Arquivo de Dermatologia - Página 2 de 4 - Médicos de Portugal

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Este grau de incidência faz da Acne a principal causa que leva os jovens portugueses às consultas de Dermatologia, sendo que 10 a 15% dos casos apresentam formas consideradas graves da doença, não só pelas suas repercussões físicas, mas também, psicológicas ou mesmo psiquiátricas.


A época balnear é, segundo o Dermatologista e Membro do Portuguese Acne Advisory Board, Dr. António Massa, um período importante que requer atenção redobrada no tratamento da Acne: - "Mesmo no Verão é obrigatório o tratamento da Acne, pois com o sol há como que uma esterilização das espinhas e das borbulhas, a pele fica mais grossa e, como tal, torna as lesões mais profundas. Isto justifica o seguimento do tratamento da Acne nesta época do ano para manter aberto o folículo e facilitar a drenagem do sebo que se forma em excesso".


Os picos de incidência da Acne manifestam-se entre os 14 e os 17 anos de idade nas raparigas, e os 16 e 19 anos nos rapazes, diminuindo progressivamente com a idade e desaparecendo antes dos 25 anos. Apesar de existirem vários mitos associados ao aparecimento da Acne (tais como dietas, estilo de vida, actividade sexual, má higiene ou uso de cosméticos), as causas que estão na origem deste problema são claras: alteração do crescimento das células do folículo piloso, produção excessiva de sebo, aumento do crescimento bacteriano e inflamação. São estes os factores que provocam as lesões elementares observadas na Acne: os comedões abertos ("ponto negro"), comedões fechados ("ponto branco"), pápulas ("borbulhas"), pústulas ("espinhos") e, com menos frequência, nódulos inflamatórios, quistos e cicatrizes.


O impacto da doença não se faz apenas sentir a nível físico, deixando marcas também a nível psicossocial, ao trazer consequências graves no plano pessoal e interpessoal, numa altura em que a imagem assume um papel predominante na afirmação e construção do indivíduo. Estudos comparativos demonstram mesmo que a Acne afecta os seus doentes nos planos emocional, psicológico e relacional em grau semelhante e superior ao verificado em doenças crónicas clássicas, como por exemplo, a Asma, Epilepsia, Diabetes e Artrite.


Taxas mais elevadas de insucesso escolar e de desemprego, depressão e ansiedade, rejeição social e isolamento são algumas das principais repercussões negativas desta patologia.


De acordo com este dermatologista do Portuguese Acne Advisory Board, a Acne "é uma patologia cuja causa resulta de uma alteração que ocorre ao nível da unidade pilossebácea, sendo mais intensa nas zonas onde há glândulas sebáceas, a saber, na face e tronco. Está provado, e todos sabemos, que uma cara bonita melhora a nossa auto-estima, facilitando o relacionamento interpessoal, mas nos tempos de hoje é possível e quase seguro controlar a Acne com um tratamento médico correcto e adequado".


Este especialista médico acrescenta, ainda, que assiste-se hoje ao aparecimento de tipos de Acne cada vez mais tardios, ou seja, depois dos 25 anos e com maior incidência no sexo feminino. "Isto implica termos que ter sempre presente que enquanto e sempre que haja lesões na face ou no tronco, é importante fazer tratamento da patologia, pelo menos a nível local e durante seis a doze meses após o último surto de Acne", explica.





Segundo os dados da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), anualmente, surgem perto de mil novos casos de melanoma, um dos cancros mais temidos. Cerca de 90% dos carcinomas da pele resultam de uma exposição exagerada aos raios ultravioleta.


"Os efeitos negativos da exposição aos ultravioleta são cumulativos e, muitas das vezes, visíveis anos mais tarde", explica o Dr. Osvaldo Correia, secretário-geral da APCC. Isto acontece porque a pele vai "memorizando os choques térmicos inapropriados". Assim, caso haja "uma predisposição genética ou situações de imunosupressão", as lesões neoplásicas podem emergir a médio ou longo prazo".


Para além da ameaça de cancro, uma pele exposta à radiação solar corre o risco de envelhecer mais precocemente. "O sol em excesso agride o DNA de diferentes estruturas da pele, em particular os melanócitos e os queratinócitos", completa o dermatologista. O fotoenvelhecimento "exprime-se pelas rugas, pela pele amarelada e manchas escuras ou claras nas zonas mais expostas".


