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Cansaço mental » Fadiga a quanto obrigas…

23 Março, 2017 0
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Por exemplo, «numa situação de depressão crónica, as queixas de fadiga e de falta de memória são recorrentes, mas muitas vezes essas queixas a nível cognitivo prendem-se mais com a atenção e a concentração do que propriamente com a memória», explica o neurologista.

Acontece que as perturbações da memória costumam ser patológicas, enquanto que as perturbações da concentração e da atenção têm mais frequentemente origem nos problemas sociais e ambientais.

O tratamento da fadiga e das perturbações cognitivas eventualmente associadas passa necessariamente pelo tratamento da causa, embora haja casos em que a fadiga por si só constitua um problema e possa ser tratada com recurso a fármacos.

«Há situações como a esclerose múltipla em que a fadiga é um sintoma de per si e que, por isso, é tratada com medicamentos próprios. Muitas vezes temos o doente equilibrado, sem surtos, recuperado do ponto de vista motor, mas tem permanentemente uma grande fadiga que não consegue compensar com fisioterapia ou dieta especializada. Nesses casos, há medicamentos destinados a tratar especificamente essa fadiga», analisa o especialista.

Na maioria dos doentes, a fadiga não é um problema isolado, mas antes um sinal de alarme, reflexo de uma alteração física ou psíquica. Sabe-se, contudo, que a ansiedade, o stress, as alterações de humor, as depressões e outros problemas de foro psicológico se revelam como grandes causadores de cansaço e por isso devem ser combatidos desde cedo.

Dormir bem, para acordar melhor…

Quase todas as perturbações do sono se acompanham de fadiga: alterações do ritmo de sono e respiratórias, alterações do movimento também durante o sono, insónias ou parassónias levam a que de manhã a pessoa se levante já fatigada.

«Se o sono não foi reparador, a pessoa sente-se cansada. O sono reparador varia de indivíduo para indivíduo, havendo por isso quem se contente em dormir 4/5 horas (short sleepers), enquanto há quem precise de 9/10 (long sleepers)»

, explica o neurologista.

A maior parte das pessoas que, com regularidade, tem um sono não reparador sente fadiga intelectual, física e menor rendimento laboral. Esse cansaço vai também repercutir-se ao nível de diversas funções cognitivas, como a memória, a concentração e o raciocínio, entre outras…

«A maior parte de nós sabe o que é dormir com qualidade, porque dormiu com qualidade na infância. Muitas vezes são as vicissitudes da vida e os projectos em que a pessoa está envolvida que retiram essa qualidade ao sono»

, admite Manuel Gonçalves, acrescentando:

«Deste modo, é sempre bom saber medidas simples para se poder dormir bem, tais como ir para a cama despreocupado, relaxado do ponto de vista físico e emocional, evitar actividades muito intensas e discussões antes de dormir, não assistir a filmes demasiado excitantes ou interessantes antes de dormir e sem a barriga estar demasiado cheia ou com fome.»

Por outro lado, o consumo de excitantes, como o café, a coca-cola ou o chá preto, também inibem um sono reparador.

Além destas medidas, algumas dúvidas se prendem com o consumo de álcool:

«Muitas pessoas associam o álcool a dormir mais depressa e conseguir adormecer melhor, mas isto não é bem certo. O álcool numa dose baixa descontrai, quebra a ansiedade, proporciona algum relaxamento, mas se nalgumas situações o álcool pode ser um razoável indutor do sono, em excesso será, seguramente, um fragmentador do sono, tornando-o mais superficial»

, defende Manuel Gonçalves.

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