, os sinais de alarme nas crianças mais novas incluem: atraso na aquisição da linguagem (nenhuma palavra até aos 2 anos); linguagem "bebé" durante muito tempo; dificuldade de memorização de algumas palavras (como o nome das cores); frases curtas com alterações e omissões de palavras.


"No primeiro ano de escolaridade, os sinais de alarme mais comuns são: discurso não fluente, com pausas, hesitações, repetições, e linguagem imprecisa; pronúncia incorrecta de palavras não familiares; omissões e/ou confusões das sílabas; necessidade de tempo para organizar as respostas orais; dificuldades em associar as letras aos sons (aprender a ler), entre outros. Se a criança não for devidamente intervencionada, a dislexia tem implicações na auto-estima, incluindo ainda comportamentos de oposição, fobia escolar, enurese, vómitos, altos níveis de ansiedade" explica Filipe Glória Silva, pediatra do hospitalcuf descobertas.


A dislexia é uma perturbação específica de aprendizagem com origem neurobiológica, caracterizada por dificuldades na correcção e/ou fluência leitora, na soletração, decifração e ortografia. Resulta de um défice fonológico, podendo surgir dificuldades de compreensão leitora, impedindo o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais.


Investigações internacionais apontam para uma prevalência entre 5 a 10% das crianças em idade escolar.


O serviço de Pediatria do hospitalcuf descobertas dispõe de uma vasta equipa clínica por forma a vigiar a saúde da criança, acompanhar o seu crescimento e tratar a doença.





Uns recorrem ao dedo, outros deliciam-se com a ponta de uma fralda ou lençol, e há sempre quem aproveite o colarinho da camisa do pai quando está ao colo ou a orelha do peluche mais amigo... Mas quase todos gostam de uma chupeta, sobretudo se o seio da mãe já não está disponível.


E porque é que os bebés tanto gostam de chuchar? Mamar é muito mais do que alimentar o bebé. É o acto que cimenta a relação com a mãe; um instinto que tranquiliza e confere segurança.


Quando sente mais ansiedade ou agitação, o bebé procura o seio materno ou algo que o substitua - a chupeta.


No entanto, após o nascimento, enquanto o bebé se está a habituar ao mamilo da mãe, a introdução da chupeta pode dificultar o processo de sucção. Assim, a chupeta só deve ser introduzida após a amamentação estar estabelecida.


 


O "manual" da chupeta


1. Não use açúcar, mel ou doces na chupeta, porque potenciam as cáries.


2. Use chupetas ortodônticas, de preferência, ou formato gota e sempre adequadas à idade do bebé/criança.


3. Evite pendurar cordões ou fraldas de pano na chucha, pois o peso deforma a arcada dentária.


4. Lave e ferva com regularidade a chupeta, pois a boca é a maior porta de entrada de infecções.


5. O aro, normalmente de plástico, deve acompanhar a curvatura da face do bebé e deve ter orifícios para ventilação lateral.


6. Não dê a chupeta ao bebé ao primeiro sinal de choro, senão ele próprio verá na chucha a solução para todos os seus problemas.


7. Procure detectar a origem da agitação. Tenha mais do que uma chupeta (ou tipo de chupeta), para que o bebé não crie uma relação de dependência.


8. Retire a chupeta numa altura estável, evitando fazê-lo quando se alteram outros hábitos (deixar as fraldas, por exemplo) pois aumenta a insegurança.


9. Nunca humilhe a criança nem a faça sentir-se diminuída por usar chupeta.





De mãos dadas na infância


Nas crianças pequenas, sobretudo até aos 5 anos, são muitas as situações que podem ser acompanhadas de diarreia e/ou vómitos. Qualquer episódio de febre, uma constipação, uma gripe ou uma otite podem dar origem a este mal-estar.


A causa mais frequente é uma infecção por vírus - a gastroenterite. E o rotavírus o principal agente: viaja à boleia das mãos, o que explica o fácil contágio entre as crianças. Afinal, elas levam tudo à boca... por isso é tão importante lavar as mãos.



Comuns, mas não banais


Quando a diarreia ou vómitos são intensos ou se prolongam por vários dias abrem caminho à desidratação, ou seja, a criança perde mais água e sais minerais do que recebe.