Contrariamente ao que se pensa, os veraneantes são apenas uma parcela da população de risco. Veja-se, por exemplo, alguns trabalhadores que passam horas a fio debaixo do sol, nomeadamente os pescadores, os agricultores ou funcionários da construção civil, conforme refere Osvaldo Correia. O especialista relembra, ainda, que os utilizadores de solários representam, também um grupo de risco, já que nestes locais a "radiação UV é emitida em doses energéticas elevadas".


 


Benefícios ou prejuízos?


Sabe-se que o sol pode ter um impacto positivo, nomeadamente na "melhoria de alguns problemas cutâneos, sobretudo psoríase, eczemas atópicos e seborreicos". Mas a moderação é a palavra de ordem quando se fala em exposição solar. Para isso, é necessário respeitar "os horários de menor perigo e ter uma exposição gradual com protecção".


Há teorias que associam a exposição solar a benefícios dos ossos, mas Osvaldo Correia clarifica alguns mitos: "Estima-se que 30 minutos a duas horas por semana, em áreas limitadas do corpo, como face e mãos, serão suficientes para uma normal síntese da vitamina D e uma melhoria da absorção do cálcio pelo organismo".


O dermatologista refere ainda que "a radiação UVA é responsável pela maioria das alergias solares, assim como pelo aparecimento de melasma (vulgo "pano")" e das alergias medicamentosas, tão frequentes por fármacos fotossensibilizantes: anti-inflamatórios, alguns antibióticos, medicamentos do foro cardiovascular, entre outros".


Nos grupos de risco, há que incluir as crianças, que muitas das vezes são os "elos mais frágil" da falta de protecção solar. "Estudos recentes relatam antecedentes de vermelhidões, após exposição ao sol, em 42% das crianças do primeiro ciclo. E, em 27%, houve registo de queimaduras solares com bolhas e pele a esfolar."Segundo o especialista, muitos destes "incidentes" ocorrem em espaços abertos do "recreio da escola e nos espaços de prática desportiva".


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O que está em causa é o ciclo de vida das células cutâneas. Numa pessoa saudável, é preciso cerca de um mês para que estas células ascendam da camada mais profunda da pele, onde são produzidas, para a camada mais superficial, onde acabam por morrer e descamar. Numa pessoa com psoríase, esta viagem dura apenas alguns dias, em resultado do que as células acabam por se acumular à superfície, gerando as lesões típicas da doença.


Esta aceleração deve-se à acção de um tipo específico de células brancas do sangue - os linfócitos T. Desenhados para detectar e combater substâncias estranhas, como vírus e bactérias, nas pessoas com psoríase atacam as células cutâneas, confundindo-as com agressores. O que faz desta uma imune';" onMouseover="fixedtooltip(4142, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">doença auto-imune, ou seja, associada ao sistema imunitário, a rede de defesas do organismo.


Não se sabe o que torna os linfócitos T hiperactivos, com as investigações a tenderem para uma combinação de factores ambientais e genéticos. Aliás, uma em cada três pessoas com psoríase possui um familiar com a mesma doença, sendo que outro terço é portador dos genes sem nunca desenvolver sintomas.


O que se conhece são alguns factores que desencadeiam ou agravam uma crise de psoríase. É o caso de infecções (como uma simples constipação), lesões na pele (cortes, arranhões, picadas de insecto ou queimaduras solares), stress, temperaturas baixas e alguns medicamentos (como o lítio, usado no tratamento da doença bipolar, fármacos contra a malária ou para tratar a pressão arterial).


O consumo excessivo de álcool e o tabaco também têm influência.


 


Lesões visíveis mas não contagiantes


As células que se acumulam à superfície da pele em consequência dos estímulos dos linfócitos T acabam por dar origem às lesões típicas da psoríase: manchas vermelhas, quase sempre com relevo, cobertas de uma espécie de escamas prateadas. A pele fica de tal modo seca que se abrem gretas e podem ocorrer hemorragias.


Comichão e ardor são outrosdos sintomas. As unhas também podem ser afectadas, apresentandose estriadas e mais espessas ou, nas situações mais graves, praticamente destruídas.


