Arquivo de Alcoolismo - Página 3 de 3 - Médicos de Portugal

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No nosso País, o consumo de substâncias lícitas e ilícitas constitui um dos mais graves problemas sociais e económicos dos nossos dias, projectando-se, também, como um dos mais sérios e complexos problemas de saúde.

O consumo do álcool e de drogas atravessa a História da Humanidade. As drogas e o álcool foram utilizados como remédios capazes de aliviar o sofrimento e de curar certas doenças. No passado, ambas foram também consideradas substâncias capazes de estabelecer a comunicação dos homens com os deuses, através de sacerdotes e chefes, formando alianças místicas misteriosas.

Porém, o álcool foi mais longe na sua conotação divina. Desde logo, porque era personificado, em algumas civilizações, por deuses e, apenas, para mencionar os mais conhecidos, por Osíris, Dionísio e Baco. Noutras, o vinho foi associado à «VIDA», como uma bebida propiciadora da imortalidade.

No Novo Testamento, encontra-se ligado a dois importantes momentos de Jesus Cristo, nas Bodas de Canaã que marca o início da Sua vida pública e na Última Ceia, em que Ele fica consubstanciado ao pão e ao vinho.

Esta sua capacidade de criar alianças, divinas e humanas, tornou o álcool sedutor em algumas sociedades e tempera as relações sociais dos mais diversos estratos sociais.

A publicidade não se cansa de nos mostrar a imagem sempre jovem e bonita de quem bebe, reforçando a magia desta substância como símbolo de poder e de sucesso. Esta fascinação entra no dia-a-dia do cidadão comum, como facilitador de relações interpessoais e de integração grupal, porque o vinho faz parte das festas e está sempre presente nos momentos agradáveis de convívio social.

Ele é tido como um bom lubrificante social, desinibe e é socialmente bem-aceite. Bebe-se porque se está contente e fica-se «contente» porque se bebeu.

Beber em conjunto é um acto social contagiante, capaz de influenciar e de ser influenciado por quantos tomam a decisão de ingerir álcool em momentos de celebração social. Também pode ser um acto individualizado, solenizado em isolamento, quando se bebe para aliviar a desventura e a solidão, sobretudo, para «esquecer» os problemas.

O estatuto legal do álcool não o torna menos inofensivo do que as outras drogas ilícitas porque, sendo uma substância psicoactiva, actua no Sistema Nervoso Central, tal como todas as outras. O uso excessivo de álcool, numa noite bem «regada», pode gerar um «blackout alcoólico» ou «coma alcoólico».

Levado ao extremo, o consumo pode ocasionar a morte por overdose, além de se ter de admitir que o álcool também mata lentamente. A inocente «cervejinha» é uma droga, se ela não for ingerida moderadamente, de forma episódica e passageira.





Cerca de 2 000 portugueses morrem todos os anos com cirrose hepática e “calcula-se que cerca de 8 a 10% dos portugueses tenham problemas do fígado”. Sabia que o álcool é o maior responsável por estes números? Conheça melhor as doenças de fígado e saiba o que deve fazer para não fazer parte da estatística.

O fígado é o maior orgão do corpo humano e pesa cerca de 1,5 quilogramas. Localiza-se na porção superior do abdómen, à direita, por debaixo das costelas. O fígado normal é liso, mole e castanho escuro. Funciona como uma fábrica que produz e armaneza produtos químicos. Tem múltiplas funções:

• Produção de proteínas, bílis e substâncias relevantes na coagulação do sangue.

• Armazenamento de energia importante para os músculos.

• Regulação de muitas hormonas e vitaminas.

• Eliminação de medicamentos e toxinas incluindo o álcool.

• Manter a concentração de açúcar no sangue dentro dos valores normais.

• Filtra o sangue proveniente do estômago e intestinos.

• Importante na defesa do organismo contra as infecções.



Quais as principais doenças de fígado dos portugueses?

A doença mais grave que mata quase 2 000 portugueses por ano é a cirrose hepática. O cancro do fígado, consequência da cirrose tem vindo a aumentar. A causa principal de cirrose é, de longe, o consumo excessivo de álcool. Em segundo lugar vem a infecção pelo vírus da hepatite C.

