No nosso País, o consumo de substâncias lícitas e ilícitas constitui um dos mais graves problemas sociais e económicos dos nossos dias, projectando-se, também, como um dos mais sérios e complexos problemas de saúde.
O consumo do álcool e de drogas atravessa a História da Humanidade. As drogas e o álcool foram utilizados como remédios capazes de aliviar o sofrimento e de curar certas doenças. No passado, ambas foram também consideradas substâncias capazes de estabelecer a comunicação dos homens com os deuses, através de sacerdotes e chefes, formando alianças místicas misteriosas.
Porém, o álcool foi mais longe na sua conotação divina. Desde logo, porque era personificado, em algumas civilizações, por deuses e, apenas, para mencionar os mais conhecidos, por Osíris, Dionísio e Baco. Noutras, o vinho foi associado à «VIDA», como uma bebida propiciadora da imortalidade.
No Novo Testamento, encontra-se ligado a dois importantes momentos de Jesus Cristo, nas Bodas de Canaã que marca o início da Sua vida pública e na Última Ceia, em que Ele fica consubstanciado ao pão e ao vinho.
Esta sua capacidade de criar alianças, divinas e humanas, tornou o álcool sedutor em algumas sociedades e tempera as relações sociais dos mais diversos estratos sociais.
A publicidade não se cansa de nos mostrar a imagem sempre jovem e bonita de quem bebe, reforçando a magia desta substância como símbolo de poder e de sucesso. Esta fascinação entra no dia-a-dia do cidadão comum, como facilitador de relações interpessoais e de integração grupal, porque o vinho faz parte das festas e está sempre presente nos momentos agradáveis de convívio social.
Ele é tido como um bom lubrificante social, desinibe e é socialmente bem-aceite. Bebe-se porque se está contente e fica-se «contente» porque se bebeu.
Beber em conjunto é um acto social contagiante, capaz de influenciar e de ser influenciado por quantos tomam a decisão de ingerir álcool em momentos de celebração social. Também pode ser um acto individualizado, solenizado em isolamento, quando se bebe para aliviar a desventura e a solidão, sobretudo, para «esquecer» os problemas.
O estatuto legal do álcool não o torna menos inofensivo do que as outras drogas ilícitas porque, sendo uma substância psicoactiva, actua no Sistema Nervoso Central, tal como todas as outras. O uso excessivo de álcool, numa noite bem «regada», pode gerar um «blackout alcoólico» ou «coma alcoólico».
Levado ao extremo, o consumo pode ocasionar a morte por overdose, além de se ter de admitir que o álcool também mata lentamente. A inocente «cervejinha» é uma droga, se ela não for ingerida moderadamente, de forma episódica e passageira.