As articulações também não estão a salvo da doença: cerca de dez por cento dos doentes desenvolve a chamada artrite psoriática, que se traduz por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante. E tanto podem ser afectadas as pequenas articulações (nas mãos e nos pés) como as grandes (nos membros e na coluna).


É, aliás, em zonas do corpo com articulações que a psoríase se instala preferencialmente: os cotovelos e os joelhos, ainda que também a região lombar e o couro cabeludo possam exibir lesões.


É em ciclos que a psoríase se manifesta, alternando períodos de exacerbação com períodos de remissão. Significa isto que as lesões tanto se podem agravar como quase desaparecer, com cada ciclo a durar entre semanas a meses.


Quando as lesões são mais acentuadas e estão mais expostas - o que acontece a partir de agora, com a subida das temperaturas própria da Primavera e depois do Verão - constituem um problema estético com impacto na auto-estima e no relacionamento social dos doentes.


É que, pela sua aparência, as lesões fazem recear o contágio, podendo gerar a inibição de contactos sociais e, sobretudo, de contactos físicos. Todavia, a psoríase não é uma doença contagiosa: não se transmite aos outros directa ou indirectamente. É uma doença do sistema imunitário da pessoa e não causada por um agente infeccioso como vírus ou bactérias.


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- 75% dos Portugueses não cuida da pele diariamente


- 21% dos homens portugueses não tem qualquer tipo de cuidados diários com a pele


- 63% dos homens não hidrata a pele diariamente


- 64% não consegue identificar problemas de pele


- 77% nunca consultou um dermatologista


- Apenas 38% dos Portugueses hidrata a pele todos os dias


- Mais de 60% não sabe o que é Psoríase


As primeiras conclusões deste estudo permitem-nos ver que o desconhecimento sobre a pele é bastante elevado, ainda que 89% reconheça que a pele precisa de cuidados, apenas 25% os aplica diariamente. Uma das rotinas mais praticadas por ambos os sexos é a lavagem, sendo que 21% dos homens portugueses não tem qualquer tipo de cuidados com a pele (lavagem, hidratação, esfoliação, tonificação).


Nas palavras de Dra. Leonor Girão - dermatologista do Hospital Militar de Belém - a pele precisa de rotinas de higiene e hidratação diárias, "Algumas coisas são até bastantes simples. Naturalmente que quanto mais flexível, elástica e hidratada estiver a nossa pele, menos ela descama e fica irritada. Por isso devemos incluir nos nossos hábitos diários a aplicação de cremes e loções com conteúdo rico em lípidos de forma a reforçar o filme lipídico (a quantidade de gordura natural) que existe à superfície da pele. Ao aplicarmos estas loções corporais oleosas estamos a "impedir" que a água existente nas células das camadas superficiais da pele saia."


Os rituais diários de higiene e cuidados são desvalorizados pelos Portugueses, sobretudo pelos homens. "O banho faz parte dos cuidados básicos de higiene da pele. (...) Quererá limpá-la sem que ela fique áspera, vermelha ou a descamar, como acontece com sabões vulgares. Para isso deverá usar um gel de banho que respeite a pele. Que tenha um pH fisiológico, compatível com a pele, que retire a sujidade sem retirar a camada protectora cutânea e que não deixe resíduos irritantes para a pele. Além disso pode reforçar a camada protectora se deixar uma camada lipídica à superfície. É isso que um bom gel de banho consegue fazer: limpar a sua pele mantendo-a íntegra e suave." [Dra. Leonor Girão]


Dra Leonor explica como é fácil adoptar hábitos diários de forma a manter a pele saudável, nos quais se deve conjugar "a acção de limpeza com a função "hidratante" ou, em termos médicos, função emoliente" A aplicação de uma loção hidratante logo após o banho é fundamental "... porque não é o produto que coloca água na pele; o que os lípidos do produto fazem é selar a água nas células, que entrou por osmose. E a reposição deste filme hidrolipídico confere-lhe elasticidade e maior resistência." Quanto mais se reforçar esta camada protectora, mais forte e resistente se torna a pele.