Na actualidade, são muito frequentes as alterações do fígado resultantes da deposição de gordura no fígado (chamada esteatose) por causa da obesidade, diabetes, elevação do colesterol, etc. Esta situação, nalguns casos (10-15%) pode evoluir para cirrose.
Calcula-se que cerca de 8-10% dos portugueses tenham problemas do fígado.



Que hábitos devem ter os portugueses para evitar as doenças de fígado?

O mais importante é evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Deve-se promover a vacina da hepatite B de forma mais ampla. Quanto à hepatite C, actualmente, os grupos de maior risco são os toxicodependentes e aqueles com relações sexuais de risco (múltiplos parceiros, relações desprotegidas).





A esta pergunta radical têm sido dadas respostas várias, quase todas baseadas num argumento social que é assim desenvolvido: uma família de alcoólicos gera filhos alcoólicos e num ambiente profissional e social, onde o abuso de bebidas com álcool é uma regra de convivência, os que chegam de novo são naturalmente integrados numa cultura de abusadores de bebidas com álcool; nestes ambientes a embriaguez é socialmente tolerada, é aceite como banal, é até aplaudida como ritual de entrada no grupo profissional e social.

Noutros tempos, os podadores de vinhas no Douro recebiam, como parte do seu salário, que era baixo, um garrafão de cinco litros de vinho maduro tinto de gradua­ção alcoólica elevada (12 a 14º) e acabavam dependentes de álcool.

Estas respostas, porém, não tinham carácter científico e nem sequer eram suportadas por averiguações, empíricas ou epidemiológicas, conclusivas. Sabíamos, sim, que nos hospitais da Região Duriense era sempre elevado o número de homens que acabavam os seus dias com a descompensação da cirrose hepática alcoólica. Como tinham ascite e eram picados para aspirar um líquido, levemente amarelado, mas límpido, a situação era conhe­cida, na zona, como «barriga de água» e o povo já sabia que viveriam pouco tempo; mas não relacionavam a doença com o abuso de bebidas com álcool, em especial a aguardente em jejum, mais cinco litros de vinho por dia.

Actualmente, a investigação científica traz-nos novas vias para o entendimento desta questão.

Em Setembro de 2003, a Academia das Ciências de Nova Iorque acolheu uma grande conferência mundial sobre o desenvolvimento cerebral do adolescente, numa perspectiva de vulnerabilidades e oportunidades. Os trabalhos desta Conferência foram publicados em Junho de 2004 (Annals of New York Academy of Sciences, vol. 1021, 466 pages) e há um subcapítulo intitulado «Os adolescentes e a trajectória do uso do álcool».

Resumindo os cinco trabalhos apresentados, direi:


1 - O período da adolescência, definido como o intervalo de tempo entre o início das alterações físicas da puberdade e a assunção de rôles sociais de adulto, ou seja, entre os 9-12 anos e os primeiros anos da década de vinte, é o período crítico. Sabe-se, hoje, que o cérebro humano vai apresentar certas alte­rações de maturação estrutural e funcional que precedem as modificações dependentes das acções hormonais, masculinas ou femininas. Outras, porém, são consequência da impregnação hormonal do tecido cerebral, como, por exemplo, as motivações românticas, o interesse sexual, a intensidade emocional, o risco de doenças dos afectos nas raparigas e a procura de riscos (a adrenalina...) nos rapazes.


2 - A região do hipocampo e da amígdala cerebral completam, neste período, a sua maturação, que pos­sibilitará a aprendizagem emocional do adolescente, pelo que, no plano emocional, há risco de mau funciona­mento das estruturas cerebrais referidas. De facto, está demons­trado que um defeito geneticamente provocado, nestas estruturas cerebrais, predispõe para a transição do uso em abuso. A causa está no défice da aprendizagem emocional, com pouca ou nenhuma compensação afectiva, com o uso, e na procura desta compensação, no abuso.

