Um hino à confiança
O modelo de sociedade começou a falhar. A falta de saúde do planeta e das pessoas toma dimensões preocupantes. A saída está na confiança e no diálogo. Mas temos uma cultura negativa que a degrada. Felizmente, noutras paragens, não é assim!
Torna-se evidente que o modelo de sociedade pós-industrial falhou nos seus objectivos de progresso para a Humanidade. O seu impacto na qualidade do ambiente – fundamental para a saúde do corpo humano e de outras espécies, designadamente vegetais – e na saúde mental dos indivíduos e das colectividades começa a ser negativo nas sociedades mais desenvolvidas. Disparam as doenças.
Esta afirmação é discutível e não passaria pelo crivo dos cientistas mais puristas. Todavia, deve fazer-nos pensar sobre o caminho que levamos.
Paradoxalmente, quando a consciência global, o número de investigadores e centros de ciência são maiores (prova que sabemos mais), caminhando a par com o aumento dos sistemas de certificação da qualidade organizacional (temos melhores organizações), a sociedade, enquanto um todo, não consegue responder aos desafios que se colocam (o aquecimento global, as doenças respiratórias, a hipertensão, a obesidade, a diabetes e o stress) através de uma acção concertada. Por isso, a saúde humana degrada-se!
A desconfiança social perdura. Este facto parece derivar da imaturidade relacional entre diferentes agentes da sociedade, baseada numa crença profunda de que os outros defendem os seus interesses em detrimento dos nossos.
Tal como acontece nos casamentos que chegam ao fim, tudo falha porque os parceiros não conseguem dialogar (trocar ideias com valor acrescentado para o reforço do projecto comum) e porque não existe um projecto comum. Uma vez sentados à mesa, procuram dirimir opiniões e repartir os recursos e as culpas entre eles. Não agem no sentido de construir um valor acrescentado para todos.
Em contraponto, a confiança reforça-se pelos actos de apoio, pela transparência, pela informação disponibilizada e, acima de tudo, funda-se na convicção de que os interesses e necessidades mútuas são compatíveis. Mas não perdura no tempo se os parceiros não quiserem!
No fundo, a confiança estabelece-se e mantém-se se as pessoas quiserem e tiverem crença num futuro. Se houver um projecto, um compromisso.
É por esse motivo que, na saúde, estamos doentes.
Faz-nos falta uma sociedade civil capaz de discutir e criar uma agenda para o Desenvolvimento Humano – com uma abordagem sistémica, numa perspectiva positiva –, temos pouco diálogo entre cidadãos, médicos e administradores, faltam plataformas formais de entendimento, por exemplo, entre o sector farmacêutico e o Estado, e, acima de tudo, falta tornar transparentes e naturais os processos de negociação com finalidades de bem comum.
Todavia, contra esta abordagem, temos uma cultura portuguesa fundada no «deita abaixo», no «chico-espertismo» e no negativismo acomodado, que continuamos a desenvolver nas escolas, nas famílias e nos trabalhos!
Felizmente, existem culturas positivas e/ou organizadas em que a confiança gera negociações, compromissos, acções e acordos. Olhemos para os países nórdicos, o Brasil, o Canadá e a Austrália. São bons para aprender.
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