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João Cunha, Presidente da PSOPortugal refere que "Esta petição é mais uma forma de luta pelos 250.000 portugueses que sofrem diariamente com a doença. Por não ser mortal nem contagiosa, a Psoríase é uma doença ignorada, vivida com vergonha, escondida pelos doentes e sofrida em silêncio. Apesar de ser uma doença tratada como crónica pelos médicos, vivida como crónica pelos doentes, não é reconhecida como tal pelo Serviço Nacional de Saúde. Se a Psoríase fosse considerada uma doença crónica, os medicamentos tópicos, essenciais para o tratamento, seriam comparticipados na totalidade."


Os medicamentos tópicos que tratam a Psoríase e que são usados em mais de 70% dos casos, têm uma comparticipação que não ultrapassa os 37%. Os cremes, loções e champôs são imprescindíveis para o tratamento da psoríase e não são comparticipados. Os encargos com a terapêutica na maioria dos casos rondam os 2.000,00€ anuais e em alguns casos ultrapassa mesmo os 3.000,00€.


A "Petição pelo Reconhecimento da Psoríase como Doença Crónica" está disponível em www.peticao.com.pt/psoportugal.


 


Sobre a PSOPortugal


A PSOPortugal, Associação Portuguesa da Psoríase, foi formalmente constituída em Fevereiro de 2005 e tem como principais objectivos promover e dinamizar campanhas para alertar, despertar e sensibilizar a sociedade para a discriminação social e profissional de que são alvo os doentes de psoríase; mas que por outro lado luta também para que a psoríase seja reconhecida como doença crónica pelo SNS.


 


Sobre a Psoríase


A psoríase é uma doença da pele bastante frequente que afecta de 1 a 3 por cento da população mundial (cerca de 190 milhões de pessoas). Em Portugal, estima-se que cerca de 250 mil pessoas sofram de psoríase.


É uma doença crónica, hiperproliferativa da pele e de etiologia desconhecida, mostrando uma grande variedade na severidade e na distribuição das lesões cutâneas.


Manifesta-se igualmente em homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, mas pode surgir em qualquer fase da vida. A sua causa é desconhecida. Fenómenos emocionais são frequentemente relacionados com o seu surgimento ou o seu agravamento, provavelmente actuando como factores desencadeantes de uma predisposição genética para a doença. Cerca de 30 por cento das pessoas que têm psoríase apresentam história de antecedentes familiares.


De aspecto inestético e consequentemente incómodo nas zonas expostas, a psoríase pode também ter repercussões psicológicas nas pessoas atingidas no conjunto do corpo.


Para mais informações, visite www.psoportugal.com 





A etiologia é desconhecida mas há dados que suportam o papel do passado genético e a influência dos factores ambientais. Alterações imunológicas são evidenciadas pela elevação frequente da Ig E no soro, ocorrência de eosinofilia, predomínio de linfócitos Th2 nas lesões agudas e linfócitos T produtores de interferão Y nas lesões crónicas.


O diagnóstico da dermatite atópica depende quase completamente da história clínica e do exame físico. Há 3 estádios clínicos de doença - 0 a 2 anos, 2 a 12 anos e mais de 12 anos, cada um dos quais com padrões cutâneos agudo, sub-agudo e crónico. As lesões agudas do eczema atópico são pápulas eritematosas intensamente pruriginosas, finas placas escoriadas, vesículas e crostas serosas.


As lesões sub-agudas aparecem como pápulas eritematosas com descamação e escoriações secundárias.


As lesões crónicas caracterizam-se por placas espessas com liquenificação secundária ao prurido.


Nos mais pequenos as lesões podem ocorrer em qualquer local mas surgem preferencialmente na face, couro cabeludo e superfícies extensoras dos membros. Nas crianças dos 2 aos 12 anos as lesões tendem a ser menos agudas, mais acantonadas às pregas dos sangradouros, fossas popliteas, face dorsal do pescoço e das mãos. Como complicações do eczema atópico surgem infecções cutâneas pelo S.aureus e por vírus causadores de verrugas vulgares e de moluscos contagiosos.


O eczema atópico influencia o comportamento social destas crianças, o seu rendimento escolar assim como toda a vida de relação familiar.


No controlo e tratamento do eczema atópico há a referir um conjunto de medidas gerais assim como tratamentos tópicos e sistémicos.