Já em 2000, no Journal of Psychoactive Drugs, Kenneth Blum e colaboradores tinham apresentado o seu conceito de «Síndrome de Deficiência Compensatória» como um modelo biogenético dos comportamentos de dependência. Em particular da dependência do álcool.

A convicção mais popular é a de que o alcoolismo é um comportamento «aprendido» e expresso como sintoma ou consequência de um defeito de carácter subjacente à pessoa que, deste modo, manifesta uma vontade destrutiva em resposta a problemas psicológicos ou sociais.

Mas os defensores do novo conceito, RDS (do inglês Reward Deficiency Syndrome), consideram que o alcoolismo é, primariamente, uma consequência de uma alteração biogénica que condiciona uma resposta aditiva primária num consumidor que é biologicamente susceptível, independentemente do seu carácter e da sua personalidade. Este novo conceito surgiu da descoberta da associação de uma anomalia genética específica com os comportamentos impulsivos, aditivos e compulsivos. As pessoas com estes comportamentos tinham mutações do gene responsável pela produção, por certas células cerebrais, do receptor D2 para a dopamina que é colocado na membrana celular.

A mutação impede que a pessoa controle ou modifique comportamentos baseados em desejos aberrantes.

O desejo excessivo de álcool pode, portanto, resultar de «mau» funcionamento de um conjunto de genes que promovem a sensação de bem-estar por meio de interacções dos neurotransmissores no sistema mesolímbico que condicionam uma normal circulação de dopamina e sua captura por grupos de células neuronais especializadas e com o receptor adequado.

Em muitos estudos experimentais, no rato, provou-se que o álcool, em doses excessivas, aumenta a quantidade de dopamina e serotonina extracelular no cérebro, «corrigindo» o défice destes neurotransmissores nas pessoas com defeito genético. Este defeito pode ser demonstrado a partir dos estudos de polimorfismo genético do lócus do receptor D2 situado no cromossoma 11.





1. Como são avaliados e interpretados os acidentes.

2. Que factores influenciam as decisões dos condutores.

3. Qual a influência das características das vias.

4. Como educar e punir os condutores perigosos.





O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de AA não é necessário pagar taxas de admissão nem quotas. Somos auto-suficientes pelas nossas próprias contribuições.





Provavelmente vários milhões de pessoas já ouviram falar ou leram acerca de Alcoólicos Anónimos desde o seu início em 1935. Algumas estão relativamente familiarizadas com o programa de recuperação do alcoolismo que já ajudou mais de 2.000.000 de bebedores-problema. Outras têm apenas a vaga impressão de que AA é uma organização qualquer que, de algum modo, ajuda os bêbados a parar de beber.

Este folheto destina-se àqueles que estão interessados em AA para si mesmos, para um amigo ou familiar ou ainda para aqueles que simplesmente desejam estar mais bem informados acerca desta Comunidade invulgar. Estas páginas incluem respostas a muitas perguntas específicas que foram feitas sobre AA no passado. Resumem a história de uma comunidade livremente constituída por homens e mulheres que têm um grande propósito comum: o desejo de permanecerem sóbrios e de ajudar outros alcoólicos que procuram ajuda para o seu problema de bebida.

Os milhares de homens e mulheres que entraram para AA nos últimos anos não são uns “santinhos””. O seu entusiasmo e desejo de ajudar outros alcoólicos poderia denominar-se egoísmo saudável. Os membros de AA reconhecem que a sua própria sobriedade depende em grande parte do contacto continuado com alcoólicos.





Esta informação pretende ajudar as pessoas que vão aos Alcoólicos Anónimos (AA) pela primeira vez. Aqui tentamos responder às perguntas que ocorrem com mais frequência aos recém-chegados, as mesmas dúvidas que nós tínhamos quando chegámos aos Alcoólicos Anónimos.

Serei eu um alcoólico?

Se você repetidamente bebe mais do que pretende ou quer, se arranja problemas ou se tem lapsos de memória quando bebe, você pode ser um alcoólico. Só você pode decidir. Ninguém em AA lhe vai responder se é ou se não é.