Sinais de desidratação


› Olhos encovados


Língua seca/pastosa


› Choro sem lágrimas


› Muito tempo sem urinar (fralda seca) ou urina com cor amarela mais carregada ou com cheiro intenso


› Comportamento fora do habitual (irritabilidade ou sem reacção)


› Criança com muita sede


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Quantas crianças são constantemente insultadas, agredidas ou excluídas das brincadeiras por outros colegas? Infelizmente, muitas. Cada vez mais. Nos corredores, balneários, recreios ou casas de banho, o bullying propaga-se, traduzindo relações complicadas entre pares. Já lá vão 18 anos desde que o psicólogo norueguês Dan Olweus definiu o conceito em três pontos: (i) o comportamento é agressivo e negativo; (ii) o comportamento é executado repetidamente; (iii) o comportamento ocorre num relacionamento em que há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.


Esta violência é exercida como uma demonstração de poder, tanto por rapazes como por raparigas, ainda que eles e elas apresentem comportamentos de controlo distintos. O uso da provocação e da coacção física e psicológica é mais típica dos rapazes, ao passo que as raparigas tendem a recorrer a formas mais dissimuladas, como lançar rumores, agredir verbalmente e manipular.


Há mesmo jovens que são vítimas e agressores. Gozar, troçar, chamar nomes, dizer mentiras, espalhar boatos, fazer comentários e gestos ordinários, excluir das actividades de grupo intencionalmente, empurrar, puxar, bater são manifestações de bullying, com óbvios prejuízos para o desenvolvimento de agressores e vítimas.


 


Crescimento disfuncional


Ao contrário do que muitas pessoas admitem, estes comportamentos nada têm a ver com um normal processo de crescimento. Tantas vezes que as reacções a relatos e queixas é desdramatizar com expressões como "faz parte", "são coisas de crianças", "têm de aprender a defender-se" ou "eles entendem-se". Só que o bullying extravasa as fasquias de agressividade razoáveis da infância ou das brincadeiras próprias destas idades.


É impossível legitimar os comportamentos de bullying, porque são perigosos ao perpetuar a violência. Desvalorizar as agressões é aceitar a violência, o que é nocivo numa altura da vida, como a infância e adolescência, em que se estão a formar personalidades.


Para a vítima, o bullying é devastador. Uma criança constantemente ridicularizada, agredida ou excluída sente-se mal, sabe que está a ser provocada mas nem percebe porquê. E sofre. E face à agressão pode evoluir para dois tipos de comportamentos: ou interioriza o papel de vítima ou veste a pele de agressor, provocando e agredindo outras crianças, num ciclo de degradação.


De uma forma ou de outra, a vítima cala-se, sofre em silêncio, seja porque tem vergonha, seja porque tem medo. A segurança e a auto-estima sofrem danos óbvios, com risco de escolhas perigosas, como o absentismo escolar, a experimentação e consumo do álcool e de drogas e actos delinquentes.


No limite, podem ocorrer tentativas de suicídio.


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São muitas as alterações na aparência física causadas pela puberdade. Nos rapazes, surgem os pêlos faciais e os púbicos, os músculos desenvolvem-se, os genitais também. Nas raparigas, o corpo ganha novos contornos, de que o mais evidente é o despontar das mamas.


Neles e nelas, também a voz muda. É certo que neles é mais flagrante e nelas mais discreta, mas a mudança acontece em todos. E nos rapazes o que torna a alteração vocal tão notória é o facto de, à medida que a voz começa a ficar mais grave, próxima da de um homem adulto, se escaparem tons agudos que fazem com que pareçam desafinados.


A mudança fica a dever-se à influência das hormonas, que comandam o desenvolvimento da laringe e das cordas vocais. Situada na garganta, a laringe é uma espécie de caixa de voz na qual estão esticadas as cordas vocais, dois músculos semelhantes a tiras de borracha.


Quando uma pessoa fala, o ar que sobe dos pulmões faz as cordas vocais vibrarem, o que, por sua vez, produz o som da voz. E essa tonalidade - mais grave ou mais aguda - depende de como estes finos músculos se contraem quando são atingidos pelo ar.