O aleitamento materno, pelo menos nos 3 primeiros meses de vida, parece ser benéfico. A introdução mais tardia e progressiva dos diversos alimentos sólidos é recomendada. O uso do vestuário em algodão, a evicção de objectos de lã em casa, bem como o convívio íntimo com gatos (o mesmo não esta provado para os cães) diminuem as crises. O banho diário com produtos pouco agressivos, seguido da aplicação de emoliente é favorável.


Mas as medidas farmacológicas impõem-se. Os corticosteroides tópicos continuam a ser os fármacos de 1ª linha. Nos mais jovens, na face e nas pregas devem aplicar-se corticoides de muita baixa potência e por períodos curtos. Já nas restantes lesões do corpo é preferível utilizar corticoides mais potentes e durante menos tempo. O abuso da utilização de corticoides tópicos provoca efeitos secundários locais e sistémicos. A corticofobia por parte de outros, dificulta igualmente um adequado tratamento.


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A causa exacta da psoríase não é conhecida, mas na sua génese estão envolvidos factores genéticos, imunológicos e ambientais. O stress emocional, as infecções, o traumatismo físico e certos fármacos podem precipitar ou agravar a psoríase.


De acordo com a apresentação clínica, distinguem-se cinco tipos principais:


A psoríase vulgar é a variante mais comum, caracterizada por placas descamativas arredondadas de tonalidade vermelha e contornos bem delimitados, envolvendo preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombo-sagrada, periumbilical e couro cabeludo.


A psoríase gutata é uma forma de apresentação comum nas crianças. Surge habitualmente de forma súbita após uma infecção respiratória e tem naquele grupo etário excelente prognóstico.


Clinicamente, as lesões cutâneas são semelhantes às da psoríase vulgar, mas mais pequenas (0.5-1.5 centímetros de diâmetro) e atingindo predominantemente o tronco e extremidades proximais.


A psoríase eritrodérmica caracteriza-se por eritema generalizado com graus variáveis de descamação e pode ocorrer de forma súbita ou gradual, sendo muitas vezes acompanhada de sintomas sistémicos como febre e mal- estar geral.


A psoríase pode, também, apresentar-se sob a forma pustulosa. Há uma forma generalizada, por vezes precipitada pelo uso indevido de corticóides orais, e uma forma localizada, habitualmente, palmo-plantar.


A psoríase inversa atinge as pregas cutâneas como as axilas, virilhas, sulcos internadegueiro e inframamário. O eritema é bem demarcado e a descamação está ausente.


O envolvimento ungueal pela psoríase é frequente e pode ser a única manifestação da doença (figura 3). As alterações mais comuns são o espessamento da unha, o ponteado ungueal, as manchas acastanhadas e o descolamento distal da unha. As unhas das mãos são mais frequentemente afectadas do que a dos pés.


A psoríase condiciona a qualidade de vida do doente não só pelo envolvimento cutâneo mas também pela possibilidade de envolvimento articular.


Apesar de se tratar de uma doença crónica, ocorrem períodos de remissão espontâneos ou induzidos pelo tratamento e a sua duração é variável.


Actualmente, dispõe-se de tratamentos tópicos, caso dos análogos da vitamina D, as antralinas, os champôs de alcatrão e corticóides tópicos, bem como da fototerapia e de tratamentos sistémicos que incluem os retinoides orais, a ciclosporina e o metotrexato. Mais recentemente, com um melhor entendimento da fisiopatologia da psoríase, surgiram as terapêuticas biológicas, reservadas para os casos graves e refractários às terapêuticas convencionais.


As estratégias terapêuticas são por isso várias e a escolha da mais adequada deve ser individualizada e ter em conta a idade e sexo do doente, co-morbilidades, tipo de psoríase e sua extensão, tratamentos prévios e efeitos secundários a curto e longo prazo.






 


As unidades pilossebáceas são constituídas pelo folículo piloso (invaginação do revestimento superficial da pele onde se forma o pêlo) e por uma glândula sebácea associada, que lança a secreção no interior do folículo, através do qual atinge a superfície cutânea. São mais numerosas no couro cabeludo, face, pescoço e parte superior do tronco mas, enquanto no couro cabeludo o componente piloso é dominante, nas outras regiões e localizações frequentes da acne predomina o elemento sebáceo.


 


Como surge?