O que é que posso fazer, se estiver preocupado com a minha maneira de beber?
Procure ajuda – Os Alcoólicos Anónimos podem ajudar.

O que são os Alcoólicos Anónimos?

Nós somos uma Comunidade de homens e mulheres que perderam a capacidade de controlar a sua maneira de beber e que, devido a isso, se encontraram envolvidos em toda a espécie de problemas. Tentamos, a maior parte de nós, com um razoável êxito, criar uma maneira satisfatória de viver sem álcool. Para isso, precisamos da ajuda e apoio de outros alcoólicos em AA.

Se eu for a uma reunião, isso obriga-me a qualquer coisa?

Não. AA não tem ficheiros dos seus membros, nem faz um registo de presenças. Não precisa de divulgar nada a seu respeito. Ninguém o vai incomodar, se você não quiser voltar.

O que é que acontece se encontrar pessoas conhecidas em AA?

Elas estarão lá pela mesma razão que você. Elas não vão revelar a sua identidade a pessoas de fora. Em AA tem-se o anonimato que se quiser. É esta uma das razões porque nos chamamos Alcoólicos Anónimos.

O que é que acontece numa reunião de AA?

Uma reunião de AA pode ser conduzida de várias maneiras mas, em qualquer reunião, você vai encontrar alcoólicos a falar sobre a influência que o álcool teve nas suas vidas e personalidades; o que fizeram para lidar com isto e como vivem actualmente.

Como é que isto me pode ajudar no problema que tenho com a bebida?

Nós, em AA, sabemos bem o que significa sermos dependentes do álcool e sermos incapazes de cumprir as promessas que fizemos aos outros e a nós próprios de que iríamos parar de beber. Não somos terapeutas profissionais; a nossa única qualificação que temos para ajudar os outros a se recuperarem do alcoolismo é a nossa própria recuperação, mas bebedores com problemas que nos procuram sabem que a recuperação é possível, porque vêm exemplos de pessoas recuperadas.

Porque é que continua a ir a reuniões depois de estar curado?

Nós, em AA, acreditamos que não existe tal coisa como a “cura”” para o alcoolismo. Nunca podemos voltar a beber normalmente e a nossa capacidade para nos mantermos afastados do álcool depende da manutenção da nossa saúde física

mental e espiritual. Podemos conseguir isto

indo regularmente às reuniões e pondo em prática o que aí aprendemos. Além disso

achamos que é bom para a nossa sobriedade ajudar outros alcoólicos.





Quando se consome uma bebida alcoólica, o álcool que esta contém passa em pouco tempo para o sangue: 5 a 15 minutos se ingeridofora da refeição; 30 a 60 minutos se a passagem é retardada pela presença de alimentos, isto é durante a refeição. Através da boca e do esófago, o álcool chega ao estômago e intestino onde é absorvido, absorção essa que é tanto mais rápida quanto mais concentrada é a bebida em tremos de conteúdo alcoólico. É transportado pelo sangue até ao fígado, onde inicia a sua lenta degradação. É sangue com álcool que prossegue na circulação atingindo o coração, os pulmões, cérebro, rins, membros superiores e inferiores, bem como todas as restantes partes do corpo.





Um simples questionário de 12 perguntas para te ajudar a decidir.

1 - Bebes porque tens problemas? Para descontrair?

2 - Bebes quando te irritas com os outros, com os teus amigos ou os teus pais?

3 - Preferes beber sozinho, e não com outros?

4 - As tuas notas começaram a piorar? Fazes asneiras no teu trabalho?

5 - Já alguma vez tentaste parar de beber ou beber menos - e não conseguiste?

6 - Já começaste a beber de manhã, antes de ires para a escola ou para o trabalho?

7 - Esvazias o copo de um só trago?

8 - Já alguma vez tiveste lapsos de memória por causa da tua maneira de beber?

9 - Mentes sobre a tua maneira de beber?

10 - Arranjas problemas quando bebes?

11 - Embebedas-te quando bebes, mesmo quando não queres?

12 - Achas que impressionas os outros por seres capaz de aguentar a bebida?


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