Na infância, a laringe é relativamente pequena e as cordas vocais igualmente pequenas e finas. É por isso que a voz das crianças é mais aguda do que a dos adultos. Mas, quando chega a puberdade, a laringe aumenta de tamanho e as cordas vocais ficam mais compridas e mais espessas - uma mudança que é mais evidente nos rapazes do que nas raparigas.


Ao mesmo tempo, os ossos da face desenvolvem-se, criando mais espaço para que a voz ressoe. Em consequência, tanto eles como elas sofrem uma alteração vocal, que adquire uma tonalidade mais grave. Mas nos rapazes a nova voz é mais evidente, dado que também as mudanças fisiológicas foram mais acentuadas. E uma dessas mudanças é o emergir da chamada "maçã de Adão" - trata-se de uma saliência bastante visível na garganta dos rapazes que resulta do crescimento da laringe, que forma um ângulo. Nas raparigas, também acontece mas é menos proeminente.


Há, pois, todo um "novo equipamento" a que os rapazes precisam de se habituar, o que dificulta o controlo da voz: daí os sons desafinados e a alternância inesperada entre graves e agudos. Contudo, assim que a laringe parar de crescer, esses sons desaparecem.


Este é um processo que pode ocorrer entre os 11 e os 14, 15 anos e que tanto pode ser progressivo como brusco. Apesar de normais, os sons desafinados podem ser causa de embaraço e desconforto social, mas a boa notícia é que são temporários.


Alguns meses, no máximo um ano, bastam para que os rapazes passem a ter voz de homens adultos.





Esta perda involuntária de urina numa idade em que a criança, em princípio, já devia conseguir controlar-se, ocorre, na maioria dos casos, exclusivamente durante o sono, sendo por isso designada por enurese nocturna. Sendo uma situação frequente (calcula-se que cerca de 20 por cento das crianças faz chichi na cama até aos 5 anos), de um modo geral irá desaparecer espontaneamente, mas há casos em que requer tratamento específico, intervenções comportamentais e, numa percentagem mínima, esta perda involuntária poderá ser sintoma de uma doença.


A enurese pode ser classificada em primária quando nunca a criança controlou a sua bexiga, e secundária quando a criança controlou a bexiga por um período até 6 meses e após esse tempo surgem manifestações (mesmo episódicas) de incontinência urinária.


 


Qual é a causa desta enurese nocturna?


A causa exacta não é conhecida, sendo vários os factores orgânicos que podem desencadear a perda involuntária e frequente de urina: a existência de um atraso na coordenação dos esfíncteres (músculos que actuam como válvulas) da bexiga; o que faz com que durante o sono, quando a bexiga está cheia, as contracções não sejam contrariadas; o facto de a bexiga ter menores dimensões, e a menor capacidade de concentrar a urina durante o sono.


Na maioria dos casos não há causa específica. Fazer chichi na cama não é culpa das crianças. Há factores como o stresse (a chegada de um novo irmão, os primeiros contactos com a escola, violência física ou psicológica em meio escolar...), a ingestão de bebidas que contêm cafeína (a cafeína aumenta a quantidade de urina, tem efeitos diuréticos), a prisão de ventre (as crianças que têm obstipação crónica têm maiores probabilidades de sintomas de enurese nocturna). Com causa ou sem causa específica, pode marcar um ser humano. Um famoso escritor britânico, George Orwell, mundialmente conhecido por ter escrito "1984", escreveu, a propósito da enurese: "Eu sabia que fazer chichi na cama era algo de reprovável, mas eu não podia dominar-me.


Cometia assim a falta, involuntariamente, mas não conseguia evitá-la. Vivia com o sentimento de culpa que nunca mais esqueci".


A enurese pode ser uma manifestação de doença em casos muito raros: infecção urinária, apneia do sono, diabetes, por exemplo. O médico pode apurar as verdadeiras causas após exame da criança e efectuadas análises à urina.


Há quem discuta se a enurese tem causa hereditária. O que está comprovado é que existe uma predisposição familiar que pode dever-se a factores genéticos.


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As cólicas são as grandes culpadas de um dos primeiros choques da maternidade: enfrentar o choro persistente, inconsolável e sem razão aparente de um bebé. Um choro típico, que tende a ser súbito, diário, normalmente na mesma hora - sobretudo ao fim do dia e à noite - e sem que nada consiga acalmar, acompanhado por pernas encolhidas, punhos fechados, músculos abdominais tensos, rosto avermelhado...