Os factores mais importantes no aparecimento da Acne são: a alteração do crescimento das células do folículo piloso - que provoca a acumulação de células mortas no seu interior - e o aumento da dimensão das glândulas sebáceas com produção excessiva de sebo (substância oleosa produzida por estas glândulas). Estes factores estão na origem do microcomedão, uma lesão microscópica que poderá evoluir formando os pontos brancos e negros.


A acumulação de sebo e células mortas, por seu lado, também favorece o crescimento das bactérias que vivem nos poros e que contribuem para o aparecimento de inflamação. Quando ocorre o processo inflamatório, pode desenvolver-se vermelhidão em torno do folículo originando borbulhas maiores, as pápulas, pústulas ou nódulos.


A partir da puberdade, o aumento da secreção de hormonas sexuais masculinas, característico dessa idade em ambos os sexos, ocasiona em alguns jovens uma resposta anormal do folículo pilossebáceo, que se traduz na excreção de sebo mais abundante e na modificação das características do revestimento dos folículos, o que dificulta a drenagem do sebo. Em consequência disso, formam-se os comedões abertos e fechados.


O comedão aberto constitui o conhecido "ponto negro", que corresponde ao orifício dum folículo pilossebáceo aberto mas obstruído por rolhão de sebo. O comedão fechado, ou "ponto branco", resulta da retenção de sebo num folículo em que o orifício não é visível a olho nu e manifesta-se por pequena elevação arredondada, do tamanho aproximado de cabeça de alfinete e cor esbranquiçada.


A formação de comedões, e a consequente estase na drenagem sebácea, acompanha-se de colonização dos folículos por bactérias e leveduras. Um desses agentes microbianos, o Propionibacterium acnes, parece ter papel importante na evolução subsequente da doença. A inflamação, que leva ao aparecimento das pápulas e pústulas, é desencadeada e mantida por substâncias chamadas mediadores da inflamação, produzidas em grande parte por acção aquela bactéria.


As pápulas, popularmente designadas por "borbulhas", com aspecto de pequenas saliências vermelhas e arredondadas, têm dimensões próximas dum grão de arroz. As pústulas são, também, lesões salientes e volume semelhante, mas contendo pus.


Os nódulos inflamatórios são maiores, nalguns casos com mais de 1 centímetro de diâmetro, têm cor vermelha e são frequentemente dolorosos. Resultam de processo inflamatório mais intenso, com maior extensão. Os cistos, também volumosos e arredondados, com ou sem sinais inflamatórios, têm conteúdo viscoso, cremoso e amarelado.





Como reconhecer a rosácea?


O sintomas iniciais são a tendência para corar facilmente (rubor facial) e/ou intolerância a cosméticos. A esta fase de sintomas transitórios, que podem durar meses ou anos, segue-se uma fase de vermelhidão persistente, de aparecimento de pequenos vasos na superfície da pele, de minúsculas "borbulhas" rosadas, algumas delas com pus sobre ou à volta das áreas vermelhas. Ao contrário da acne, não se observam comedões ("pontos negros").


Em casos avançados, a inflamação crónica e o aumento de volume das glândulas sebáceas causam deformação do nariz, a designada rinofima, que é muito mais frequente nos homens. Embora o nariz seja o local mais frequentemente afectado, a rosácea também pode atingir a testa, as maçãs do rosto e as orelhas. Algumas pessoas com rosácea têm envolvimento ocular, traduzido por vermelhidão, sensação de ardor e/ou de corpo estranho (rosácea oftálmica).


 


Como prevenir?


As medidas que previnem as crises de rubor facial são as que estão ao alcance do doente:


- Dieta: não há uma dieta específica para rosácea. O doente deve conhecer os alimentos que lhe provocam rubor, que, em geral, são os alimentos condimentados, as bebidas quentes, a cafeína e as bebidas alcoólicas. É comum associar-se a rosácea ao alcoolismo, o que é incorrecto. Pessoas que não têm hábitos alcoólicos podem ter uma rosácea tão ou mais grave do que as que os têm;


- Evitar ambientes excessivamente quentes, frios ou poluídos;


- Evitar cosméticos irritantes (alguns sabões, cremes, protectores solares, etc.);


- Efectuar uma boa protecção solar (evitar exposição nas horas de maior calor, usar chapéu e protector solar com índice de protecção igual ou superior a 15).


 


Como tratar a rosácea?


Os tratamentos disponíveis visam o seu controlo e não a sua cura. A auto-medicação está contra-indicada, porque muitos cosméticos e medicamentos podem piorar o problema. É o caso dos corticóides, que podendo produzir inicialmente uma falsa sensação de alívio da vermelhidão, mas, na realidade, agravam a rosácea, sendo mesmo uma das suas causas (rosácea cortisónica). É por isso importante o aconselhamento junto de um dermatologista.


O dermatologista geralmente recomenda um tratamento combinado, adequado à fase em que se encontra a doença e ao tipo de pele do doente. Este pode ser exclusivamente tópico (aplicação na pele de cremes ou géis) ou associado a tratamento por via oral.


Estas medidas melhoram significativamente a maioria dos sintomas, excepto a tendência para ruborizar e a vermelhidão persistente (com alívio parcial). Nesta situação, os vasos dilatados da pele podem ser destruídos com LASER ou Luz Pulsada Intensa. Quando não for possível efectuar este tratamento, a alternativa é a camuflagem das lesões com cosméticos adequados. O tratamento da rinofima consiste na remoção cirúrgica do tecido em excesso com técnicas variadas.


 


"Embora o nariz seja o local mais frequentemente afectado, a rosácea também pode atingir a testa, as maçãs do rosto e as orelhas"


 


Dr.ª Lourdes Sousa, Assistente Hospitalar de Dermatologia, Serviço de Dermatologia do Centro hospitalar de Lisboa (Zona Central)


Dr.ª Guida Santos, Interna do Complementar de Dermatologia, Serviço de Dermatologia do Centro hospitalar de Lisboa (Zona Central)





Sendo uma doença tão comum, em que os especialistas dermatológicos consideram tratar-se de uma patologia universal durante o período da adolescência, é necessário ter em consideração que a Acne pode ter consequências graves e que, por isso mesmo, o tratamento deve ser feito o mais precocemente possível de forma a evitar os problemas associados ao nível da imagem e auto-estima. Não fazer auto-medicação, comparecer em todas as consultas de acompanhamento dermatológico e seguir correctamente os tratamentos prescritos são alguns dos aspectos importantes no combate a esta patologia.


Existem, ainda, alguns mitos sobre a Acne que urgem ser desmistificados: - a Acne não surge devido à falta de higiene; o sol não melhora a Acne (o bronzeado é que confere um tom mais uniforme à pele, tendo quase um efeito de camuflagem, no entanto deve ser sempre utilizado um protector solar adequado ao tipo de pele); o chocolate, os fritos e frutos secos não provocam Acne (não existem estudos científicos que comprovem a relação entre a alimentação e Acne, no entanto, se o doente reparar que algum alimento agrava a doença deve evitá-lo); e lavar a cara muitas vezes ao dia não ajuda no combate à Acne (até pelo contrário, a cara deve ser lavada apenas duas vezes por dia, de manhã e à noite).


Por outro lado, afirmações que referem a possibilidade da maquilhagem provocar Acne, o período menstrual agravar a doença e que espremer os pontos negros pode deixar cicatrizes, devem ser tomadas em atenção. Os cosméticos a utilizar não devem conter óleo nem provocar irritação cutânea e o desmaquilhante deve ser adequado à situação. No que diz respeito ao agravamento da Acne durante o período pré-menstrual, alguns estudos indicam que o diâmetro de abertura do folículo pilo-sebáceo diminui dois dias antes do início do período menstrual, condicionando a redução do fluxo do sebo para a superfície, o que poderá explicar que, em alguns casos, a Acne parece agravar-se neste período.
Com um período de tratamento obrigatório de cerca de três meses, a Acne não é de todo um problema invencível. Cumprindo os tratamentos e com alguma paciência e perseverança esta doença torna-se facilmente ultrapassável.


De acordo o Dermatologista e Membro do Portuguese Acne Advisory Board, Dr. António Massa, a Acne "é uma patologia cuja causa resulta de uma alteração que ocorre ao nível da unidade pilossebácea, sendo mais intensa nas zonas onde há glândulas sebáceas, a saber, na face e tronco. Está provado, e todos sabemos, que uma cara bonita melhora a nossa auto-estima, facilitando o relacionamento interpessoal, mas nos tempos de hoje é possível e quase seguro controlar a Acne com um tratamento médico correcto e adequado".


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