As cólicas afectam 25 por cento dos recém-nascidos - surgem entre a segunda e a sexta semanas de vida - e perturbam rebentos e pais até aos 3-4 meses. Considera-se que as cólicas são a causa provável do choro, quando o bebé chora mais de três horas por dia, pelo menos três dias por semana e por mais de três semanas!...


A verdade é que é difícil identificar uma causa para tamanho desconforto. Alergias, intolerância à lactose, imaturidade do sistema digestivo, alimentação materna e até ansiedade são algumas das causas avançadas, mas não foi possível encontrar um padrão nos bebés com cólicas: nem entre os que são alimentados por leite materno e os que são alimentados com fórmulas infantis, nem entre rapazes e raparigas. Daí que não haja um tratamento eficaz no alívio das cólicas. A melhor solução passa por alguns cuidados que contribuam para a tranquilidade do bebé. A começar pela alimentação: pode ser útil alimentá-lo com mais frequência mas menos quantidade, procurando fazê-lo arrotar de cada vez e sem insistir se o bebé não tiver fome. Depois, a chupeta pode confortar, mas o melhor antídoto é o colo.


Embalar o bebé ajuda a tranquilizar e traduz um momento de intimidade que faz cessar o choro. Massajar a barriguinha, erguendo levemente as pernas, é outro carinho que contribui para desbloquear eventuais gases intestinais. O movimento pode facilitar: uma cadeira de balanço ou um passeio no carrinho são, por vezes, portadores de alívio, tal como um banho tépido ou uma música relaxante.


É claro que nada disto pode funcionar... O mais importante é saber que as cólicas surgem, geralmente, em bebés saudáveis, que mantêm o apetite, ganham peso e interagem com o meio ambiente. Assim, nada como consolar o bebé e esperar que o choro canse e se desvaneça, altura certa para ganhar fôlego para novos desafios da maternidade/ paternidade.





Com uma carga superior a 15% do peso da criança verifica-se a projecção da cabeça para a frente, os ombros elevados e rodados para dentro, uma menor capacidade em inspirar fundo e expandir a caixa torácica e uma inclinação do tronco para a frente, ou seja, alterações ao nível de toda a coluna vertebral.

O peso correcto de uma mochila nunca deve ultrapassar os 10% do peso corporal da criança.
No caso de ultrapassar, os pais devem optar por uma mochila de rodinhas, evitando o peso ao nível das costas.

No entanto, na mochila de rodinhas é muito importante verificar se a alça está ao nível da cintura da criança, de forma a evitar inclinações do tronco durante o seu transporte. A forma como os materiais são arrumados no seu interior é muito importante, sendo que os objectos mais volumosos e mais pesados devem estar na vertical e o mais próximo possível das costas. Os bolsos da mochila podem ser utilizados para transporte de materiais como o porta-lápis e a carteira.

O transporte da mochila deve ser sempre feito em ambos os ombros com as duas alças em simultâneo, permitindo, assim, a distribuição mais homogénea de peso.

As alças devem ser ajustáveis em altura e almofadadas. O fundo da mochila deve ficar próximo da região lombar, nunca mais de 10 cm abaixo da cintura. Se for possível, a mochila deve ter cinto para prender à cintura, ajudando na distribuição de carga por toda a coluna, e não apenas a nível cervical.

Os sacos desportivos de uma só alça produzem uma curvatura lateral da coluna com elevação do ombro, o que resulta numa alteração da postura e da marcha nas crianças.

A hipótese neste caso será a preferência por mochilas com duas alças ou com rodinhas. No caso de ter de transportar duas mochilas, é importante dividir o peso pelos dois hemicorpos (direito e esquerdo), ou seja, tal como quando carregamos as compras do supermercado, dividir os sacos pelas duas mãos.

É importante que os pais ensinem os filhos a retirar da mochila o material que não necessitam para as aulas no dia seguinte.

A criança deve pousar a mochila durante os intervalos e na viagem.

Os cacifos na escola deveriam ser acessíveis a todas as crianças. As aulas sempre na mesma sala permitem que a criança não tenha de andar com a mochila nos intervalos.


 


Marta Gomes, Mestrado em Fisioterapia Cárdio-Respiratória, ACES Vale do Sousa Sul


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